O deputado Glauber Braga (Psol-RJ) foi retirado à força e agredido por policiais legislativos. Em coletiva, o congressista disse que ocupou a mesa para mostrar que não deveria se render em um “golpe político” contra ele.
“A minha presença na mesa diretora foi para mostrar que a gente não pode se render. Amanhã tem a votação da cassação. Eles podem até cassar o mandato, mas eles podem ter certeza que até o último minuto eu vou lutar não por mim e nem pelo mandato, mas para que eles não firam as liberdades democráticas. Nesse mesmo pacote, eles querem votar uma anistia como dosimetria, querem manter os direitos de um deputado [Eduardo Bolsonaro] que está fora do país”, afirmou.
Glauber comparou o caso com o de outros congressistas que ocuparam a mesa diretora. Em agosto, parlamentares da extrema direita ocuparam a mesa em protesto à prisão preventiva de Jair Bolsonaro e em solidariedade ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos articulando sanções contra autoridades e a economia brasileira. Na ocasião, os deputados ficaram dois dias na mesa diretora.
“Eu gostaria que o Motta tivesse dado 1% do tratamento que tiveram os deputados que sequestraram a mesa da Câmara por 48 horas que estavam aliados a um deputado que está fora do país. Naquele momento não faltou negociação. O que acontece agora é uma cassação golpista. Para quem não entra no jogo deles é porrada”, disse.
Glauber também manifestou insatisfação pela equiparação entre a votação de sua cassação e a cassação de deputados como Carla Zambelli e Alexandre Ramagem. Ele afirmou que a comparação não tem cabimento, porque os outros congressistas articularam um golpe contra o país.
Logo depois da declaração, Glauber foi acompanhado para fazer exame de corpo de delito dentro da Câmara. Ele afirmou que está bem, mas que machucou o braço.
A votação para a cassação de Glauber Braga, Carla Zambelli e Alexandre Ramagem está prevista para acontecer nesta quarta-feira (10). Zambelli está presa na Itália, enquanto corre o processo de extradição. Ramagem, acusado de envolvimento na trama golpista, está foragido nos Estados Unidos.
Nas redes sociais, Hugo Motta tentou justificar a medida e disse que Braga “desrespeitou” a Câmara dos Deputados. Ele também afirmou que vai apurar “excessos” cometidos contra a imprensa.
“Quando o deputado Glauber Braga ocupa a cadeira da Presidência da Câmara para impedir o andamento dos trabalhos, ele não desrespeita o presidente em exercício. Ele desrespeita a própria Câmara dos Deputados e o Poder Legislativo. Inclusive de forma reincidente, pois já havia ocupado uma comissão em greve de fome por mais de uma semana”, afirmou o presidente da Câmara.
Ele não mencionou a suspensão da transmissão da TV Câmara.
A sessão foi retomada depois da violência promovida pelos policiais a mando da presidência da Câmara. Deputados progressistas pediram a suspensão da sessão. Motta abriu a sessão depois das 19h para votar o PL da Dosimetria, que busca reduzir as penas para os golpistas de 8 de Janeiro.
Na retomada, a líder do Psol na Câmara, Talíria Petrone, disse que o presidente da Câmara escolheu um lado e afirmou que ele foi “humilhado” pelos deputados que ocuparam a mesa em outubro.
“O senhor foi humilhado pelos deputados golpistas. Eles não deixaram o senhor sentar na cadeira. E o senhor dialogou. Agora, o senhor agrediu deputados, expulsou jornalistas e escolheu a agenda da anistia. O senhor é hoje um dos políticos com maior rejeição popular”, afirmou.
Agressão a jornalistas e deputados
A secretaria da mesa determinou a entrada de de policiais legislativos para retirar o congressista da mesa e para expulsar servidores e jornalistas do plenário. Além de Braga, os policiais agrediram as deputadas Célia Xakriabá (Psol) e Sâmia Bonfim (Psol), que tentavam defender o deputado.
A saída de Glauber do plenário foi violenta. O deputado se debatia resistindo enquanto era arrastado pelo salão verde da Câmara. Dezenas de jornalistas registravam a cena e também foram agredidos pela Polícia Legislativa.
Muitos jornalistas foram empurrados e se queixaram de ter levado chutes e golpes dos próprios agentes de segurança.
Mesmo tratamento?
Em agosto, 14 deputados da extrema direita ocuparam a mesa diretora da Câmara por dois dias. Eles manifestaram contra a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Na ocasião, Motta foi impedido de retornar à mesa, mas não reagiu.
Ele discutiu a possibilidade de suspender de maneira cautelar os congressistas, mas os integrantes da mesa diretora não apoiaram essa medida. Ele então enviou representações disciplinares ao deputado Diego Coronel (PSD-BA), que é corregedor parlamentar. Ele precisa divulgar o parecer para punir os envolvidos.
Os 14 deputados apresentaram a defesa contra as acusações.
Lorenzo Santiago/portal Brasil de Fato



