O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) protocolou uma denúncia no Ministério da Justiça e Segurança Pública contra a fabricante Bimbo do Brasil e influenciadores digitais, por veicularem conteúdo publicitário de um bolinho ultraprocessado com forte apelo ao público infantil. A denúncia aponta infrações ao Código de Defesa do Consumidor e às diretrizes do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente).
Segundo o Idec, os vídeos publicados utilizaram linguagem infantil, trilhas sonoras animadas e elementos lúdicos, características típicas de conteúdos voltados às crianças. As peças promovem o consumo do bolinho industrial, um produto ultraprocessado com altos teores de açúcar, gordura e aditivos artificiais, ingredientes que, segundo a ciência, estão diretamente relacionados ao aumento de doenças crônicas na infância, como obesidade e diabetes.
O Observatório de Publicidade de Alimentos, também ligado ao Idec, realizou uma análise detalhada de 14 bolinhos da marca. O levantamento concluiu que todos os produtos são ultraprocessados e, portanto, não recomendados para o consumo regular da população, especialmente o infantil , devido à associação com prejuízos à saúde.
A análise ainda identificou o uso de aditivos alimentares com funções cosméticas, responsáveis por alterar sabor, aroma, cor e textura dos produtos, reforçando seu apelo sensorial. Dos produtos avaliados, 13 apresentaram alto teor de açúcar adicionado, e três eram ricos em gordura saturada.
Outro ponto crítico foi identificado nas embalagens, que apresentaram incongruências: por exemplo, bolinhos com alegações de “baunilha” e “mel” em destaque não apresentavam esses ingredientes em sua composição real. Para o Idec, essa prática caracteriza propaganda enganosa, conforme o artigo 37 do CDC, ao induzir o consumidor ao erro por meio de “ingredientes fantasmas”.
Além dos aspectos nutricionais e visuais, a denúncia ainda evidencia pareceres técnicos que apontam elementos de enganosidade e abusividade em campanhas publicitárias como “O Sabor de Ser Criança” e ações promocionais de volta às aulas, promovidas em 2024 e 2025. Tais campanhas utilizam elementos emocionais e infantis para associar o produto a momentos felizes e afetivos da infância, o que intensifica o poder de influência sobre o público infantil.
A denúncia solicita a abertura de processo administrativo para apuração das responsabilidades e aplicação de sanções cabíveis.
Consumidores, especialmente as famílias, devem estar cada vez mais atentos aos conteúdos que impactam as crianças nas redes sociais. A formação de hábitos alimentares saudáveis começa com informação de qualidade, senso crítico e escolhas conscientes. Para continuar bem informado e refletir sobre saúde, alimentação e marketing, acompanhe minha coluna e também os conteúdos nas redes sociais. Juntos, podemos promover uma relação mais ética com o alimento e proteger o que temos de mais precioso: a saúde das próximas gerações.



