
Fonte: https://www.comuniquetres.com.br/single-post/2017/10/19/a-import%C3%A2ncia-do-conhecimento
Hoje, vou reportar sobre o livro que li há um certo tempo e acho importante trazer aqui na coluna para refletir sobre suas ideias. Quem quiser saber mais detalhes sobre o livro, tenho a resenha no Portal “Recanto das Letras”, que aborda respeito de sua recomendação. A ideia é também que o leitor leia o livro do Marcelo Gleiser, físico brasileiro reconhecido no mundo que tem o Prêmio Jabuti de 1998 pelo livro “A Dança do Universo” e o Prêmio Templeton de 2019, por suas obras científicas com tom filosófico e espiritual. Apesar de ele ser não ateu, mas agnóstico, Gleiser é aberto a outras visões da interpretação da realidade (teológica, espiritual e exotérica). A proposta é mencionar em forma de reflexão para coluna jornalística. (Link: https://www.recantodasletras.com.br/resenhasdelivros/8059781)

No livro A Ilha do Conhecimento: os limites da ciência e a busca por sentido, o físico e pensador Marcelo Gleiser nos convida a navegar pelos mares profundos e misteriosos do conhecimento humano. Com uma escrita envolvente, ele transforma conceitos complexos de cosmologia, filosofia e física quântica em uma jornada compreensível provocadora. O livro é mais do que uma obra científica: é um convite à humildade diante da vastidão do desconhecido ao fazer sua leitura.
Logo nas primeiras páginas, Gleiser nos lembra que aquilo que conhecemos é apenas uma fração ínfima da realidade. Ele propõe que a ciência, por mais poderosa e transformadora que seja, tem seus próprios limites. E isso não se trata de negar o avanço científico, mas de reconhecer que há fronteiras — cognitivas, técnicas e até metafísicas — que ainda nos escapam. Essa honestidade intelectual é o primeiro passo para entender a “ilha do conhecimento”: quanto mais ela cresce, maior se torna o oceano do desconhecido ao seu redor.
No primeiro momento do livro, relata-se sobre a origem do universo e o papel das grandes revoluções científicas — de Anaximandro e os pré-socráticos, passa por Platão e Aristóteles, até chegar em Copérnico, Galileu, Newton e Einstein. Cada um contribuiu para despedaçar a redoma da ignorância, a fim de ampliar os limites da ilha de conhecer a realidade.
A ciência e a religião, embora muitas vezes em tensão, compartilham o mesmo impulso: o desejo de compreender a origem de todas as coisas. Enquanto a religião busca o Criador, a ciência persegue a causa primeira, mesmo que ela esteja escondida nas entranhas do vácuo quântico ou no enigma dos multiversos.
A dualidade entre fé e razão é discutida sem reducionismo, contudo, deve-se respeitar a transcendência religiosa e, ao mesmo tempo, valorizar o papel da ciência como a mais ousada ferramenta de exploração da realidade.
A física moderna, com seus paradoxos e bizarrices, amplia essa aventura com buracos negros, “buracos de minhocas”, cordas cósmicas, energia do vácuo, partículas “divinas” (bósons de Higgs) e as probabilidades quânticas colocam em xeque as fronteiras entre o físico e o metafísico, entre o mensurável e o imaginado.
O metafísico, no livro, é pouco abordado, daí se recorrer a Platão, que o transcendente é o mundo das ideias (o idealismo da realidade) e para Aristóteles, a transcendência é a ciência do ser enquanto ser e que se busca suas causas primeiras na essência em uma investigação racional. Para René Descartes, a metafísica é dualista entre consciência e matéria, ou seja, entre o subjetivo e o objetivo, e que a certeza absoluta do ser se alcança com base na razão e na ciência. Já, Immanuel Kant afirma que a metafísica é a investigação crítica do conhecimento humano diante de seus limites e possibilidades. E Arthur Schopenhauer, por sua vez, aborda que a metafísica é uma vontade de impulso vital além da razão, e que só suplanta sua irracionalidade pela contemplação, pela arte e pela ética.
Os filósofos mais contemporâneos como Jean-Paul Sartre, Noam Chomsky e Mário Sérgio Cortella, a metafísica representa outras conotações. Sartre remete metafísica ao existencialismo, que reconhece primeiro para depois remeter a essência, pois acredita numa realidade sem propósito e que o ser humano cria o sentido das coisas. Chomsky acentua que a metafísica ultrapassa a natureza da mente humana, uma vez que reconhece a linguagem humana como inata ao ser humano, e que por isso, o conhecimento faz parte da própria mente humana. Cortella, por sua vez, dimensiona a metafísica que ultrapassa o mundo físico e imediato, que tem por objetivo a reflexão crítica aprofundada da realidade, pois com a metafísica se fundamenta o sentido da vida e da existência com amplo olhar da autoconsciência e responsabilidade existencial.
Diante da questão metafísica, retomemos A Ilha do Conhecimento, que mergulha nas origens do pensamento científico. Desde a alquimia e sua obsessão em decifrar os segredos da matéria, até os debates sobre o calor, a luz e a estrutura atômica, a ciência aparece como uma epopeia humana, repleta de erros, correções e redescobertas. Muitas ideias da história da ciência foram descartadas, o que demonstra que a ciência pode estar equivocada e falha e precisa retomar novos parâmetros, paradigmas e novos fundamentos para observar a natureza elusiva da realidade. E isso é normal porque estimula o cientista à criatividade e à imaginação científica.
Daí, a importância da reflexão sobre o conhecimento ser mais do que existencial: o papel da mente humana que busca não apenas descrever o universo, mas também compreendê-lo em termos significativos. Nesse ponto, a consciência é uma variável considerável da equação da realidade. A busca por sentido — que é algo de impulso tipicamente humano — é o motor que alimenta o avanço da ciência. Mais do que respostas, o que realmente nos move são as perguntas.
A matemática, nessa jornada, aparece como um misto de invenção e descoberta. Ela é, ao mesmo tempo, ferramenta e linguagem. Mas será ela um reflexo da realidade objetiva ou uma construção da mente? Gleiser não entrega respostas definitivas. Em vez disso, celebra a complexidade e a incompletude, elementos inerentes à nossa condição humana.
A provocação final do livro é poderosa: e se tudo o que vemos e percebemos for uma simulação? E se o universo for, no fundo, informação organizada por uma consciência? O livro não defende teorias conspiratórias, mas nos convida a refletir sobre o que é real e sobre como sabemos o que sabemos. A ciência, então, torna-se um espelho da própria humanidade — limitada, curiosa, falível, mas incrivelmente engenhosa.
Portanto, o livro “A Ilha do Conhecimento” é uma leitura essencial para quem valoriza o pensamento crítico, a humildade diante do mistério e o desejo genuíno de saber. O autor Marcelo Gleiser não oferece certezas, mas acende a chama da dúvida criativa. Em tempos de verdades fáceis e polarizações simplistas, é refrescante — e necessário — embarcar numa jornada que reconhece a beleza do inacabado. Porque, no fim das contas, é isso que nos faz humanos: a coragem de explorar o desconhecido com esperança, razão e reverência.

Fonte: https://www.pensador.com/conhecimento/
Diante do livro que foi refletido, pode-se concluir que o conhecimento não é apenas uma afirmação sobre o mundo, sobre o universo ou sobre a realidade, mas é a capacidade de a mente conceber o que é verdadeiro ou não, certo ou errado, negado ou afirmado com a devida busca de identificação de série de princípios e diretrizes que auxiliam e diferenciam o que pode ser credibilizado, quando se concebe, mentalmente, uma certeza ou convicção advinda de verdadeira reflexão crítica do pensar.
O conhecimento, algo conhecido pelo cognoscente, através da inferência das coisas a serem conhecidas, internaliza na nossa mente e consciência pelas abstrações lógicas do pensamento, o que proporciona descobertas e encontro da conceituação para o desenvolvimento da inteligência. Há de reconhecer que o conhecimento só é válido e verdadeiro, quando determinada informação creditada por um processamento sistemático e com o devido crivo de critérios implícitos de significado pela percepção dos sentidos para se atribuir certeza e fundamentação da convicção do conhecer em si.
Assim como diz George Bernard Shaw: “Apenas 2% das pessoas pensam. Outros 3% pensam que pensam. Os restantes 95% vão morrer sem saber o que significa pensar.” Portanto, é bom pensar e refletir sobre o conhecimento e acostumar nossas mentes mais para perguntas do que respostas a fim de aprimorarmos como seres humanos que buscamos evoluir.
Lúcio Rangel Ortiz é escritor, graduado em Filosofia (UFSJ), Sociologia (Uni-FAVENI), Pedagogia (UNIUBE), Matemática (UNAR), Administração Pública (UFSJ) e Processamento de Dados (FATEC). É professor mestre em planejamento e análise de políticas públicas (UNESP), MBA em gestão de projetos (USP), palestrante, advogado e colunista no portal “Recanto das Letras” e no portal “Fato no Ato” (Intelecto Saber).



