“La victoire appartient au plus opiniâtre”. Ou “A vitória pertence ao mais obstinado”.
Foi sob a frase que marca a mítica Philippe Chatrier que João Fonseca fez história nesta sexta-feira (29) ao vencer Novak Djokovic, de virada, por 3 sets a 2 (4/6, 5/6, 6/3, 7/5 e 7/5), pela 3ª rodada de Roland Garros. Com o triunfo épico em um duelo de 4h53min no saibro francês, o brasileiro avança pela primeira vez na carreira à fase oitavas de final em um Grand Slam.
Dessa forma, João Fonseca supera os melhores desempenhos anteriores em torneios Grand Slam, com as terceiras rodadas de Roland Garros e Wimbledon, ambas em 2025.
Novak Djokovic, por outro lado, fica pelo caminho e frustra a busca do 4º título no Aberto da França, onde ficou com o troféu nas edições de 2016, 2021 e 2023.
O brasileiro terá agora pela frente o vencedor da partida entre o norueguês Casper Ruud e o norte-americano Tommy Paul, que se enfrentam ainda nesta sexta-feira na Suzanne Lenglen.
O jogo
Mesmo incomodado com o sol na Philippe Chatrier, o sérvio de 39 anos começou forte, e com o nervosismo do carioca contando a favor. O resultado foram duas quebras de serviço e amplo domínio diante do brasileiro no início da partida.
Djokovic chegou a ter 5/1 no placar para fechar o 1º set quando Fonseca renasceu no jogo.
Conseguindo quebrar pela primeira vez o serviço de Nole, quando levou a 5 a 3, João tirou o adversário da zona de conforto para pressionar no 5/4. De volta ao saque no momento chave, o sérvio colocou em prática a experiência de mais de uma década no saibro francês para fazer o brasileiro correr e fechar em 6/4.
Mais adaptado ao ritmo de enfrentar um dos maiores da história do esporte, João conseguiu subir o nível no início do 2º set, principalmente no serviço, até o 2/2. Foi quando a hesitação em dois momentos deu a Djokovic a chance de quebrar o saque do brasileiro e confirmando em seguida para abrir 4/2 e manter a vantagem até um novo 6/4.
Pressionado pelo placar adverso, o brasileiro voltou a subir o nível e abriu o 3º ser forte com uma quebra importante no saque do sérvio e confirmando duas vezes para fazer 3/0, levando a vantagem (com muita briga no saibro francês) até o 6/3, quando Djokovic sentiu o calor na quadra em Paris.
A batalha do 4º confirmou a deterioração física do sérvio, que viu Fonseca abrir 2 a 0 logo de cara. Mas quando faltou perna, sobrou técnica para o maior campeão de Grand Slams da história, forçando a joia brasileira a errar em momentos decisivos para devolver a quebra e igualar novamente o placar.
O auge do limite físico do ex-número 1 da ATP aconteceu na reta final do set, quando precisou “sair do buraco” para confirmar seu serviço no 5/4 em um game de mais de dez minutos.
No momento de hesitação, foi a vez de João Fonseca quebrar o saque de Djoko para assumir a frente no placar em 6/5 e fechar em 7/5 em seguida, levando a batalha para o 5º set.
A última parcial começou equilibrada até o 4º game, quando o sérvio mostrou toda a sua qualidade para quebrar o brasileiro e abrir 3/1, ganhando embalo e um respiro para tentar fechar o jogo.
No entanto, o carioca respondeu de forma imediata, arrebentando o adversário com pancadas precisar e devolvendo a quebra. Na sequência, empatou em 3/3 com um ace para enlouquecer a torcida.
O europeu já não se aguentava mais em pé, mas ia conseguindo se segurar aos trancos e barrancos. Sem quebras, a partida avançou para o 4/4 e entrou de vez na reta final.
A tensão era palpável, e os torcedores ficavam de cabelo em pé a cada ponto. Mais uma vez, os dois confirmaram seus serviços e levaram a partida para o 5/5.
Aí foi o momento de João tirar o coelho da cartola. Com uma variedade impressionante de golpes, o brasileiro deu uma curtinha “cruel” para quebrar o rival, abrir 6/5 e encaminhar a vitória.
Na hora da decisão, Fonseca colocou Djokovic contra a parede, “matou” o rival com aces decisivos e fechou em 7/5 para ganhar o jogaço.



