A recente repercussão nas redes sociais envolvendo o consumo de carnes processadas e o risco de câncer reacendeu um alerta feito pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ainda em 2015. Naquele ano, um grupo de especialistas classificou alimentos como bacon, presunto, salsicha e outros embutidos no Grupo 1 de agentes cancerígenos para humanos, a mesma categoria em que estão substâncias como tabaco e amianto.
Embora essa classificação não seja nova, ela voltou a ganhar destaque em 2025 após novos compartilhamentos de trechos do relatório e manchetes comparando diretamente bacon ao cigarro, o que gerou polêmica. O assunto viralizou novamente, provocando dúvidas sobre a veracidade da informação.
O que diz o relatório da IARC
A publicação original é o Volume 114 das Monografias da IARC, divulgado em 26 de outubro de 2015, e ainda hoje é amplamente citado. De acordo com o documento, há evidência suficiente de que o consumo de carnes processadas causa câncer colorretal em humanos, sendo por isso incluído no Grupo 1 — que indica nível máximo de evidência científica.
Segundo a IARC:
“O consumo de 50 gramas diários de carne processada ,o equivalente a duas fatias de bacon , está associado a um aumento de aproximadamente 18% no risco de câncer colorretal.”
(Fonte: IARC)
O que significa “Grupo 1”
A inclusão de um agente no Grupo 1 não significa que ele seja igualmente perigoso ao cigarro, mas sim que existe consenso científico sobre sua capacidade de causar câncer. A diferença está na força do risco, que no caso do tabagismo é muito mais elevado.
“Grupo 1: a substância é definitivamente cancerígena para humanos, com base em evidências suficientes. Isso não quer dizer que o risco seja o mesmo em todos os casos.”
(Fonte: IARC/OMS, Q&A oficial – 2015)
Portanto, o alerta não deve ser interpretado como uma equiparação direta entre cigarro e embutidos, mas sim como um chamado à atenção para riscos reais e comprovados associados ao consumo frequente desses alimentos.
O que fazer diante disso?
Como nutricionista, recomendo que limite e evite o consumo de carnes processadas (bacon, presunto, peito de peru, salsicha), diversifique suas fontes de proteína, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados. O relatório, inclusive, enfatiza que o risco de câncer não depende apenas da carne em si, mas também da frequência e da quantidade consumida ao longo da vida.
Marque alguém que ainda consome esses alimentos todos os dias!



