Interditado pela Defesa Civil e prestes a ser demolido, o Centro Comunitário do Jardim Palmeiras , na região Oeste de Franca, deixou de ser ponto de obras sociais no bairro, desde o início de fevereiro. Com isso, toda a diretoria da entidade acabou sem função, o que levou seus integrantes a procurarem abrigo em outras instituições. É o que afirma o ex-presidente da associação de moradores, Reinaldo Silva.
Incansável na sua luta por melhorias, não só no Jardim Palmeiras como em toda a região Oeste, Reinaldo, que já não tem mais nenhum vínculo com o Centro Comunitário, diz que buscará parcerias com outros Centros Comunitários para continuar servindo a população carente. Ele sente aperto no coração e fica com os olhos marejados ao falar da interrupção de um trabalho que durou décadas, desde que o Centro Comunitário foi inaugurado, nos anos 1980. Com a interdição do prédio houve interrupção nas atividades da Pastoral do Menor, que utilizava as instalações para desenvolver suas atividades e obras sociais.

“Vamos ver o que faremos agora, com a nossa associação, temos de articular um meio pra ver se a Prefeitura vai construir outro espaço pra gente aquí no bairro mas, pelo jeito, com este prefeito aí nunca vai acontecer né?”, acredita Reinaldo.
A interdição ocorreu após a Prefeitura ter acesso a laudos que indicaram abalo nas estruturas físicas do prédio que abrigava o Centro Comunitário e orientação do Ministério Público. A entidade foi construída em uma Área de Preservação Permanente (APP), próximo a um córrego que corta o bairro, e apresenta esgoto a céu aberto. Com o tempo, as paredes sofreram infiltrações de água de chuvas e rachaduras que colocavam em risco a integridade física dos frequentadores.
O espaço era utilizado para atividades comunitárias, como bazares e aulas de capoeira e de dança dos anos 1970. No local, a Pastoral do Menor também desenvolvia atendimento a crianças em situação de vulnerabilidade por meio dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, em parceria com a Prefeitura. Os atendimentos da Pastoral do Menor foram transferidos para um imóvel localizado na rua Luiz Tardivo, 565, no Jardim Santa Efigênia, também na zona Oeste da cidade.

” Tenho ressaltado há muito tempo o problema da existência de um buraco muito grande que passa atrás do Centro Comunitário, e há vários anos temos reivindicado para que se faça obras de infraestrutura não só naquele local como em todo o bairro. Só que, às vezes, a Prefeitura não entende esta reivindicação e agora resolveram fechar o Centro Comunitário, uma área onde temos vários tipos de trabalho com crianças, com adultos(…) Acontece que sem este único espaço que a gente tem, as crianças perdem o lazer delas, nós fazemos festa do Dia da Criança, programação das mães, aulas de dança, dentre outras atividades”, destacou Reinaldo Silva em recente entrevista ao portal Franca 24 Horas.
Visita do presidente da Câmara
No final de março, o presidente da Câmara Municipal de Franca, Fransérgio Garcia (PL) esteve no Jardim Palmeiras e se colocou à disposição dos moradores para auxiliar no que for preciso. Ao lado de Reinaldo Silva e de outros moradores, Fransérgio visitou o Centro Comunitário e explicou a eles que a Prefeitura está cumprindo ordem judicial.

” A gente precisa achar um caminho que resolva estas questões, tanto para a Prefeitura ficar regular, quanto para os bairros também. O diálogo é sempre o melhor caminho. Onde tem área de preservação não se pode fazer alvenaria”, disse Fransérgio, antes de observar também o campo de futebol de chácara construído ao lado do Centro Comunitário. VEJA OS VÍDEOS:



