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Autor: Lucio Rangel
Advogado Consultor e Assessor Jurídico, Professor Mestre em Planejamento e Análise de Políticas, MBA em Gestão de Projetos, Escritor, Palestrante e Pesquisador
Existe uma sedução irresistível em torno da palavra “participação”. Ela transmite pertencimento, diálogo, respeito e maturidade institucional. Afinal, quem seria contra ouvir as pessoas? No entanto, como acontece com quase todas as grandes ideias, o excesso pode transformá-la em seu oposto. Vivemos um tempo em que a horizontalidade se tornou um valor quase absoluto. Quanto mais descentralizada parece ser uma organização, mais moderna ela é considerada. Porém, existe uma diferença fundamental entre construir uma gestão participativa e transformar qualquer decisão em uma assembleia permanente. A democracia não é a ausência de liderança. Nunca foi. Por mais que queiram democratizar empresas,…
Por que continuo acreditando na Educação? Queridos professores e queridas professoras,Escrevo esta carta antes de tudo para mim mesmo.Escrevo para aquele jovem que um dia se encantou pelas histórias contadas pelo avô, no terreirão de café de uma fazenda, enquanto o cheiro do café secando misturava-se às lembranças de uma vida inteira. Foi ali que descobri que uma boa história é capaz de atravessar gerações. Sem perceber, meu avô me ensinava História muito antes de eu entrar em uma universidade.Talvez tenha sido naquele terreirão que nasceu o professor que hoje sou.Mais tarde, durante o Ensino Médio, encontrei professores que transformavam…
(Imagem gerada por IA) A sanção da Lei nº 15.468 de 13 de julho de 2026, representa uma das mais importantes mudanças recentes na educação brasileira. Ao alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a norma torna obrigatória a inclusão da educação política e dos direitos da cidadania como componente curricular da educação básica, que deve incorporar esses conteúdos ao estudo da realidade social e política do país. Embora a notícia tenha provocado intensos debates nas redes sociais, a pergunta central deveria ser outra: como é possível formar cidadãos para viver em uma democracia sem ensinar,…
Prof. Rogério Monteiro Docente na Rede Pública Paulista Licenciado em História (UNESP) e em Pedagogia (UNIFRAN)
Há uma pergunta que deveria constranger qualquer sociedade que se autoproclama desenvolvida: por que tantos professores sonham em abandonar a sala de aula para dirigir um carro de aplicativo? Há aqueles que lecionam, com seus variados problemas e em suas horas vagas, são motoristas de aplicativos para complemento de renda. Contudo, há aqueles que querem deixar a educação para ser integralmente motorista de aplicativo. E aí, vem a pergunta: o que faz uma pessoa deixar todos seus anos de aquisição de conhecimento, estudos, pesquisas de uma graduação para ser um profissional que leciona, educa, orienta, motiva e inspira alguns estudantes…
Há um velho hábito na cultura política brasileira: diante de problemas complexos, cria-se uma nova lei. Se a dificuldade persiste, regulamenta-se a lei. Se ainda assim nada muda, elabora-se uma política nacional. O resultado costuma ser previsível: cresce a burocracia, multiplicam-se os documentos e o cidadão permanece vulnerável. A recente iniciativa da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), ao encaminhar ao Ministério da Justiça as diretrizes da Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade (PNPD), segue esse roteiro. O texto apresenta objetivos nobres: fortalecer a cidadania digital, consolidar uma cultura de proteção de dados e transformar…
Professor Rogério Monteiro Docente da Rede Pública Paulista Licenciado em História (UNESP) e em Pedagogia (UNIFRAN)
Querida professora, Talvez você esteja lendo esta carta em um daqueles dias em que levantar da cama parece mais difícil do que deveria ser.Talvez você esteja cansada. Não apenas fisicamente, mas emocionalmente.Cansada de cobranças, de metas, de relatórios, de plataformas digitais, de reuniões intermináveis, de demandas que parecem nunca acabar.Talvez você esteja sentindo culpa por não conseguir fazer tudo aquilo que esperam de você.Mas eu gostaria que você parasse por alguns instantes e refletisse sobre uma coisa:Você não é uma máquina.Você é uma pessoa.Uma pessoa que escolheu dedicar sua vida a ensinar, orientar, acolher e transformar vidas.Nos últimos anos, muitos…
Por décadas, ouviu-se o conselho repetido quase como um mantra de carreira: “Esqueça as humanidades, o futuro está nas ciências exatas”. Pois bem, o futuro chegou e trouxe consigo uma ironia tipicamente socrática. Dados recentes do Federal Reserve Bank of New York mostram que a taxa de desemprego entre formados em ciência da computação bateu os 7%, enquanto a de filósofos ficou em 5,1%. A verdade explodiu nos grandes laboratórios de tecnologia do Vale do Silício e do mundo: a inteligência artificial agora exige que se pense. E rápido. Na prestigiada reportagem “Computo, ergo sum”, publicada recentemente pela revista The…
A recente iniciativa da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), ao encaminhar ao Ministério da Justiça as diretrizes para a construção da Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade (PNPD), foi recebida com entusiasmo por diversos setores. O discurso institucional é sedutor: cidadania digital, fortalecimento da governança, proteção da privacidade e inserção do Brasil entre as referências internacionais no tema. Contudo, por trás da retórica oficial, emerge uma questão fundamental: estamos construindo uma verdadeira soberania digital ou apenas ampliando um sofisticado aparato burocrático incapaz de enfrentar os reais desafios da era dos dados? A resposta exige…
A Copa do Mundo de Futebol Masculino 2026 deveria ser apenas a celebração máxima do futebol. Entretanto, o torneio realizado majoritariamente nos Estados Unidos expôs uma antiga contradição da política internacional estadunidense: a capacidade de apresentar-se ao mundo como defensor da democracia, da liberdade e da integração entre os povos, enquanto mantém relações marcadas por sanções, bloqueios econômicos, intervenções e pressões diplomáticas contra países que desafiam seus interesses geopolíticos. O futebol sempre foi vendido pela FIFA como instrumento de paz e aproximação entre nações. Contudo, a realização da Copa em território norte-americano ocorre em um momento de forte tensão que…
CARTA ABERTA AOS (AS) PROFESSORES (AS) Carta Aberta aos(às) Professores(as): Hoje quero compartilhar uma reflexão inspirada por uma grande professora de História que recentemente conquistou sua aposentadoria após 30 anos de dedicação ao magistério.Durante toda a sua trajetória, ela foi uma educadora brilhante. Mesmo diante das dificuldades, das mudanças constantes e, muitas vezes, da descrença sobre os rumos da educação, nunca deixou de acreditar que poderia fazer a diferença na vida de seus alunos. E fez. Minha amiga do coração trabalhou comigo por muitos anos. Sempre foi extremamente dedicada, crítica, consciente e comprometida com a formação de cidadãos ativos, participativos…
