O Sesc Franca, maior unidade do interior paulista e referência nacional em sustentabilidade ecológica, recebe o espetáculo “Ficções”, estrelado por uma das maiores atrizes do Brasil, Vera Holtz, ao lado do músico e instrumentista Federico Puppi. A passagem da montagem pela cidade integra uma circulação que vem provocando profundas reflexões sobre o ser humano, suas crenças e as narrativas que estruturam a sociedade.
O Portal FNT entrevistou os artistas, em conversa conduzida por Cairo Still, jornalista e presidente do Grupo fato No Ato, abordando tanto o conceito da obra quanto os processos criativos e as inquietações levantadas em cena. A entrevista completa também está disponível em vídeo no YouTube, no canal Cairo Still Oficial, e nas redes sociais @cairostilll
Uma peça sobre as histórias que inventamos para existir
Em Ficções, Vera Holtz conduz o público por uma reflexão sobre as histórias que a humanidade cria para dar sentido à vida. Segundo a atriz, o espetáculo nasce de uma investigação profunda sobre os sistemas de crença e a capacidade humana de criar e acreditar coletivamente em narrativas que organizam o mundo.
“Estamos há quatro anos falando sobre sistemas de crenças, sobre ficções, sobre humanidade, sobre essa capacidade que o ser humano tem de criar e crer coletivamente. Todo dia estamos falando sobre isso, e não tem como esse processo não atravessar a gente”, afirmou Vera.

A atriz revela que, ao longo das apresentações, muitas certezas pessoais também são colocadas em xeque. O contato com o público, segundo ela, amplia ainda mais o sentido da obra. “Às vezes, alguém fala algo depois do espetáculo e você pensa: ‘Meu Deus, é sobre tudo isso que estamos falando’. A peça se expande, fala sobre idade, sobre o Homo sapiens, sobre o que somos enquanto espécie.”
As ficções que nos governam
Provocada a refletir sobre quais seriam hoje as ficções coletivas que mais aprisionam a sociedade, Vera destaca que o espetáculo não oferece respostas prontas, mas levanta dúvidas. Entre elas, a ideia de igualdade formal em um mundo historicamente estruturado pela desigualdade.
“A peça levanta a questão de quem inventou a divisão da sociedade, desde a antiguidade, entre nobres, pessoas comuns e escravizados. Levanta também a ideia de que somos todos iguais e temos os mesmos direitos. São questões colocadas em cena, mas não há respostas fechadas. A gente só levanta dúvidas”, explica.
Para a atriz, o maior presente que o teatro pode oferecer é o exercício da reflexão. “A coisa mais deliciosa do mundo é refletir. O distanciamento crítico é difícil de alcançar, mas é libertador.”
Palavra, corpo e música em diálogo
Elemento fundamental de Ficções, a música não funciona como mero acompanhamento, mas como linguagem dramatúrgica. Em cena durante todo o espetáculo, Federico Puppi constrói, ao lado de Vera, uma verdadeira dança entre som, palavra e corpo.
Federico Puppi é músico, compositor e instrumentista, reconhecido por sua atuação sensível e autoral na cena contemporânea. De origem italiana e radicado no Brasil, Puppi construiu uma trajetória marcada pelo diálogo entre a música e outras linguagens artísticas, especialmente o teatro e a dança.

Seu trabalho se destaca pela pesquisa sonora que ultrapassa a função tradicional da trilha musical, transformando a música em elemento dramatúrgico. Em Ficções, Puppi está em cena durante todo o espetáculo, atuando como um verdadeiro parceiro cênico de Vera Holtz, criando ao vivo paisagens sonoras que dialogam com a palavra, o corpo e o tempo.
Com colaborações em diversos projetos artísticos no Brasil e no exterior, Federico Puppi é reconhecido por sua capacidade de escuta, improvisação e composição em tempo real, características que fazem de sua música uma extensão do pensamento cênico do espetáculo.
“O espetáculo é uma dança constante entre música e palavra. A cena foi criada junto com a música, não houve blocos prontos. O texto ficou em processo durante todo o ensaio”, explica o músico.
Segundo Puppi, o processo de criação foi intenso e curto: cerca de 40 dias, nos quais as linguagens foram se costurando até chegar ao resultado final. “A palavra falada e a música são linguagens próprias do Homo sapiens. O espetáculo nasce desse diálogo.”
A grandiosidade de Vera Holtz dentro e fora do palco
Ao falar sobre a parceria com Vera Holtz, Federico Puppi faz questão de destacar não apenas a artista consagrada, mas a pessoa por trás da cena. “Trabalhar com a Vera é muito bom, mas o melhor lado dela é o que vocês nem conhecem. Não é o lado do palco, é o lado do backstage.”
Com uma carreira que atravessa décadas no teatro, na televisão e no cinema, Vera Holtz é reconhecida por personagens icônicos, pela entrega absoluta à arte e por um rigor artístico que a mantém como referência incontornável da dramaturgia brasileira. Em Ficções, essa trajetória se traduz em presença cênica potente, precisão intelectual e profunda conexão com o público.

Cultura, reflexão e acesso no Sesc Franca
A apresentação de Ficções no Sesc Franca reafirma o papel da unidade como polo cultural da região, promovendo o acesso a obras que estimulam pensamento crítico, sensibilidade artística e diálogo com o contemporâneo. A vinda de um espetáculo desse porte reforça a importância de políticas culturais que democratizam a arte e ampliam o repertório do público do interior paulista.
A cobertura completa, com entrevista em vídeo, está disponível no Portal FNT, no canal Cairo Still Oficial no YouTube e nas redes sociais @cairostilll, fortalecendo o compromisso do portal com a valorização da cultura, do teatro e dos grandes nomes da arte brasileira.
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