O Brasil deu um passo estratégico para fortalecer as exportações de cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumaria na América Latina. O país concluiu, em Montevidéu (Uruguai), a negociação de um Acordo de Alcance Parcial com países da Aladi (Associação Latino-Americana de Integração), que elimina barreiras técnicas e simplifica regras para o comércio desses produtos na região.
O acordo amplia a competitividade brasileira em um mercado que movimenta mais de US$ 55 bilhões, reduzindo custos, encurtando prazos e aumentando a previsibilidade para as empresas do setor. A iniciativa também contribui para elevar os padrões de segurança e qualidade dos produtos oferecidos aos consumidores latino-americanos.
As negociações foram conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e pela Anvisa, com apoio do setor privado. Até o momento, 10 dos 13 países-membros da Aladi já aderiram ao acordo, ampliando a integração regional e facilitando o fluxo comercial.
Os números confirmam a relevância do setor. Em 2024, as exportações brasileiras de cosméticos para países da Aladi somaram US$ 677,9 milhões, sendo US$ 533,3 milhões destinados aos países que já aderiram ao acordo. Em 2025, entre janeiro e outubro, as vendas externas já alcançaram US$ 556,6 milhões, indicando manutenção do crescimento.
Para especialistas, a chamada “facilitação de comércio” é decisiva para o avanço da indústria brasileira de cosméticos, formada majoritariamente por pequenas e médias empresas.
– “A redução da burocracia é fundamental para que essas empresas consigam acessar mercados externos de forma sustentável. Muitas têm produtos de excelente qualidade, mas acabam limitadas por exigências técnicas diferentes em cada país”, afirma Cristiane Fais, CEO da Accrom Consultoria em Logística Internacional.
Segundo ela, o impacto é especialmente relevante no interior de São Paulo, onde há forte concentração de empresas do setor.
– “Regiões como Limeira, Leme, Ribeirão Preto e toda a sua micro e macrorregião vêm se consolidando como polos importantes de cosméticos e cuidados pessoais. São empresas inovadoras, com alto valor agregado, que agora ganham mais competitividade no mercado internacional”, destaca.
Outro município citado é Franca, que vem diversificando sua base industrial após a desaceleração do mercado calçadista nos últimos anos.
– “Franca é um exemplo claro dessa transformação. Muitos químicos e farmacêuticos, oriundos de curtumes e de outras indústrias químicas, migraram para segmentos como o de cosméticos. O acordo cria um ambiente mais favorável para que esse novo perfil industrial cresça e exporte”, completa Cristiane.
Os próximos passos do acordo envolvem a fase jurídico-administrativa, com conclusão prevista para janeiro de 2026. A entrada em vigor ocorrerá 15 dias após a segunda notificação oficial à Aladi, com implementação gradual pelos países signatários.
De acordo com o vice-presidente da República e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, o acordo representa um avanço ao reduzir custos, estimular a inovação e fortalecer a competitividade da indústria brasileira. Para o setor de cosméticos, a medida consolida o Brasil como um dos protagonistas regionais e cria novas oportunidades de crescimento, especialmente para empresas que antes encontravam na burocracia um obstáculo à expansão internacional.



