Franca fará seu primeiro deputado federal depois de muitos anos.
Em meio a expectativas, campanhas de união e pressão sobre a massa. Entidades e meios de comunicação ameaçaram a população, anunciaram a falta de recursos devido à falta de deputado federal, trabalhando literalmente com a “política do medo”.
Em 2027 Franca passará a ter voz em Brasília, mas não a voz do empresariado, de candidato financiado por empreiteiras, nem a voz de aposentados procurando uma cadeira para se encostar em Brasília. A voz de Franca será jovem, movida por energia de mudança e não por café ou pelo agronegócio.
O candidato eleito a deputado federal por Franca provavelmente não receberá muitos votos da nossa cidade, e como ficará nossa relação com o deputado posteriormente? Como os francanos abaixarão a cabeça, passando por cima do próprio ego para pedir recursos?
Pelas pesquisas, engajamento em redes sociais e de rua, Guilherme Cortez deve ser o candidato eleito na Terra das Três Colinas. A vida é irônica, ascendeu à máxima Casa de Leis um rapaz franzino, rechaçado pelo preconceito do francano conservador.
As reviravoltas da política são das mais belas nuances poéticas, reescrevendo a história de forma magistral, como nenhum roteirista de série da Netflix poderia imaginar.
Uma das cidades mais conservadoras dos estado de São Paulo, que destinou mais de 62% dos seus votos à Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, terá um gabinete decorado com as cores arco íris. Queria eu ser um mosquitinho para presenciar os empresários de direita da cidade adentrando ao gabinete mais purpurinado de Brasília para “passar o chapéu” (gíria utilizada na política para pedidos de verbas). Ao som de Lady Gaga, degustando um “iced coffee”, os coronéis francanos terão que se desculpar. Isso mesmo, serão necessários alguns pedidos de perdão, por terem atacado, agredido e até humilhado Guilherme, seja pela ideologia partidária ou pelas pautas defendidas. A verdade é que muitos prints colocarão em cheque o falso moralismo da direita conservadora de Franca.
Agora resta a dúvida, o francano aceitará os recursos de Guilherme Cortez, que terá a posse de R$ 40 milhões para emendas parlamentares, ou seus princípios tradicionalistas e retrógrados falarão mais alto e Franca recusará toda a ajuda que um deputado federal pode prover?
Diante deste cenário, outra realidade que se desenha é o campo aberto para a cadeira de prefeito em 2028. Já que Cortez se mudará para a Capital Federal, abre espaço para disputa da cadeira mais execrada da nossa cidade.
Junte-se a isso uma investigação federal de grande porte apoiada pela Controladoria Geral da União, com mandados de busca e apreensão para armas, munição, documentos, cadernos de anotações e duzentos mil reais em espécie. A justificativa dos acusados seria pagamento de funcionários da empresa da família, mas ao invés de relação de funcionários e trabalhadores, havia junto apenas anotações de campanha eleitoral. Tudo deverá ser apurado, mas a esta altura com investigação tão avançada, todos que tiveram trocas de mensagens com os envolvidos devem estar apreensivos de acordar com a polícia federal na porta. Deve ter dono de jornal passando a noite acordado sob efeito de café “Expresso”.
Com tantas reviravoltas há três dias da eleição, a Vila de Franca ganhou sobrevida nas eleições federais, tão enfadonha até então.
Resta saber se com tantos desdobramentos, a cidade conseguirá fazer outro deputado estadual além da Dra. Graciela, outra liderança que mantém sua posição de privilégio nas pesquisas. Com cadeira cativa, a delegada segue com campanha sóbria e sem escândalos, como faz parte de seu perfil de serenidade e humildade.

Mas ainda há espaço para mais um deputado estadual, que na minha modesta opinião está sendo disputada por Cristiany de Castro e Professora Priscila Cintra. Cristiany, advogada, presidente da Federação das APAES pelo 3º mandato, com trajetória de assessoria política e trabalho pela causa neurodivergente há dezesseis anos. Priscila Cintra é professora da rede e ficou reconhecida em todo o estado de São Paulo por encabeçar o movimento de defesa da educação nos últimos anos, a favor da educação pública inclusiva e combatendo o desmonte na educação provocado pelo governo do estado.
Ambas excelentes opções para nossa cidade, pessoas que podem representar a população na Assembléia votando pelos interesses da maioria, sem vínculos com lobby político de grandes empresas. Qualquer uma das duas que vier a lograr êxito na disputa eleitoral, indubitavelmente lutará pelos direitos das crianças atípicas e suas famílias. A diferença está no fato de Cristiany ter o apoio do governador Tarcísio de Freitas, já que ocupam a mesma sigla eleitoral (Republicanos), enquanto Priscila está amparada pelo presidente Lula, por estarem ligados pelo mesmo partido (PT). Franca só tem a ganhar.
Se você, leitor e eleitor, não concorda com a visão de análise política desta coluna, saiba que isso muito me felicita. Isso se chama democracia e prefiro a discordância respeitosa à submissão consciente. O objetivo desta coluna é justamente te fazer refletir, questionar, buscar informações por conta própria e juntos traçarmos o futuro da nossa cidade.
Boa eleição, vote com consciência!
*As informações são baseadas em pesquisas públicas de opinião, dados estatísticos oficiais e reportagens fidedignas.
** esta é uma coluna de opinião cujo conteúdo não reflete necessariamente o pensamento, posicionamento ou linha editorial deste meio de comunicação.Sociedade Organizada.
Marcela Barros – Jornalista e Advogada
Fundadora da Sociedade Organizada
Advogada especializada em Direito Público
Membro da Comissão de Direito Administrativo da OAB/SP
Membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB/SP
Membro da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/SP



