O que falta para a Educação proporcionar algo melhor para os estudantes?

Fonte: https://www.estudiosite.com.br/site/educacao-a-distancia/aprendizagem-hibrida-futuro-da-educacao
A educação atual, seja nacional, internacional, regional ou local, está em constante transformação, porque é impulsionada por novas tecnologias (celulares, smartphones, netbooks, notebooks, microcomputadores, tablets), várias demandas sociais e a busca por um ensino mais eficaz e inclusivo.
Observe alguns dos pontos mais relevantes que moldam a educação hoje:
1. Educação Inclusiva: Um Direito, Um Desafio
A educação inclusiva busca garantir que todos, independentemente de suas condições, tenham acesso igualitário ao ambiente escolar. Apesar dos avanços, o Brasil ainda tem um longo caminho: apenas 43% das escolas possuem estrutura adequada para alunos com deficiência. A inclusão vai além de simplesmente inserir alunos; exige a adaptação das práticas pedagógicas e a capacitação de professores. Países como a Finlândia mostram que a colaboração entre alunos, com e sem necessidades especiais, eleva a qualidade do ensino para todos. Questão de ajustar, adaptar e buscar integração para real inclusão.
2. Alfabetização Digital: Essencial para o Futuro
Em um mundo cada vez mais conectado, a alfabetização digital vai além de saber usar a tecnologia. Ela engloba o pensamento crítico, a navegação segura e a produção de conteúdo responsável. No Brasil, a desigualdade de acesso à internet de qualidade ainda é um entrave, especialmente em áreas rurais. No entanto, estudos comprovam: alunos com acesso digital frequente têm desempenho superior em leitura. É urgente investir em políticas públicas que ampliem o acesso e capacitem os professores. Já, percebeu-se de que no futuro, além da alfabetização convencional e alfabetização funcional, a alfabetização digital é e será imprescindível para todas as pessoas estarem familiarizadas com as ferramentas tecnológicas e recursos digitais.
3. Inteligência Artificial na Sala de Aula: Aliada ou Substituta?
A Inteligência Artificial (IA) tem revolucionado a educação, porque possibilita a personalização d aprendizado e automatiza tarefas. Países como a Estônia já colhem frutos, com melhorias nas notas de ciências e matemática. Contudo, a IA é uma ferramenta complementar, ela não substitui o ser humano e não pode ser muleta ou instrumento de dependência de tarefas e rotinas a serem realizadas por seres humanos. A presença do professor é insubstituível para guiar o uso crítico das informações e desenvolver habilidades socioemocionais, que são essenciais para a formação integral do estudante.
4. Saúde Mental na Escola: Uma Urgência
A saúde mental de alunos e professores é uma preocupação crescente, que se agravo por causa da pandemia. Pesquisas alarmantes mostram que a maioria dos professores sofre de burnout (esgotamento profissional por causa do estresse) e depressão, e muitos alunos apresentam sintomas de ansiedade. Iniciativas com atividades socioemocionais, como rodas de conversa e oficinas de meditação, mostram resultados positivos, e podem reduzir a evasão escolar e melhorar a convivência. A presença de psicólogos e assistentes sociais nas escolas é fundamental para identificar e apoiar precocemente.
5. Metodologias Ativas: Aluno no Centro do Aprendizado
As metodologias ativas rompem com o ensino tradicional e colocam o estudante como protagonista. Práticas como a aprendizagem baseada em projetos e a sala de aula invertida promovem engajamento e desenvolvem habilidades de resolução de problemas, criatividade e colaboração. Estudos indicam que alunos que participam dessas metodologias apresentam desempenho até 25% superior. O desafio reside na formação dos professores e na adaptação da estrutura das aulas. As metodologias ativas estão em alta, por causa das ideias de Doug Lemov, mas não podem ser reducionistas para prática de aprendizagem. É uma proposta que deve ser aliada para uma educação reflexiva, integral, democrática e transformadora.
6. Formação Continuada de Professores: Chave para a Inovação
A formação continuada é algo vital para que os educadores lidem com os desafios do ambiente escolar moderno. Infelizmente, apenas 35% dos professores brasileiros participam regularmente desses programas, um contraste com países como o Japão, que investem significativamente na capacitação docente. É crucial que as políticas públicas incentivem e financiem cursos e workshops, e foquem não apenas em aspectos técnicos, mas também no desenvolvimento de competências socioemocionais.
7. Educação Socioemocional: Preparar para a Vida
A educação socioemocional busca desenvolver competências como empatia, resiliência e autogestão. Programas que incluem dinâmicas de grupo e debates sobre autocuidado têm reduzido a evasão escolar e melhorado o clima nas escolas. Essa abordagem não só contribui para um ambiente escolar mais harmonioso, mas também prepara os alunos para o mercado de trabalho e para a vida adulta, pois amplia suas capacidades de comunicação e resolução de problemas.
8. Ensino Híbrido e Remoto
A pandemia impôs o ensino remoto e destacou a importância do ensino híbrido. Embora essenciais, esses modelos evidenciaram a disparidade no acesso à educação no Brasil, com muitos alunos da rede pública prejudicados pela falta de estrutura e conexão. Iniciativas de inclusão digital, como a doação de tablets e plataformas de ensino gratuitas, são cruciais para promover maior equidade. É preciso se adaptar a este novo desafio e saber utilizar com o devido discernimento.
9. Gamificação no Ensino: Aprender Brincando
A gamificação, que usa elementos de jogos no aprendizado, aumenta a motivação, o engajamento e a retenção de conteúdo. Plataformas como Kahoot e Duolingo são exemplos de como o entretenimento pode ser combinado com o aprendizado de forma dinâmica. Além de melhorar o desempenho acadêmico, a gamificação desenvolve habilidades cognitivas e socioemocionais, como persistência e resolução de problemas.
10. Avaliação Baseada em Competências: Um Olhar para o Futuro
Avaliar competências, e não apenas conteúdos, é uma tendência global que busca um aprendizado mais contextualizado e significativo. O Novo Ensino Médio, por exemplo, propõe avaliações mais alinhadas à realidade dos alunos, com projetos integrados e atividades práticas. Esse modelo visa uma formação mais completa, mas exige uma mudança de cultura escolar e investimento na formação docente para proporcionar conteúdo, competências e habilidades a serem desenvolvidos pelos alunos.
11. Sustentabilidade e Educação Ambiental: Cidadãos Conscientes
A sustentabilidade e educação ambiental são essenciais para formar cidadãos responsáveis. E isso vai além da teoria, com ações práticas como hortas escolares e coleta seletiva. A BNCC (Base Nacional Curricular Comum) já inclui esses temas, e prepara as futuras gerações para os desafios globais, como as mudanças climáticas. É necessário de que as escolas sempre abordem os 17 objetivos da ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU para essa devida conscientização e prática cidadã educativa e global.
12. Diversidade e Equidade: Um Espaço para Todos
A busca por diversidade e equidade no ambiente escolar visa garantir que todos os alunos tenham as mesmas oportunidades, independentemente de raça, origem socioeconômica ou condição física. Projetos de conscientização sobre diversidade e respeito contribuem para um ambiente mais acolhedor, reduz o preconceito e promovendo a empatia. Deve-se combater o bullying e o cyberbullying, promover rodas de conversa para consensos e momentos de socialização entre estudantes, professores e demais envolvidos na educação.
13. Educação 4.0: Preparar-se para a Era Digital
A Educação 4.0 integra tecnologias avançadas como IA e realidade aumentada para um ensino mais dinâmico e personalizado. Ela favorece a interdisciplinaridade e desenvolve habilidades como criatividade e pensamento crítico. No Brasil, embora ainda pontuais, iniciativas com laboratórios de inovação e ambientes virtuais mostram grande potencial.
14. Personalização do Aprendizado: Cada Aluno, Seu Ritmo
A personalização do aprendizado adapta o conteúdo às necessidades e ao ritmo de cada aluno, e torna o processo mais eficiente e significativo. Com plataformas digitais e avaliações diagnósticas, os professores podem identificar pontos fortes e lacunas, assim resultar em maior engajamento e autoconfiança dos estudantes.
15. Desafios no Ensino de Habilidades STEM: O Futuro Profissional
O ensino das habilidades STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) é crucial para o mercado de trabalho do futuro. No Brasil, faltam infraestrutura e formação docente nessa área. Programas de incentivo, como feiras de ciências, são importantes para despertar o interesse dos alunos em disciplinas científicas. O país está muito aquém do que precisa nessas áreas. Precisa-se de políticas públicas urgentes o desenvolvimento e promoção dessas habilidades.
16. Políticas Públicas Educacionais: Base da Transformação
As políticas públicas educacionais são fundamentais para promover equidade, qualidade e acesso à educação. Programas como o FUNDEB (Fundo Nacional do Desenvolvimento Educacional Básico) têm contribuído, mas o país ainda enfrenta disparidades regionais. A gestão eficiente dos recursos e a avaliação constante das políticas são essenciais para o sucesso, com um diálogo contínuo entre governo, educadores e sociedade.
17. Uso de Tecnologia Assistiva: Inclusão Concreta
A tecnologia assistiva oferece recursos e ferramentas para alunos com necessidades especiais, promove autonomia e inclusão. Leitores de tela e softwares de tradução em Libras, por exemplo, aumentam a participação desses estudantes em atividades pedagógicas. O desafio é ampliar o acesso a essas tecnologias e oferecer formação adequada aos professores.
18. Projetos Interdisciplinares: Conectar Saberes
Os projetos interdisciplinares integram diferentes áreas do conhecimento, o que faz o aprendizado mais contextualizado e significativo. Alunos desenvolvem pensamento crítico e trabalho em equipe, fazendo conexões entre disciplinas e compreendendo melhor como o conhecimento se aplica ao mundo real.
19. Gestão de Conflitos Escolares: Paz no Ambiente de Aprendizado
A gestão de conflitos escolares é essencial para um ambiente seguro e acolhedor. Iniciativas como mediação de conflitos e práticas restaurativas, que promovem conversas e responsabilidade, reduzem episódios de violência e aumentam a sensação de segurança. A capacitação de professores em inteligência emocional também é fundamental. Deve-se sempre promover a “Cultura de Paz” nas escolas, bem como investir em mediação educacional e relacional.
20. Novas Diretrizes Curriculares: Um Currículo para o Século XXI
As novas diretrizes curriculares, como a BNCC, buscam modernizar o ensino, com foco em competências como pensamento crítico e criatividade. A flexibilização do currículo permite adaptações regionais e a inclusão de temas como educação financeira e cultura digital. Esses avanços, porém, dependem de capacitação docente e monitoramento contínuo.

Apesar dos pontos apresentados, é preciso analisar, criticamente, que a educação é muito falada pelos políticos, pela imprensa e por diversos setores da sociedade civil, mas se esquecem de pesquisar e analisar a partir da ótica dos profissionais que trabalham diretamente com os estudantes: os professores e os gestores educacionais. Não são políticos, funcionários públicos formados fora da área educacional e economistas que saberão perceber, diagnosticar e nortear o que deve ser feito em salas de aula e nos ambientes escolares.
Depois, verificar se realmente é crível que vão investir mais do que suficiente na educação, como pelo menos previsto em legislação (25% do orçamento dos municípios e estados e 18% do orçamento da União), bem como alocar os recursos de modo inteligente e eficaz. E nessa questão, valorizar corretamente os professores com salário, no mínimo, o piso salarial nacional da educação pública (que ainda é baixo, comparado com países desenvolvidos) e condições de trabalho com formação continuada, com devidos recursos materiais, tecnológicos e pedagógicos nas escolas, além do apoio da gestão escolar e da comunidade escolar.
E em relação ao indicadores educacionais, eles por si só, não são garantia de aferição de qualidade na educação. É preciso compreender que qualidade na educação é aprendizagem significativa para o estudante, do que ele aprende, o que faz sentido para sua vida, com devidos valores, princípios e bases fundamentais, com devido respeito, ética e incentivo ao engajamento e resolução de problemas, a fim de prepará-los para o mundo do trabalho, para a cidadania e para a vida. Pois,
“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” (Paulo Freire)
Lúcio Rangel Ortiz é professor licenciado em Filosofia (UFSJ), Pedagogia (UNIUBE), Sociologia (Uni-FAVENI) e Matemática (UNAR). Possui mestrado em planejamento e análise de políticas públicas pela UNESP, MBA em gestão de projetos pela USP e pós-graduação de Ensino de Sociologia pela UFSJ. Já, escreveu quatro livros (Publicações Científicas, Guerreiro Dourado, Poetizar Sempre e Protagonismo do Exercício da Cidadania), artigos acadêmicos e de Internet, e colabora nos portais “Recanto das Letras” e “Fato no Ato” – com a coluna “Intelecto Saber”.


