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    Notícias Corporativas

    Especialista fala sobre juros altos, moradia e saneamento

    DINOBy DINO15 de abril de 2026
    Especialista fala sobre juros altos, moradia e saneamento
    Especialista fala sobre juros altos, moradia e saneamento

    Após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic para 14,75% ao ano em 18 de março de 2026, a construção civil continuou tratando o custo do crédito como um freio à atividade. Os juros seguem em nível suficientemente alto para adiar investimentos produtivos, pressionar o orçamento das famílias e prolongar a dificuldade de financiamento em uma cadeia fortemente dependente de capital de longo prazo. Em janeiro, o indicador de atividade da construção caiu a 43,1 pontos, pior resultado para o mês desde 2017, e o indicador de acesso ao crédito ficou em 39,0 pontos no quarto trimestre de 2025, sinalizando restrição relevante.

    No mercado imobiliário, o efeito acumulado desse ciclo monetário apareceu tanto na demanda quanto no custo da obra. Em novembro de 2025, entidades do setor estimavam que a Selic em 15% havia excluído cerca de 800 mil famílias do mercado de crédito para imóveis de R$ 500 mil, com perda média de 160 mil famílias a cada ponto percentual adicional na taxa.

    Nesse ambiente, os programas públicos voltados à habitação ganham peso adicional para sustentar produção e emprego no setor da construção civil. Desde a recriação do Minha Casa, Minha Vida, em 2023, o programa já injetou R$ 335,3 bilhões na economia e correspondeu a 53% dos lançamentos imobiliários de 2025, além de somar 2,2 milhões de unidades contratadas no ciclo 2023-2026. Para Fernando Nunes Camilo, engenheiro civil especializado em sistemas habitacionais e de saneamento, esse volume exige que a escala venha acompanhada de desempenho construtivo, controle de umidade e soluções capazes de reduzir manutenção ao longo da vida útil dos empreendimentos.

    Na avaliação do especialista, a mesma lógica vale para a infraestrutura urbana. O projeto de concessão de saneamento da Bacia do Rio Doce mobiliza R$ 7,5 bilhões para apoiar a universalização do abastecimento de água e do esgotamento sanitário em 200 municípios mineiros até 2033, enquanto a entrega de um túnel financiado em R$ 702,8 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Rio de Janeiro foi apresentada como parte de um sistema capaz de reduzir em até 90% o tempo de deslocamento e gerar mais de 15 mil empregos diretos e indiretos. "Obras dessa escala só preservam seu impacto social quando combinam engenharia de durabilidade, drenagem eficiente e execução padronizada", diz Fernando.

    O movimento não é apenas brasileiro. Em Cherkasy, na Ucrânia, foram inaugurados em março de 2026 um centro regional de emergência médica e moradias temporárias para cerca de 130 deslocados, em projeto apoiado pelo Banco Europeu de Investimento. No Peru, o BID aprovou US$ 130 milhões para melhorar o acesso fluvial de comunidades amazônicas ribeirinhas, ampliando a conexão com serviços básicos e reforçando um programa voltado a 2.780 comunidades e cerca de 445 mil habitantes que dependem exclusivamente do transporte pelos rios. "Esses casos mostram que habitação, saneamento e mobilidade de acesso precisam ser tratados como uma única agenda de infraestrutura social", afirma.

    A partir dessa convergência, Fernando entende que a resposta técnica para o ciclo atual não está apenas em destravar crédito, mas em qualificar a entrega. "Quando programas habitacionais, concessões de saneamento e obras de mobilidade avançam simultaneamente, a prioridade passa a ser evitar patologias recorrentes, ampliar a resiliência das edificações e reduzir o custo futuro de operação para famílias, municípios e operadores". O argumento ganha relevância em um cenário em que o próprio Ministério das Cidades informou aportes de R$ 60,6 bilhões em saneamento ambiental sob gestão federal e associou o avanço da infraestrutura às metas de universalização previstas até 2033.

    Segundo Fernando, a pressão simultânea de juros ainda elevados e custo de construção em alta torna mais importante a adoção de métodos padronizados de engenharia voltados ao desempenho. "Na prática, isso significa projetar fundações, lajes, interfaces com redes de água, esgoto e drenagem e detalhes construtivos com foco preventivo, sobretudo em obras de moradia acessível e em áreas de solo úmido ou argiloso, onde falhas de durabilidade tendem a se transformar rapidamente em despesa de manutenção e perda de habitabilidade", explica.

    Fernando Nunes Camilo acumula mais de 14 anos de atuação em habitação de interesse social, infraestrutura de água e saneamento e sistemas construtivos de alto desempenho. Entre os trabalhos que embasam sua leitura do setor está a autoria de um manual técnico para um sistema integrado de impermeabilização de fundações e lajes, concebido para bloquear de forma permanente a migração de umidade do solo por meio de barreiras físicas, químicas e construtivas redundantes, com aplicação replicável em empreendimentos residenciais e comerciais.

    Na BeloSuí Construtora, onde atua como cofundador, diretor técnico e engenheiro responsável desde 2017, ele participou da liderança de projetos habitacionais desde a viabilidade até a entrega, com implementação de sistemas de gestão da qualidade e supervisão de soluções próprias de impermeabilização e durabilidade. A empresa entregou 70 unidades residenciais em três empreendimentos, com valor total gerido de cerca de R$ 22,5 milhões. Em experiência anterior, na Escon Engenharia, coordenou obras de abastecimento de água, esgotamento sanitário e drenagem urbana que atenderam 356 unidades residenciais e somaram 5.109 metros lineares de redes.

    Para os próximos anos, Fernando projeta uma agenda em que inovação construtiva, regulação, sustentabilidade e impacto social precisem caminhar de forma integrada. Na avaliação do engenheiro, o avanço da habitação acessível e da infraestrutura de saneamento dependerá cada vez mais de projetos compatíveis com normas de desempenho, gestão de qualidade, redução de desperdícios e desenho técnico capaz de prolongar a vida útil das edificações, especialmente em territórios vulneráveis. "A competitividade do setor deixará de ser medida apenas pela velocidade de entrega e passará a ser aferida também pela capacidade de produzir moradias e redes urbanas mais saudáveis, resilientes e economicamente sustentáveis", finaliza.

    CONSTRUÇÃO CIVÍL Economia EMPREENDEDORISMO ENGENHARIA NEGÓCIOS

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