A Anvisa publicou no Diário Oficial da União, em 26 de novembro de 2025, a Resolução RE nº 4.740/2025, determinando o recolhimento imediato e a suspensão da fabricação, distribuição, propaganda e uso de todos os lotes do pó para preparo de bebida vegetal LiveStrong / Essential Nutrition, que utiliza proteína de fava hidrolisada PeptiStrong®.
Segundo a Agência, o ingrediente foi classificado como um “novo ingrediente”, cuja avaliação formal de segurança ainda não foi submetida. Por isso, a Anvisa fundamentou a suspensão alegando ausência de comprovação de segurança específica para o uso do PeptiStrong® em alimentos no Brasil. A medida inclui:
- Recolhimento nacional
- Suspensão da comercialização
- Suspensão da fabricação
- Proibição de uso e propaganda
Posicionamento da Essential Nutrition
A empresa declarou que a decisão da Anvisa é contraditória a atos anteriores da própria Agência, que já reconheciam a proteína de fava como apta ao consumo humano conforme a IN 28/2018. A Essential também reforçou que:
- A proteína de fava e seus hidrolisados são amplamente reconhecidos como seguros por autoridades internacionais.
- Em 2024, o PeptiStrong® foi reconhecido pela FDA (EUA) como GRAS (Generally Recognized as Safe).
- O Codex Alimentarius, referência internacional obrigatória segundo a legislação brasileira, reconhece a hidrólise enzimática de proteínas vegetais como processo seguro e amplamente aceito.
- A própria exposição de motivos das normas brasileiras já inclui proteína de fava e proteína isolada de fava como ingredientes adequados ao consumo.
A empresa afirma estar encaminhando esclarecimentos técnicos à Anvisa para resolver divergências interpretativas e sustenta que seus produtos possuem histórico consistente de segurança e conformidade internacional.
O que encontrei ao cruzar os dados da Anvisa e da Essential
Em 2020, durante o processo de revisão da Instrução Normativa 28/2018, a própria Anvisa avaliou um conjunto de proteínas vegetais amplamente utilizadas no país e propôs a inclusão de nove novas fontes proteicas consideradas de baixo risco , entre elas, a proteína de fava e a proteína isolada de fava. Essa proposta foi baseada em histórico de uso, reconhecimento internacional de segurança e no enquadramento dessas substâncias no Codex Stan 174, que estabelece padrões globais para proteínas vegetais. Contudo, essa análise referia-se às proteínas vegetais convencionais e não alcançava ingredientes específicos com processos tecnológicos próprios, como a proteína de fava hidrolisada PeptiStrong®, cuja avaliação formal de segurança ainda não foi submetida à Agência, motivando a decisão atual de suspensão.
Importante
Embora haja reconhecimento internacional sobre a segurança da proteína de fava e do PeptiStrong®, ainda não existe evidência independente e robusta capaz de confirmar alegações como maior potência anabólica ou superioridade frente a outras proteínas. Como nutricionista, sigo atenta e acompanhando de perto todas as atualizações sobre o tema. Comente aqui se você tem testado esses produtos e compartilhe este conteúdo com quem está usando.



