A maior feira de tecnologia agrícola da América Latina movimenta bilhões em negócios todos os anos, reunindo produtores rurais, empresários, cooperativas, instituições financeiras e fornecedores de máquinas e insumos. Porém, após o encerramento da Agrishow 2026, especialistas alertam para a importância da análise jurídica dos contratos firmados durante o evento, especialmente diante do alto volume de negociações realizadas em poucos dias.
Segundo advogados especializados em direito empresarial e do agronegócio, muitos produtores e empresários acabam fechando contratos de compra, financiamento, fornecimento ou parceria sem uma avaliação detalhada de cláusulas que podem gerar riscos futuros.
Para o advogado Ricardo Dosso, o período pós-feira é estratégico para revisar documentos, garantir segurança jurídica e evitar prejuízos.
– “Durante a Agrishow, as negociações acontecem em ritmo acelerado e, muitas vezes, movidas por oportunidades comerciais atrativas. Porém, é fundamental que o empresário ou produtor rural faça uma análise cuidadosa dos contratos assinados, principalmente em relação a prazos de entrega, índices de reajuste, garantias, multas e condições de financiamento”, afirma.
O especialista destaca ainda que cláusulas consideradas simples podem gerar impactos financeiros relevantes no futuro, especialmente em cenários de oscilação econômica ou problemas no cumprimento contratual.
– “Em muitos casos, o problema não está no negócio em si, mas na falta de clareza contratual. Uma revisão jurídica adequada ajuda a prevenir litígios e dá mais segurança para ambas as partes envolvidas”, completa Ricardo Dosso.
A advogada Ana Franco Toledo ressalta que a atenção deve ser ainda maior em contratos ligados ao agronegócio, setor que possui especificidades próprias e depende de fatores externos como clima, mercado internacional e logística.
– “O agronegócio trabalha com operações de alto valor e que envolvem variáveis complexas. Por isso, é essencial avaliar cláusulas sobre inadimplência, entrega de produtos, garantias e eventuais responsabilidades em caso de descumprimento contratual”, explica.
Ana Franco Toledo também reforça que a formalização correta dos acordos pode evitar disputas judiciais prolongadas.
– “Muitas vezes, uma orientação jurídica preventiva representa economia de tempo e recursos no futuro. A atuação jurídica após a feira é justamente garantir que aquilo que foi negociado comercialmente tenha respaldo legal adequado”, finaliza.



