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    Notícias Corporativas

    Risco no trânsito sobe 2,4% em 2024, aponta estudo do ONSV

    DINOBy DINO5 de maio de 2026
    Risco no trânsito sobe 2,4% em 2024, aponta estudo do ONSV
    Risco no trânsito sobe 2,4% em 2024, aponta estudo do ONSV

    O Brasil registrou taxa de 28,04 mortes por bilhão de quilômetros percorridos no trânsito em 2024, alta de 2,4% em relação a 2023 — resultado do aumento de 6,7% no número de mortes no trânsito e de 4,2% na quilometragem total percorrida no país. No entanto, o índice é 45,45% menor do que o registrado em 2011. A série histórica do indicador mostra queda até 2019, aumento em 2020 e 2021 e nova redução em 2022 e 2023 antes da alta registrada em 2024.

    Os dados são do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), divulgados em março de 2026. A taxa de mortes por bilhão de quilômetros percorridos é calculada a partir da relação entre a distância estimada percorrida — com base no consumo de combustíveis automotivos informado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), convertida em quilômetros — e o número de óbitos no trânsito, obtidos junto ao Ministério da Saúde.

    Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, avalia que, mesmo dentro de uma tendência histórica de queda, o aumento registrado em relação a 2023 não pode ser relativizado. Para ele, isso revela uma ruptura pontual em uma trajetória de melhoria — ainda que a tendência de longo prazo seja de queda —, e a leitura correta não é de retrocesso estrutural, mas de fragilidade do sistema.

    "Oscilações como essa demonstram que os avanços obtidos não estão consolidados e que o país ainda opera sem um sistema de segurança viária suficientemente resiliente. Tecnicamente, o que ocorreu foi um crescimento das mortes superior ao aumento da exposição, o que resultou na elevação do risco. Isso significa que não estamos apenas nos deslocando mais, estamos nos deslocando de forma mais perigosa", analisa o CEO.

    Desigualdades regionais e risco por modo de transporte

    O executivo observa que as desigualdades regionais apontadas pelo estudo não são aleatórias. Segundo ele, elas refletem níveis distintos de maturidade institucional e de organização do sistema de mobilidade, com estados com melhores resultados combinando infraestrutura mais qualificada, maior capacidade de fiscalização, políticas públicas contínuas e melhor resposta pós-sinistro.

    "Os estados com piores indicadores enfrentam fragilidades estruturais nesses mesmos pilares. Outro fator crítico é a dependência maior da motocicleta como solução de mobilidade e trabalho em regiões mais vulneráveis. Em síntese, não estamos diante apenas de um problema de trânsito, mas de um problema sistêmico de desigualdade na gestão do risco", afirma Guimarães.

    Em 2024, 18 estados apresentaram taxas de mortes por bilhão de quilômetros percorridos superiores à média nacional, ocupando baixas posições no ranking nacional. Os estados da Região Nordeste continuam concentrando as maiores taxas do país. Em um recorte de modo de transporte, o estudo revela que os motociclistas são o grupo mais vulnerável, com o risco de morte mais alto — cerca de 3,6 vezes superior ao dos ocupantes de automóveis.

    Segundo o especialista, este é um problema estrutural e não apenas uma questão de comportamento individual. "É fundamental deixar claro que isso não pode ser reduzido a um único fator, como o motofrete. Trata-se de um fenômeno sistêmico. É um modelo de mobilidade que, na prática, empurra uma parcela significativa da população para o modo mais vulnerável do sistema".

    O CEO lembra que a motocicleta, no Brasil, cumpre um papel social e econômico, como o veículo mais acessível para aquisição, uma alternativa para redução do custo de transporte das famílias e, cada vez mais, uma ferramenta de trabalho. "Isso resulta em maior exposição, mais tempo nas vias, em condições muitas vezes adversas, somada à baixa proteção física já inerente ao modo".

    Guimarães acredita que a resposta a este problema precisa ser mais ampla e estruturada, passando por qualificação e formação de condutores, melhoria da infraestrutura viária com foco em segurança, fiscalização mais inteligente e, principalmente, por políticas públicas que enfrentem a lógica atual de acesso à mobilidade.

    Políticas públicas e desafios para adoção da metodologia

    Para o executivo, a métrica mortes por bilhão de quilômetros percorridos pode contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficientes porque muda o ponto de partida da decisão pública. "Ao invés de olhar apenas para o volume de mortes, o gestor passa a analisar risco por exposição, e isso permite identificar onde o sistema é mais perigoso, independentemente do tamanho da população ou da frota".

    O especialista explica que os indicadores tradicionais, como mortes por 100 mil habitantes ou por tamanho da frota, ignoram a variável mais relevante para o risco: a exposição. Segundo ele, a taxa de mortes por quilômetro percorrido corrige essa distorção ao incorporar a distância viajada como medida direta de exposição ao risco.

    O estudo do Observatório Nacional de Segurança Viária indica que diversos países realizam o acompanhamento de seu desempenho na segurança viária por meio desta métrica, que leva em consideração o nível de mobilidade da população. A entidade a considera mais apropriada para avaliar o risco de morte no trânsito.

    "Na prática, isso qualifica a priorização de investimentos, evita alocação ineficiente de recursos e permite avaliar com maior precisão se uma política está, de fato, reduzindo o risco. Sem esse tipo de indicador, há um risco real de se comemorar reduções que, na verdade, não representam melhoria efetiva na segurança", defende o especialista.

    De acordo com o CEO do ONSV, os principais desafios para que essa metodologia seja adotada de forma mais ampla no país são a ausência de dados consolidados de quilometragem percorrida e o fator institucional. "Incorporar indicadores mais sofisticados exige capacidade técnica e, sobretudo, mudança de cultura na gestão pública. O maior risco não é metodológico, é decisório", conclui Paulo Guimarães.

    Para mais detalhes sobre a pesquisa, basta acessar o estudo completo: https://www.onsv.org.br/estudos-pesquisas/taxa-de-mortes-por-bilhao-de-quilometros-percorridos-2024.

    Mais informações também estão disponíveis no site oficial do ONSV: https://www.onsv.org.br/

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