O Brasil pode estar diante de uma das maiores oportunidades econômicas e energéticas das próximas décadas. O avanço da produção de etanol à base de milho e as recentes discussões internacionais lideradas pela IMO (Organização Marítima Internacional) sobre a utilização de biocombustíveis no transporte marítimo colocam o país em posição estratégica no cenário global de descarbonização.
Para regiões como Ribeirão Preto e todo o interior paulista, tradicionalmente ligadas ao agronegócio, à logística e ao setor sucroenergético, o avanço do etanol de milho no mercado internacional pode representar uma nova onda de investimentos, geração de empregos e desenvolvimento econômico regional. O crescimento da cadeia da bioenergia tende a movimentar desde o campo até os setores industriais, tecnológicos e de transporte.
O setor marítimo é responsável por cerca de 90% de todo o comércio mundial e também está entre os maiores consumidores de combustível do planeta. Diante das metas globais de redução de emissões até 2050, a IMO vem ampliando o debate sobre combustíveis alternativos capazes de reduzir o impacto ambiental do transporte marítimo internacional.
Nesse contexto, o etanol brasileiro — incluindo o produzido a partir do milho — passa a ganhar protagonismo como uma solução viável, escalável e com menor emissão de carbono. A possibilidade de utilização do biocombustível por navios cargueiros representa uma mudança importante para o mercado mundial de energia e pode abrir novas frentes de exportação para o Brasil.
Segundo Cristiane Fais, CEO da Accrom Consultoria em Logística Internacional e coordenadora do núcleo de comércio exterior do CIESP nas regiões de Ribeirão Preto, Franca e Sertãozinho, o cenário pode transformar o papel do país na economia global.
“A aprovação e o reconhecimento do etanol como alternativa para o transporte marítimo internacional podem representar uma virada histórica para o Brasil. Estamos falando de um mercado gigantesco, responsável pela maior parte do consumo global de combustíveis. O Brasil reúne capacidade produtiva, tecnologia, experiência no agronegócio e uma matriz energética competitiva para se tornar referência mundial em energia limpa”, afirma.
O etanol de milho vem ganhando destaque especialmente pela capacidade de produção contínua ao longo do ano, diferente da sazonalidade observada na cana-de-açúcar. Além da questão ambiental, especialistas apontam vantagens logísticas e industriais importantes para atender uma demanda internacional em larga escala.
Cristiane Fais destaca que o movimento internacional em torno da descarbonização marítima tende a acelerar investimentos, inovação e novos modelos de negócios ligados à bioenergia.
“O mundo busca alternativas mais limpas, mas também economicamente viáveis e com capacidade de escala. O etanol brasileiro atende esses requisitos e pode colocar o país em uma posição estratégica extremamente relevante nos próximos anos”, completa.
A expectativa do setor é que a transição para combustíveis alternativos no transporte marítimo aconteça gradualmente entre 2030 e 2050, acompanhando as metas ambientais globais. Ainda assim, o avanço das discussões já movimenta mercados, indústrias e investidores atentos ao potencial brasileiro na nova economia verde.



