
(Fonte: Economia brasileira deve crescer 1,7% em 2024, prevê CNI – E-Commerce Brasil)
A economia brasileira atravessa um momento de inflexão. Depois de anos marcados por instabilidade, inflação oscilante, juros altos e tensão no mercado de trabalho, os últimos meses têm apresentado sinais mais robustos de recuperação. A inflação mantém-se baixa (3,73% a.a.), o dólar recuou (U$ 1,00 = R$ 5,44) e o emprego com carteira assinada voltou a crescer de forma consistente (Desemprego em 5,6% – um dos índices mais baixos dos últimos 15 anos) e movimentou setores antes estagnados no mercado, como Agronegócio, Indústria de Energia Elétrica, Serviços de Saúde e Bem-Estar, E-commerce, Educação On Line, Indústria Automobilística, Varejo e Atacado de Alimentos, Eletrodomésticos, Construção Civil, Setor Imobiliário, entre outros. E o PIB está projetado para crescimento (superávit) de 2,3% para 2025, surpreendendo especialistas da área econômica com suas projeções não otimistas, o 5º melhor PIB do mundo. Acrescenta-se que a renda média do brasileiro aumentou de R$ 3094,00 (2023) para R$ 3208,00 (2024), segundo IBGE e com projeção para R$ 3484,00. Contudo, o Brasil está com juros de 15% da taxa SELIC ao ano.
O consumidor sente os efeitos: alimentos mais baratos nas prateleiras dos supermercados, produtos com preços reduzidos em diversas áreas — dos eletrodomésticos ao vestuário — e um mercado automotivo em franca expansão, com aumento nas vendas e fora maior oferta de crédito. O preço dos combustíveis abaixaram e se estabilizaram, apesar das oscilações do preço internacional do barril de petróleo que afeta todos os demais itens (gasolina, etanol, gás, plásticos e demais derivados).
No eixo estrutural, a Reforma Tributária aparece como motor de estímulo econômico. A simplificação dos tributos sobre consumo e a reorganização do sistema prometem mais transparência e competitividade. Aos poucos está se implementando o novo sistema tributário brasileiro. Soma-se a isso a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até cinco mil reais, medida que amplia o poder de compra das famílias, e a taxação de IR sobre os “super-ricos’ — aqueles que recebem mais de 600 mil reais por ano; e cobrança escalonada progressiva mais distributiva para quem ganha entre 5 a 60 mil — o que sinaliza um esforço de justiça fiscal e redistribuição de renda.
No cenário internacional, o Brasil protagonizou um capítulo diplomático relevante. O governo Lula venceu a disputa contra as tarifas estadunidenses consideradas injustas pela diplomacia brasileira. Em diálogo direto com Washington, demonstrou-se que, ao contrário da narrativa tarifária adotada inicialmente pelos EUA, era o próprio mercado norte-americano que registrava superávit comercial em relação ao Brasil — e que a política de cobrança abusiva estava resultando em escassez de alimentos e utensílios para o consumidor estadunidense. Com articulação e acordo multilateral, as tarifas caíram, restabelecendo fluxos comerciais e garantindo previsibilidade para produtores e exportadores brasileiros.
O governo também reforçou sua agenda laboral: Lula abraçou a demanda popular pela revisão da escala 6×1 e propôs a adoção mais ampla da escala 5×2, apresentada como forma de garantir mais dignidade e descanso ao trabalhador sem comprometer a produtividade econômica. E há aqueles que já defendem escala 4 x 3, para seguir alguns países que já assim adotaram como: Islândia, Reino Unido, Bélgica, Japão, Nova Zelândia, Alemanha, África do Sul, Espanha e Emirados Árabes.
Apesar de todos esses sinais positivos — e da expectativa de alta do PIB — o Brasil sofreu uma inflexão simbólica no ranking das maiores economias do planeta, e deixou o grupo das dez maiores primeiras economias e assumiu a 11ª posição. Enquanto isso, a Rússia, mesmo sob sanções europeias e pressão diplomática dos Estados Unidos, avançou para o 9º lugar, impulsionada por fortes relações comerciais com China, Índia, Turquia, Cazaquistão, Irã, Bielorrússia e o Brasil, entre outros, que mantêm interlocução ativa com Moscou. O Canadá, por sua vez, ocupa a 10ª posição.
Essa combinação de avanços internos e desafios no cenário global evidencia uma economia que o Brasil se encontra em reestruturação. Há conquistas importantes, há melhorias perceptíveis no dia a dia da população e há, também, contradições inevitáveis de um país que busca estabilidade em um mundo cada vez mais complexo.
O Brasil, mais uma vez, precisa equilibrar crescimento, inclusão, competitividade internacional e coerência fiscal — e o caminho, embora promissor, pede vigilância, diálogo e sempre planejamento contínuo.

(Fonte: Economia no Brasil: atual e história – Toda Matéria)
Lúcio Rangel Ortiz, advogado, professor mestre em planejamento e análise de políticas públicas e pesquisador (UNESP), MBA em gestão de projetos e parecerista da Revista Digital de Direito Administrativo (USP), pós-graduado em gestão púbica (UFSCar), graduado em administração pública (UFSJ) e processamento de dados (FATEC). É escritor e colunista do Portal Fato no Ato – Intelecto Saber.


