Com a chegada do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), milhares de estudantes brasileiros enfrentam uma mistura de expectativas, ansiedade e medo de não alcançar os resultados desejados. Além da pressão natural de uma prova que pode abrir portas para o ensino superior, muitos jovens precisam lidar com outro desafio: o receio de decepcionar os próprios pais.
Para o médico obstetra e escritor Albino Bonomi, a participação da família é fundamental nesse momento, mas existe uma diferença importante entre incentivar os filhos e transformar o desempenho escolar em uma obrigação de sucesso.
“Os pais naturalmente desejam o melhor para seus filhos. O problema começa quando esse desejo se transforma em uma cobrança excessiva, fazendo com que o jovem sinta que precisa alcançar determinado resultado para corresponder às expectativas da família. O amor e o reconhecimento dos pais não podem estar condicionados à nota de uma prova”, afirma Bonomi.
*Quando o incentivo se transforma em pressão*
Segundo o escritor, frases aparentemente inofensivas, como “você precisa passar”, “não pode desperdiçar essa oportunidade” ou “estudou tanto que não pode errar”, podem aumentar a tensão emocional de estudantes que já enfrentam uma rotina intensa de preparação.
Embora a intenção dos pais seja estimular a dedicação, o excesso de cobranças pode produzir o efeito contrário.
“Existe uma diferença entre ensinar responsabilidade e transmitir medo de fracassar. O jovem precisa compreender a importância do esforço, mas também precisa saber que um resultado negativo não define sua inteligência, seu caráter ou aquilo que será capaz de construir ao longo da vida”, explica.
*O medo de decepcionar pode ser maior que o medo da prova*
Para Bonomi, parte da ansiedade dos estudantes pode estar relacionada à sensação de que o resultado do Enem representa não apenas uma conquista individual, mas a realização de um projeto familiar.
Em algumas situações, os filhos passam a carregar expectativas profissionais e pessoais que não são necessariamente suas.
“Precisamos tomar cuidado para não projetar nos filhos os sonhos que nós mesmos não conseguimos realizar. Cada pessoa tem sua própria trajetória, suas habilidades e seu tempo de amadurecimento. O papel dos pais é orientar, oferecer oportunidades e apoiar, não determinar antecipadamente o caminho que os filhos deverão seguir”, observa.
*Criar filhos fortes não significa exigir que nunca fracassem*
A importância da educação familiar na construção da autonomia e da segurança emocional é um dos temas abordados por Albino Bonomi no livro Como Criei Filhos Fortes e Felizes.
Na obra, o médico compartilha experiências pessoais na criação de seus dois filhos, desde a infância até a chegada à universidade, refletindo sobre os desafios da educação e a importância de preparar os jovens para a vida.
Para o escritor, desenvolver filhos emocionalmente fortes não significa protegê-los de todas as dificuldades nem exigir resultados perfeitos.
“Uma pessoa forte não é aquela que nunca erra ou nunca se frustra. É aquela que aprende a enfrentar dificuldades, reconhecer suas limitações e encontrar caminhos para continuar. Os pais precisam compreender que os obstáculos também fazem parte do amadurecimento dos filhos”, afirma.
*O que os pais podem fazer na reta final?*
Com a proximidade das provas, Bonomi considera que o momento deve ser de acolhimento, diálogo e confiança, evitando cobranças que não contribuem para a preparação dos estudantes.
“Na reta final, talvez o mais importante seja transmitir tranquilidade. O jovem já conhece a importância do exame. Repetir cobranças pode apenas aumentar a insegurança. Os pais podem ajudar muito mais demonstrando confiança, respeitando os momentos de descanso e lembrando que estarão ao lado dos filhos independentemente do resultado”, orienta.
O médico ressalta ainda que a educação não deve ser medida exclusivamente por conquistas acadêmicas ou profissionais.
“É claro que desejamos que nossos filhos estudem, tenham oportunidades e construam uma vida profissional satisfatória. Mas também precisamos desejar que sejam pessoas equilibradas, responsáveis, capazes de lidar com frustrações e, principalmente, felizes. Uma nota pode abrir portas, mas não resume o valor de um ser humano”, conclui Bonomi.
*Sobre o livro*
Em Como Criei Filhos Fortes e Felizes, Albino Bonomi compartilha sua experiência pessoal na educação de uma filha e de um filho, acompanhando suas trajetórias desde o nascimento até a universidade.
Mais do que apresentar regras ou fórmulas prontas, a obra propõe reflexões sobre o papel dos pais, a formação emocional, a autonomia e a importância de preparar os filhos para enfrentar os desafios da vida com responsabilidade e confiança.
O livro está disponível para compra no Clube de Autores:
https://clubedeautores.com.br/de/buch/como-criei-filhos-fortes-e-felizes



