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    Início » Hospital Público em Franca, Governador Tarcísio, relevância do Ensino Superior e Greve das Universidades Públicas Paulistas
    Intelecto Saber

    Hospital Público em Franca, Governador Tarcísio, relevância do Ensino Superior e Greve das Universidades Públicas Paulistas

    Lucio RangelBy Lucio Rangel28 de maio de 2026

    O Governador Tarcísio de Freitas do Estado de São Paulo esteve hoje, na cidade de Franca, ou seja, 28 de maio de 2026, para inaugurar o Hospital Público Estadual Dom Diógenes Silva Mathes, no Jardim Noêmia, da cidade de Franca. Inaugurou de modo pré-campanha eleitoral para sua reeleição, e estavam presentes o prefeito Alexandre Ferreira e ex-prefeitos de Franca Gilson de Souza e Sidnei Rocha, além do vice-governador Felício Ramuth, secretário estadual da saúde Eleuses Paiva, deputada estadual Graciela de Franca, deputado federal Baleia Rossi, entre outras autoridades.

    Mas, vamos recordar algumas coisas que o próprio Tarcísio disse antes sobre o hospital que se inaugurou em Franca e o que ele pensa sobre os jovens e pessoas terem curso superior.

    No segundo semestre de 2022, durante a campanha eleitoral, Tarcísio de Freitas se opôs a construção do Hospital Estadual na cidade de Franca e disse que defendia um modelo mais eficiente para a região de Franca, o que seria o investimento e a ampliação da estrutura da Santa Casa de Franca, a fim de otimizar o que já estava em funcionamento. Ou seja, o governador Tarcísio deixou bem claro e expresso que não seria o melhor caminho construir o Hospital Estadual ou Regional para Franca.

    Contudo, o prefeito Alexandre Ferreira foi a São Paulo e apresentou dados demográficos e alegou que há uma sobrecarga do sistema de saúde de Franca, o que demandava na microrregião de Franca, composta por 22 municípios, uma unidade pública de saúde condizente, e justificou que a Santa Casa de Franca não estava mais suportando a demanda, e que, realmente, houve necessidade urgente de um novo prédio de Hospital Estadual para desafogar o sistema. Enfim, o Hospital Estadual e Regional Três Colinas “Dom Diógenes Silva Matthes” foi construído, concretizado e realizado, e que teve um custo de R$ 186 milhões de reais, com devido equipamento, localizado na Avenida São Vicente (zona sul de Franca), e está em operação para a população francana. Há de ressaltar que o ex-prefeito e ex-deputado estadual Gilson de Souza sempre verbalizou a necessidade do hospital regional público e muitos desacreditavam dele e o hospital estadual veio e foi construído na cidade de Franca.

    É preciso recordar, também, que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou no dia 13 de novembro de 2025, com a seguinte declaração, ora registrada em vídeo: “O diploma cada vez tem menos relevância”. A fala ocorreu durante um evento oficial focado no anúncio da expansão do Ensino Médio Técnico na rede estadual de São Paulo. Especialistas e críticos rebateram a fala na época utilizando dados do IBGE e da OCDE, que demonstram que profissionais com diploma de ensino superior no Brasil continuam a receber salários significativamente maiores (uma média de duas a duas vezes e meia a mais) do que aqueles que possuem apenas o ensino médio. O governador defendeu a ideia de que o mercado de trabalho atual está mais “desapegado” de títulos acadêmicos formais. Segundo a sua linha de raciocínio, as empresas priorizam habilidades práticas (como capacidade de comunicação, resolução de problemas complexos e domínio de idiomas) em detrimento do nome da faculdade ou do diploma em si.

    Embora seja legítimo discutir os modelos de formação profissional, desvalorizar o ensino superior em um país historicamente marcado pela desigualdade educacional representa um grave equívoco político, econômico e social.

    Os números demonstram exatamente o contrário do discurso. No Brasil e no mundo, quem possui ensino superior ganha mais do que quem concluiu apenas o ensino médio ou o ensino fundamental. E os rendimentos aumentam ainda mais entre aqueles que investem em pós-graduação, especializações, MBA, mestrado ou doutorado. Em média, profissionais altamente qualificados chegam a receber rendimentos próximos ou superiores a R$ 10 mil mensais, dependendo da área de atuação, demonstrando claramente que estudo e qualificação continuam sendo instrumentos reais de ascensão social e melhoria de renda.

    Negar essa realidade é ignorar evidências econômicas amplamente comprovadas por pesquisas do IBGE, IPEA, OCDE e diversos estudos do mercado de trabalho. A educação superior não apenas amplia salários, mas também reduz índices de desemprego, aumenta produtividade, fortalece inovação tecnológica e impulsiona o desenvolvimento nacional.

    O Brasil, infelizmente, ainda enfrenta um enorme atraso estrutural no acesso ao ensino superior. Apenas 24% dos jovens adultos brasileiros entre 25 e 34 anos possuem diploma universitário. O índice é exatamente metade da média dos países da OCDE, que alcança 48%. Em nações altamente desenvolvidas, como a Coreia do Sul, cerca de 70% dessa população concluiu a graduação.

    O cenário torna-se ainda mais preocupante quando o Brasil é comparado aos próprios vizinhos latino-americanos. Países como Peru (50%), Chile (41%) e Colômbia (35%) já superam significativamente o desempenho brasileiro. Esses números revelam que o problema não está no excesso de formação universitária, mas justamente na baixa democratização do acesso à educação superior.

    Mesmo assim, houve avanços importantes na última década. Em 2013, apenas 15,8% dos jovens adultos brasileiros tinham graduação concluída. Hoje, o índice chegou a 24%. Ainda insuficiente, mas um crescimento relevante. O problema é que essa evolução continua profundamente desigual. As regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste concentram os melhores indicadores, enquanto boa parte do Nordeste permanece abaixo da média nacional, refletindo desigualdades históricas no acesso à educação de qualidade.

    Outro dado importante diz respeito às mulheres. Atualmente, elas possuem maior presença no ensino superior do que os homens. Entre mulheres de 25 a 34 anos, a taxa de escolaridade superior chega a 28,2%, enquanto entre os homens é de 20,7%. Isso demonstra como a educação superior também funciona como ferramenta de emancipação social, econômica e profissional.

    Além disso, a Educação a Distância (EaD) tem desempenhado papel fundamental na expansão universitária brasileira. Em um país continental como o Brasil, a EaD democratiza oportunidades para trabalhadores, mães, moradores de cidades pequenas e pessoas que historicamente estiveram excluídas do ensino presencial. Em vez de atacar essa modalidade, o poder público deveria investir em qualidade, fiscalização séria e ampliação do acesso. Apesar da constatação do MEC de que boa parte do cursos de ensino superior EaD não terem ido bem no ENADE (Exame Nacional do Desempenho do Ensino Superior), houve constatação de cursos EaD com nota 4 e 5, e mesmo assim, o MEC penalizou esses referidos cursos, o que muitos especialistas em educação acreditam que foi tomada medida injusta.

    É importante compreender que universidade não é apenas formação técnica para o mercado. O ensino superior também produz ciência, pesquisa, pensamento crítico, cidadania e inovação. Países desenvolvidos investem pesadamente em educação porque entendem que conhecimento é riqueza estratégica. Não existe potência econômica consolidada sem universidades fortes, pesquisa científica robusta e valorização da formação intelectual.

    Ao afirmar que curso superior não é importante, o risco é transmitir à juventude uma mensagem perigosa de desvalorização do conhecimento, justamente em um país que ainda sofre com baixos índices educacionais, evasão escolar e desigualdade de oportunidades.

    O verdadeiro debate não deveria ser sobre diminuir a importância da universidade, mas sobre ampliar o acesso, melhorar a qualidade do ensino e aproximar formação acadêmica, tecnologia, inovação e mercado de trabalho. O Brasil precisa de mais engenheiros, professores, médicos, pesquisadores, administradores, juristas, cientistas, tecnólogos e profissionais qualificados — e não de menos educação.

    Em pleno século XXI, conhecimento continua sendo o principal patrimônio das nações. E nenhum país se torna desenvolvido apostando menos na educação de seu povo.

    E, infelizmente, o Governador Tarcísio de Freitas, quando se pronuncia de algo que tem de considerar e valorizar, ele vai na contramão. Em relação ao Hospital Estadual de Franca, ele reviu e voltou atrás e deu continuidade do projeto do hospital e concretizou. Mas, em relação aos cursos superiores?

    Recentemente, as universidades públicas estaduais (USP, UNICAMP e UNESP), professores, estudantes e funcionários entraram em greve, entre meses de abril e maio de 2026, de modo unificado, que atingiu 264 cursos.

    A adesão dos docentes fortaleceu significativamente o movimento. Professores da Unicamp e de diferentes campi da Unesp, como Bauru, Marília, Araraquara, São José do Rio Preto, Rio Claro e Franca, aprovaram formalmente a paralisação. Na USP, os docentes também aderiram à greve em assembleias realizadas nos campi do Butantã, São Carlos, Pirassununga, Ribeirão Preto e Piracicaba. Paralelamente, funcionários técnico-administrativos da Unicamp e de campi da Unesp também suspenderam suas atividades, denunciando sobrecarga de trabalho e precarização decorrente da falta de servidores efetivos.

    As reivindicações do movimento são coordenadas pelo Fórum das Seis, entidade que reúne sindicatos e representações estudantis das três universidades estaduais paulistas. Entre as principais pautas estão a ampliação das políticas de permanência estudantil, com aumento de bolsas, moradia universitária e melhoria nos restaurantes universitários; a contratação de professores e servidores técnico-administrativos para suprir o déficit funcional e reduzir a precarização causada pelas contratações temporárias; a ampliação dos repasses do ICMS destinados às universidades; e a reabertura das negociações salariais, consideradas insuficientes diante das perdas inflacionárias acumuladas.

    O movimento também gerou intensos debates políticos e institucionais. O governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que a greve deveria ser tratada pelas próprias reitorias, mostrando se esquivar da questão, e alegando que as instituições possuem recursos financeiros suficientes para administrar suas demandas. Já as reitorias buscaram criar grupos de trabalho e espaços de diálogo sobre permanência estudantil e inclusão, embora o adiamento de reuniões do Conselho Universitário da USP tenha provocado críticas e manifestações de repúdio de entidades acadêmicas e diretorias de faculdades.

    Além das reivindicações estruturais, a greve também foi marcada por tensões políticas dentro dos campi. Em algumas universidades, especialmente na Unicamp, ocorreram confrontos verbais e físicos envolvendo grupos contrários ao movimento grevista, incluindo militantes do Movimento Brasil Livre, situação que gerou manifestações públicas de solidariedade e repúdio por parte da comunidade universitária e de parlamentares. Assim, a greve das universidades estaduais paulistas tornou-se não apenas uma disputa por melhores condições acadêmicas e trabalhistas, mas também um importante espaço de debate sobre financiamento da educação pública, permanência estudantil e autonomia universitária no Brasil.

    Enfim, tais fatos relatados mostram que o Governador Tarcísio, nas questões sociais, seja em saúde e educação, tem pouco trato e sensibilidade, quando não alguém que vá intervir e o convença a respeito, de portar de maneira contrária.

    Lúcio Rangel Ortiz, advogado, gestor público educacional, pesquisador, professor mestre em planejamento e análise de políticas públicas (UNESP), MBA em gestão de projetos (USP), escritor e colunista do Portal FNT – Intelecto Saber.

    Educação Franca Política SAÚDE E BEM-ESTAR

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