Os acordos comerciais envolvendo o Mercosul e parceiros como União Europeia, Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura estão ampliando as oportunidades para empresas brasileiras conquistarem mercados internacionais. Entretanto, a redução de tarifas e a criação de condições comerciais mais favoráveis não garantem, por si só, o crescimento das exportações.
Para Cristiane Fais, CEO da Accrom Consultoria em Logística Internacional e coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior do CIESP na região de Ribeirão Preto e Franca, o principal desafio é transformar essas oportunidades em negócios concretos.
“Um acordo comercial pode abrir as portas de um mercado, mas não significa que os compradores internacionais estarão esperando pelos produtos brasileiros. É preciso planejamento, prospecção e conhecimento das exigências de cada país. A oportunidade é criada pelos acordos, mas o negócio precisa ser conquistado pelas empresas”, explica.
Segundo a especialista, que também é a nova embaixadora do Mulheres no Comex (MoC) no interior de São Paulo, além da redução de tarifas, os exportadores precisam considerar fatores como formação de preços, câmbio, logística, certificações e regras de origem, que determinam se uma mercadoria pode usufruir dos benefícios previstos nos acordos.
“Uma empresa pode ter acesso a tarifas reduzidas e, ainda assim, não conseguir vender. Se o preço não for competitivo, se o frete for elevado ou se o produto não atender às exigências do comprador, a vantagem comercial pode desaparecer”, alerta.
Cristiane destaca que os novos acordos também representam oportunidades para pequenas e médias empresas, desde que estejam preparadas para atuar internacionalmente.
“Exportar não é uma atividade exclusiva das grandes empresas. Pequenos negócios também podem conquistar mercados, mas precisam conhecer seus custos, identificar compradores e estruturar suas operações. Não basta ter um bom produto, é necessário saber como vendê-lo internacionalmente”, afirma.
A logística é outro fator decisivo. Atrasos nos embarques, custos de transporte e problemas documentais podem comprometer a rentabilidade e a confiança dos clientes estrangeiros, mesmo diante de condições tarifárias favoráveis.
Para a CEO da Accrom, o avanço dos acordos comerciais deve servir de estímulo para que as empresas brasileiras comecem a se preparar desde já.
“O Brasil tem capacidade produtiva e produtos competitivos. Mas precisamos transformar essas vantagens em negócios. Os acordos comerciais representam conquistas importantes, porém o verdadeiro resultado será medido pela capacidade das nossas empresas de aproveitar essas oportunidades, gerar empregos e ampliar sua presença no mercado internacional”, conclui Cristiane Fais.



