Uma travessia de mar já exige preparo físico e resistência. Mas a jornalista e nadadora de águas abertas Juliana Germann decidiu tornar esse desafio ainda mais simbólico. No dia 11 de outubro de 2026, ela percorrerá aproximadamente 3,3 quilômetros entre ida e volta até a Ilha do Campeche, em Florianópolis, nadando todo o percurso exclusivamente no estilo costas. A proposta integra o desafio "Mar de Plástico: Até quando vamos virar as costas?", criado para chamar a atenção para a crescente poluição plástica dos oceanos.
A iniciativa ganha ainda mais significado em julho, mês do movimento mundial Julho Sem Plástico (Plastic Free July), que incentiva milhões de pessoas a reduzirem o consumo de plástico descartável e refletirem sobre o impacto desse material no meio ambiente. A ideia é transformar o próprio corpo em uma metáfora da forma como a sociedade ainda ignora uma das maiores crises ambientais do planeta.
"Virar as costas para o mar é exatamente o que temos feito. A legislação brasileira ainda é insuficiente para enfrentar a dimensão da poluição plástica e toneladas de resíduos continuam chegando aos mares oceanos todos os dias", afirma a jornalista Juliana Germann.
Ex-atleta de alto rendimento, Juliana conquistou mais de 700 medalhas ao longo da carreira. Após quase três décadas longe da rotina intensa de treinamentos, voltou a nadar diariamente para se preparar para o desafio. Toda a preparação física está sendo realizada na academia Marcelo Amin.
"Eu e o Marcelo treinamos juntos durante anos e conheço a competência dele. Ele entende os desafios de conciliar uma rotina profissional intensa com os treinamentos. Estou muito feliz com esse retorno às piscinas, principalmente porque a mensagem é muito maior do que qualquer cansaço que eu possa sentir", pontua Germann.
A preocupação da jornalista Juliana Germann com a poluição plástica surgiu durante as travessias em águas abertas, ao se deparar com lixo acumulado nas praias e até mesmo no mar. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), mais de 11 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos todos os anos, volume que pode quase triplicar até 2040 caso o modelo atual de produção e descarte seja mantido.
"Os nossos mares estão se tornando verdadeiros lixões a céu aberto e mais de 80% do lixo encontrado nos oceanos é composto por plástico. Infelizmente, vejo essa realidade de perto durante os treinos e as travessias. O problema deixou de ser apenas uma estatística. Ele está diante dos nossos olhos", alerta Germann.
No Brasil, o cenário também preocupa. Segundo estimativas de organizações internacionais voltadas à conservação dos oceanos, o país está entre os maiores responsáveis pelo descarte de resíduos plásticos no ambiente marinho. Grande parte desse material corresponde a produtos descartáveis de uso único, como embalagens, sacolas e copos.
"Por isso movimentos como o Julho Sem Plástico são tão importantes. Eles despertam uma reflexão sobre hábitos de consumo, que deveria fazer parte da nossa rotina durante o ano inteiro."
Em Santa Catarina, o alerta também é urgente. Florianópolis concentra uma das áreas com maior presença de microplásticos do país. Estudo realizado pela ONG Sea Shepherd Brasil, em parceria com o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), identificou a Praia do Pântano do Sul entre os pontos mais contaminados, demonstrando que a crise global também está presente no litoral catarinense.
"Durante anos abordei o tema nas redações, mas sem o devido interesse, até entender que precisava comunicar de outra forma. Esse desafio nasce justamente para chamar atenção e mostrar que não podemos continuar virando as costas para os oceanos", garante Juliana Germann.
A travessia feita de forma individual contará com o acompanhamento da equipe do Treino Travessias, coordenada pelos nadadores Regina Feldmann e Maurício Cangiani, referências na natação em águas abertas. "Sem eles o desafio não seria possível. No mar é preciso ter o acompanhamento de pessoas de extrema confiança e sou fã absoluta do trabalho desenvolvido pelo Treino Travessias", comenta Germann.
O desafio também tem o apoio da marca esportiva Hammerhead, do nutricionista Marcos Castiel e da Agência Impulse Estratégico. "São profissionais incríveis e que acreditam no propósito do desafio. Sou muito grata a todos que estão me ajudando a alcançar o meu objetivo", agradece a nadadora.
Até o desafio, Juliana vai compartilhar a rotina de preparação e conteúdos sobre a poluição plástica dos oceanos no perfil recém-criado no Instagram (@desafiomaardeplastico). Mais do que completar uma travessia esportiva, o objetivo é transformar o esporte em um convite à reflexão sobre a relação da sociedade com os mares.
"Se cada pessoa refletir sobre seus hábitos de consumo, cobrar políticas públicas mais efetivas e compreender que o oceano começa nas nossas escolhas diárias, o desafio já terá cumprido parte da sua missão. Os nossos mares e oceanos estão sufocando com a poluição plástica e não podemos mais virar as costas", finaliza Juliana Germann.



