As equipes de emergência recuperaram 552 corpos depois que uma parede de água gelada e lama, similar a um tsunami, avançou sobre a fronteira entre o Nepal e o Tibete e sepultou casas na quarta-feira (26). As autoridades do Nepal ordenaram nesta sexta-feira (28) que as equipes de resgate procurem áreas seguras, depois que um lago formado pelo recente deslizamento de detritos se rompeu no território chinês, aumentando o risco de novas enxurradas.
Mais de 1,4 mil pessoas estão desaparecidas, incluindo centenas de turistas que visitavam o Himalaia e dezenas de peregrinos hindus que seguiam para o sagrado monte tibetano Kailash.
O Centro Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicou que a tragédia foi provocada pelo colapso parcial de uma geleira que desencadeou um enorme fluxo de água gelada e sedimentos. A mudança climática está provocando o derretimento das massas de gelo em todo o mundo, o que eleva os riscos de inundações.
O presidente da China, Xi Jinping, comandou uma reunião de funcionários de alto escalão sobre as operações de resgate e ofereceu ajuda ao vizinho Nepal. “Ainda existem muitos perigos ocultos relacionados às geleiras, aos lagos de gelo e aos desastres geológicos na área próxima, e os trabalhos de resgate enfrentam grandes dificuldades”, afirmaram na reunião funcionários do Politburo do Partido Comunista Chinês, segundo a agência estatal Xinhua.
Operação de resgate em túnel
Os serviços de emergência continuam trabalhando para tentar localizar sobreviventes em áreas devastadas, onde começam a acabar alimentos e água potável. O Exército nepalês localizou várias pessoas presas no túnel de um projeto hidrelétrico.
— Enviamos dois helicópteros, mas é um desafio porque é difícil, inclusive, localizar as entradas do túnel — declarou à AFP o porta-voz militar Raja Ram Basnet.
Ele acrescentou que quase 350 trabalhadores e moradores da área próxima ao projeto foram colocados em segurança, mas que os esforços prosseguem para salvar mais de cem pessoas que permanecem bloqueadas.
Trabalhadores resgatados no vale de Trishuli descreveram que a catástrofe aconteceu com uma velocidade assustadora.
— Sobrevivi porque estava no túnel — contou Buddha Tamang, retirado de helicóptero na quinta-feira (27), depois de permanecer isolado por mais de 24 horas. — Os diretores que trabalhavam do outro lado foram arrastados pela correnteza.
Busca por desaparecidos
Em um hospital improvisado no Nepal, os sobreviventes enfrentam uma espera agonizante por notícias dos parentes desaparecidos. Kula Priya disse que perdeu tudo com a avalanche, incluindo o filho mais velho, com quem perdeu o contato.
— Não me importo com riqueza. Só quero meu filho de volta. Se algum de vocês puder resgatar meu filho, por favor, faça isso por mim.
A polícia nepalesa anunciou um balanço de 547 mortos. Na Índia, as autoridades informaram que recuperaram sete corpos dos rios que nascem no Nepal e acreditam que são vítimas das inundações.
Outras 910 pessoas, incluindo 517 turistas estrangeiros, continuam desaparecidas no Nepal.
No Tibete, onde as únicas fontes de informação são as autoridades chinesas, as autoridades divulgaram nesta sexta-feira um balanço atualizado de cinco mortos e 558 desaparecidos.
Turismo religioso
Dezenas de devotos hindus de todo o mundo estão entre as centenas de desaparecidos na fronteira, já que muitos faziam uma peregrinação ao Monte Kailash, no lado chinês da fronteira. Logadarrsiny Raman, malaio de 26 anos, disse que seus pais, sua tia e seu tio estavam em uma peregrinação, mas ela perdeu o contato com eles.
Raman afirmou que a agência de viagens informou que o último contato com o grupo de 17 malaios aconteceu quando eles seguiam em direção à fronteira entre Nepal e China. Pouco depois, a avalanche atingiu a área onde a família estava.
— Estou muito preocupada — disse à AFP. — Minha única esperança é receber notícias deles e saber que estão em segurança.



