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Franca celebra seus 201 anos com a força de uma cidade que aprendeu a honrar suas raízes enquanto amplia horizontes. A antiga “Capital do Calçado e do Basquete”, aliada histórica da produção de café, hoje exibe uma economia plural, dinâmica e conectada com o século XXI. O município que cresceu entre couro e solado agora também desponta no desenvolvimento de tecnologia, pois abriga fábricas de drones, empresas de software, startups ligadas ao e-commerce e iniciativas que apontam para um projeto ambicioso: transformar Franca em uma Smart City.
Essa diversificação não é obra do acaso. É fruto de uma vocação empreendedora consolidada e da compreensão de que território competitivo é aquele capaz de inovar continuamente. Franca entendeu que o futuro se constrói com conhecimento, tecnologia e criação de oportunidades — sem perder os vínculos com sua tradição produtiva.
A economia francana se diversifica, atualmente, em várias áreas, como a indústria têxtil, a indústria metalúrgica e siderúrgica, a indústria moveleira, a indústria de bebidas, alimentos e cosméticos, a indústria de joias e de lapidação de diamantes, de redes varejistas como Atacadão, Savegnago, Sam’s Club e Havan, de dois Shoppings Centers (Franca Shopping e Shopping do Calçado de Franca, sendo que este precisa reformar e investir), na área da educação, principalmente, a universitária, como; UNESP, Uni-FACEF, UNIFRAN, FATEC, Polo UAB, FDF (Faculdade de Direito de Franca), ANHANGUERA; vários polos EaD de universidades privadas, que se destacam como UNIUBE, ANHEMBI-MORUMBI, ESTÁCIO DE SÁ, UNICESUMAR, Uni-FAVENI, CRUZEIRO DO SUL, FMU, LAUREATI, entre outras, e o prometido futuro INSTITUTO FEDERAL DE FRANCA, que será no antigo prédio da UNESP ao lado da Catedral N. Sra. da Conceição. Além do sistema S e de serviços, que se destacam em Franca como SESI, SESC, SENAI, SENAC, SEBRAE, e que vai construir o prédio do SEST/SENAT (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte)na Avenida Jaime Tellini.
No entanto, aniversários também convidam à reflexão — e Franca, apesar de vibrante e inclusiva, carrega desafios que não podem ser ignorados.

(Fonte: https://revistarestauro.com.br/restauro-do-relogio-do-sol-da-cidade-de-franca-sp/)
Um dos desafios é o trânsito, por exemplo, que se tornou caótico em horários de pico, revelando a urgência de políticas consistentes de mobilidade urbana. Uma cidade inteligente não pode depender apenas de obras pontuais: precisa de planejamento, integração de sistemas e visão de futuro. Precisa de um Plano Municipal de Mobilidade e procurar resolver o congestionamento de horários de picos entre 7h e 9h da manhã e entre 17 às 19 horas, principalmente nas avenidas Major Nicácio, Hélio Palermo, Ismael Alonso y Alonso, Nelson Nogueira, entre outras avenidas.
Outro ponto crítico diz respeito aos moradores de rua, cuja presença crescente expõe a fragilidade das políticas de inclusão social. Uma cidade que pretende ser referência tecnológica não pode conviver com a exclusão à vista de todos. Ampliar os abrigos e executar uma política pública de assistência social de acolhimento, conscientização, formação e de oportunidade para emprego e renda, de tratamento de saúde e recuperação de drogas e de bebidas alcoólicas e de encaminhamento para as suas famílias a fim de proporcionar a devida dignidade.
Há também o problema do mau uso dos espaços públicos, especialmente em praças recentemente revitalizadas, como a Barão e a Nossa Senhora da Conceição. Locais que deveriam ser símbolos de convivência e lazer não estão condizentes suas revitalizações, fora descarte irregular de lixo em vários lugares da cidade e falta de manutenção adequada em várias praçs públicas. Investir na revitalização é importante; e preservar os espaços públicos é ainda mais.
Além disso, o cheiro de esgoto em determinados bairros segue como um lembrete incômodo de que infraestrutura básica é tão essencial quanto inovação. Saneamento não é luxo — é dignidade e saúde pública. Precisa resolver de forma definitiva o mau cheiro no Parque do Horto e Jardim Cambuí, onde moradores reclamam a respeito.
E não se pode esquecer o baixo piso salarial de várias profissões na cidade, o que destoa do potencial econômico local. Um ecossistema de inovação não se sustenta com profissionais sub-remunerados, e pior ainda, que trabalham na informalidade ou mascarados com sistema de pejotização para burlar direitos, além de constatação de trabalho infantil e situações semelhantes análogas à escravidão em certos casos. A valorização e a qualificação profissionais são pilares do desenvolvimento, com devidas ocupações e trabalhos dignos também. E não esquecer dos crimes de feminicídio e demais crimes contra as mulheres na cidade, o que é outro fator preocupante no quesito de segurança pública.
Franca chega aos 201 anos diante de uma encruzilhada histórica: moderna o suficiente para sonhar alto, mas pressionada pelos problemas que insistem em puxá-la para trás.
Se a cidade deseja realmente consolidar-se como uma Cidade Inteligente, precisa alinhar dois verbos inseparáveis: inovar e cuidar. Inovar na gestão urbana, no uso de tecnologias, no incentivo à economia criativa. E cuidar das pessoas, dos espaços públicos, da mobilidade, da segurança, da inclusão e do meio ambiente.
Somente assim Franca poderá celebrar, nos próximos aniversários, não apenas conquistas econômicas, mas a construção de uma cidade que cresce de forma equilibrada, sustentável e humana, fazendo jus ao devido 2º lugar de melhor cidade do Brasil para se morar.
Parabéns, Franca! — que os próximos anos sejam tão prósperos quanto a cidade está para ser, é e que se orgulha do seu passado incrível da origem como Bairro de Canoas do Sertão do Capim Mimoso, depois Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca e do Rio Pardo, depois Arraial de Franca, Vila Franca Del Rei, até que enfim: Vila Franca do Imperador emancipada; do Episódio da Anselmada, da participação dos Voluntários de Franca na Guerra do Paraguai, da Revolução Constitucionalista de 1932 que Franca participou; da Franca destaque internacional de Produção de Café, da Franca – capital do calçado masculino e do basquete masculino; e da Franca Fiel a Grei Paulista!
Lúcio Rangel Ortiz – advogado, escritor, professor mestre em planejamento e análise de políticas públicas e pesquisador (UNESP), MBA em gestão de projetos e parecerista da Revista Digital de Direito Administrativo (USP), professor na rede pública paulista no apoio tecnológico e coordenador pedagógico na rede pública municipal. É palestrante e colunista do Portal Fato no Ato – Intelecto Saber.


