Um novo estudo publicado na Neurology conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) traz à tona uma importante reflexão sobre o consumo de adoçantes artificiais. Durante oito anos, pesquisadores acompanharam mais de 12.000 adultos brasileiros com idade média de 52 anos, parte do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA Brasil) para investigar os impactos cognitivos dessas substâncias.
O estudo indicou que os participantes com maior ingestão de adoçantes , cerca de 191 mg por dia, equivalente a uma lata de refrigerante diet , apresentaram:
- 62% mais declínio cognitivo global,
- 173% mais perda de fluência verbal,
- 32% maior queda na memória, em comparação aos que consumiam menos (em média 20 mg/dia)
Esse resultado é equivalente a um envelhecimento cerebral de aproximadamente 1,6 anos mais rápido.
Quais adoçantes foram analisados?
O estudo investigou os adoçantes:
- Aspartame
- Sacarina
- Acessulfame-K
- Eritritol
- Xilitol
- Sorbitol
- E tagatose
Vale lembrar que a sucralose, bastante consumida, não foi incluída nesta análise.
Mecanismos possíveis
Os pesquisadores apontam algumas hipóteses para explicar essa associação:
- Formação de metabólitos neurotóxicos que provocam neuroinflamação e danos ao sistema nervoso central;
- Alterações na microbiota intestinal, capazes de afetar o metabolismo da glicose e comprometer a barreira hematoencefálica, a avançada linha de defesa do cérebro.
Entretanto, como se trata de um estudo observacional, é importante destacar que não estabelece causalidade direta, apenas uma associação estatística.
Além disso, o consumo de adoçantes muitas vezes acompanha dietas com alta presença de ultraprocessados, conhecidos por seus efeitos prejudiciais à saúde cerebral em diversas outras pesquisas.
Limitações do estudo
- Base de dados reduzida ao longo dos anos;
- Consumo de adoçantes baseado em autodeclaração alimentar, sujeito a imprecisões;
- Ausência da sucralose na análise, apesar de ser bastante usada;
- E, novamente, a natureza observacional que impede conclusões definitivas de causalidade.
A professora Claudia Kimie Suemoto, da USP, coordenadora do estudo, ressalta que embora ainda seja uma evidência inicial, o achado precisa ser levado em consideração ,especialmente por quem consome adoçantes de forma habitual.
Dicas práticas para o leitor
- Modere o uso de adoçantes artificiais;
- Prefira alternativas naturais, sempre com moderação;
- Invista em uma dieta menos ultraprocessada, rica em alimentos frescos e integrais;
- Estimule o cérebro com desafios cognitivos, atividade física e sono adequado, pilares essenciais para uma vida saudável.
Este estudo amplia o debate sobre os riscos ocultos dos adoçantes artificiais, destacando a necessidade de escolhas alimentares cada vez mais conscientes. Como colunista da Viva Saudável, reforço a importância do equilíbrio e da crítica informada.



