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    Mãe denuncia negligência após filho autista de 13 anos engolir luva de látex; caso teria ocorrido na APAE de Franca

    Luis Ribeiro - Dedão no FatoBy Luis Ribeiro - Dedão no Fato7 de julho de 2026

    Um caso que beira às raias do absurdo veio à tona esta semana em meio a mistura de sentimentos de revolta e indignação: um menino de 13 anos, autista nível 3 de suporte, teria engolido uma luva de látex, geralmente usada em cirurgias por profissionais de saúde. O fato inusitado e preocupante teria ocorrido no interior da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Franca.

    O relato foi feito com exclusividade ao repórter Alexandre Silva, do portal FNT e Porça News por uma irmã do adolescente. Acompanhe:

    “ Há cerca de um mês e meio, começamos a perceber que meu irmão estava muito agitado e inquieto. Como ele não fala — ele é autista, nível 3 de suporte — suspeitamos que aquele comportamento pudesse ser causado por dor, mas não conseguíamos identificar de onde vinha.

    Iniciamos uma verdadeira busca por respostas, passando por diversos médicos, até que uma gastroenterologista pediátrica solicitou uma endoscopia. A suspeita era de algum problema no estômago, já que ele estava com muita dificuldade para evacuar e arrotava constantemente.

    O exame foi realizado no centro cirúrgico, sob anestesia geral. Quando terminou, o médico chamou meu pai para mostrar o que havia sido retirado do estômago dele. E o que vimos foi assustador: uma luva de látex, já em estado de decomposição.

    Essa luva estava causando uma obstrução, o que explicava todos os sintomas que ele vinha apresentando.

    Em nossa casa não utilizamos luvas. Além disso, temos um cuidado redobrado porque sabemos que ele coloca tudo o que pega na boca. Mantemos objetos pequenos e potencialmente perigosos sempre fora do alcance dele.

    O único lugar que ele frequenta diariamente onde o uso de luvas faz parte da rotina é a escola, a APAE de Franca.

    Diante dessa situação, fomos até a instituição para conversar sobre o ocorrido. Apresentamos o laudo médico e as fotos do material retirado, e fomos informados de que as medidas cabíveis serão tomadas”.

    Sem intenção de apontar culpados

    A irmã do menino disse que decidiu compartilhar o caso  não para apontar culpados antes da investigação, mas para alertar sobre a importância de redobrar a atenção com pessoas que não conseguem se comunicar verbalmente. “ Um simples descuido pode trazer consequências extremamente graves”, alerta.

    “Graças a Deus, meu irmão recebeu o atendimento necessário e hoje sabemos o que estava causando tanto sofrimento. Mas o verdadeiro ponto que queremos trazer com essa história vai muito além da luva encontrada no estômago do meu irmão. Infelizmente, essa não foi a primeira vez que um descuido aconteceu com ele dentro da instituição. Em outra ocasião, também procuramos explicações. Recebemos um pedido de desculpas e fomos informados de que não sabiam como aquilo havia acontecido. Mas pedir desculpas não resolve quando estamos falando da segurança e da vida de uma criança”, reitera a irmã.

    Ela afirma ainda que por ser uma pessoa com autismo, nível 3 de suporte, seu irmão não consegue dizer quando sente dor, quando algo aconteceu ou quem o fez.

    “Justamente por isso, ele precisa de um ambiente seguro, com profissionais capacitados, atentos e preparados para cuidar de crianças com necessidades tão específicas. A pergunta que não sai da nossa cabeça é: e se nós não tivéssemos percebido os sinais? E se não tivéssemos insistido em procurar ajuda médica? Até onde essa situação poderia ter chegado? Poderíamos estar contando uma história muito diferente hoje”.

    Sem câmeras

    Outro ponto que preocupa a família do adolescente é a falta de câmeras de monitoramento na APAE de Franca. “ Quando algo acontece, não há como verificar o que ocorreu, como ocorreu ou quem estava responsável naquele momento. Isso dificulta qualquer apuração e deixa as famílias ainda mais inseguras. Se esse fosse um caso isolado, talvez pudéssemos acreditar que foi um erro pontual. Mas não foi. É a segunda vez que um episódio grave acontece com o meu irmão. E, desta vez, as consequências poderiam ter sido irreversíveis”.

    A mulher disse que a sua família não se  preocupa só com o adolescente e sim, com todas as crianças assistidas pela entidade. “Hoje mesmo (dia 06), ao chegarmos ao núcleo para buscar meu irmão, vimos uma criança com deficiência física sentada em sua cadeira adaptada e outra sentada ao chão, enquanto a professora estava utilizando o celular. Assim que percebeu que estava sendo observada, (ela) guardou o aparelho e se levantou”.

    Responsabilidade

    “As famílias confiam seus filhos à instituição acreditando que eles estarão sendo cuidados, estimulados e protegidos. Não estamos falando apenas de acolhimento, mas de responsabilidade, atenção e compromisso com o desenvolvimento e, principalmente, com a segurança dessas crianças.  Nosso objetivo ao compartilhar tudo isso não é atacar ninguém. É pedir que essa situação seja tratada com a seriedade que merece, que as devidas providências sejam tomadas e que nenhuma outra família precise passar pelo medo e pela angústia que nós estamos vivendo” acrescenta.

    “Quem passou dias sem dormir, preocupado sem saber o que estava acontecendo, investigando cada detalhe, levando meu irmão de médico em médico e vendo ele sofrer, chegando até a chorar — algo extremamente raro para ele — foi a nossa família, principalmente a minha mãe. Foram dias de desespero, medo e impotência. E fica uma pergunta: será que o meu irmão foi a única criança que passou por uma situação grave como essa? A resposta é não. Ao conversar com outras famílias, soubemos de relatos de outros episódios preocupantes. Isso demonstra que não estamos diante de um caso isolado, mas de uma situação que merece ser investigada e corrigida. Nós tentamos o diálogo. Procuramos a instituição, conversamos, questionamos e aguardamos providências. Mas, quando os problemas continuam acontecendo, sentimos que temos o dever de tornar essa história pública. Esperamos, sinceramente, que o nosso relato sirva para provocar mudanças. Que a segurança das crianças seja prioridade, que haja profissionais cada vez mais preparados e que situações como essa nunca mais se repitam. Se a nossa voz puder evitar que outra família viva esse mesmo pesadelo, então teremos cumprido o nosso papel”.

    Mãe chora e faz apelo

    Do alto dos seus 47 anos, a mãe do adolescente autista não conseguiu disfarçar a sua dor diante do ocorrido. Em entrevista exclusiva ao repórter Alexandre Silva, a mulher—que por motivos óbvios não será identificada nesta reportagem— faz um apelo emocionante: que a APAE instale câmeras de monitoramento para que as famílias das crianças atendidas pela instituição saibam como é dado o atendimento a todas elas. “ Não queremos dinheiro, queremos saber o que acontece aos nossos filhos enquanto eles estão lá dentro (da APAE). ASSISTA:

    O portal FNT teve acesso às imagens da endoscopia realizada no adolescente no Hospital Unimed São Joaquim. Apesar da gravidade do caso não foi necessário cirurgia para a retirada da luva de látex do esôfago do menino. Depois de sedar o menino, os médicos utilizaram uma pinça apropriada para a retirada do corpo estranho.

    APAE responde

    Em nota enviada ao portal FNT a APAE de Franca informa que recebeu os questionamentos apresentados e reforça que trata com seriedade toda manifestação relacionada à segurança, ao bem-estar e à qualidade do atendimento prestado aos seus usuários.

    Sobre a solicitação de instalação de câmeras, a instituição informa que avalia continuamente medidas voltadas ao aprimoramento de seus processos, sempre observando critérios técnicos, operacionais e legais.

    VEJA A NOTA DA APAE:

    Nota à Imprensa

    Julho de 2026 – A APAE de Franca informa que recebeu os questionamentos apresentados e reforça que trata com seriedade toda manifestação relacionada à segurança, ao bem-estar e à qualidade do atendimento prestado aos seus usuários.

    Em relação ao caso citado, a instituição esclarece que acompanha permanentemente as condições de saúde e segurança dos atendidos e que quaisquer ocorrências são apuradas internamente pelos setores responsáveis, seguindo os protocolos adotados pela entidade.

    A APAE destaca ainda que seus profissionais e colaboradores atuam de acordo com as atribuições previstas para cada função, recebendo orientações e acompanhamento compatíveis com as atividades desempenhadas no atendimento aos usuários.

    Sobre a solicitação de instalação de câmeras, a instituição informa que avalia continuamente medidas voltadas ao aprimoramento de seus processos, sempre observando critérios técnicos, operacionais e legais.

    A APAE de Franca reafirma seu compromisso com a transparência, o acolhimento das famílias e a oferta de atendimento pautado no respeito, na segurança e na dignidade das pessoas com deficiência.

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