O pedido de recuperação judicial do Grupo Prime, grupo paranaense ligado ao agronegócio, com dívidas que somam cerca de R$ 790 milhões, evidencia as dificuldades financeiras enfrentadas por empresas do setor em meio ao encarecimento do crédito, juros elevados e deterioração das condições de mercado.
No processo protocolado na Justiça do Paraná, o Grupo Prime atribui a crise financeira a fatores como a alta da taxa Selic e do CDI, a queda dos preços das commodities agrícolas, eventos climáticos adversos, retração do crédito rural e o ciclo de baixa da pecuária. O grupo também solicitou que fazendas, equipamentos, caminhões, veículos e demais estruturas utilizadas nas operações sejam reconhecidos como bens essenciais para a continuidade das atividades.
De acordo com Paulo Barretto, advogado do escritório Dosso Toledo Advogados, com sede em Ribeirão Preto – SP, o cenário vivido pelo Grupo Prime não é isolado e tem sido percebido em diferentes segmentos do agronegócio.
“A combinação entre juros elevados, redução da oferta de crédito e oscilações de mercado tem colocado diversas empresas rurais sob forte pressão financeira. Temos acompanhado situações semelhantes entre nossos clientes, que buscam mecanismos jurídicos para reorganizar o passivo e preservar a atividade econômica”, afirma.
Segundo o especialista, a recuperação judicial – assim como a extrajudicial – deixou de ser vista apenas como uma medida extrema e passou a ser uma ferramenta importante para permitir a continuidade das operações e a renegociação organizada das dívidas.
“Quando utilizada de forma estratégica, o pedido de recuperação permite criar um ambiente de negociação mais equilibrado com os credores, preservando empregos, contratos e a própria capacidade produtiva da empresa. O objetivo é superar uma crise financeira conjuntural, sem comprometer a atividade operacional”, explica Paulo Barretto.
O advogado destaca ainda que a discussão sobre a essencialidade de bens ligados à produção rural tem ganhado importância nos processos envolvendo o agronegócio.
“Em muitos casos, máquinas, veículos, fazendas e estruturas logísticas são indispensáveis para a geração de receita. A preservação desses ativos pode ser determinante para o sucesso do processo de recuperação e para a manutenção da atividade empresarial”, observa.



