Um levantamento recente mostra que 4 a cada 10 empresas acabam indo à falência mesmo após passarem pelo processo de recuperação judicial, evidenciando um cenário preocupante para o setor produtivo brasileiro. Embora o mecanismo tenha sido criado para garantir fôlego financeiro e permitir a superação de crises, muitos negócios não conseguem se reestruturar de forma sustentável ao longo do processo.
De acordo com especialistas, as principais causas estão relacionadas à falta de planejamento estratégico, baixa profissionalização da gestão, falhas na execução do plano de recuperação e ausência de assessoria jurídica especializada. Em muitos casos, as empresas chegam à recuperação já em situação crítica, sem capacidade de reorganizar suas operações no curto prazo.
Para o advogado Ricardo Dosso, sócio do escritório Dosso Toledo Advogados, o problema está na maneira como muitos empresários enxergam o instituto.
– “A recuperação judicial não é uma solução mágica. Ela precisa ser acompanhada de uma readequação profunda da empresa, com decisões duras, ajustes operacionais e muita transparência. Quando isso não acontece, a falência se torna quase inevitável”, afirma.
A sócia Ana Franco Toledo reforça que o papel da assessoria jurídica é decisivo para o sucesso do processo.
– “Ter advogados experientes na retaguarda é fundamental. A recuperação envolve negociações complexas, prazos rígidos e exigências legais que, se mal conduzidos, comprometem toda a reestruturação. Quando há um trabalho técnico consistente, as chances de sobrevivência da empresa aumentam significativamente”, explica.
Os especialistas alertam que a recuperação judicial deve ser vista como uma oportunidade de reorganização, não apenas de “alívio” temporário das dívidas. A consolidação de um plano eficaz depende da integração entre áreas jurídica, financeira e administrativa, sempre com acompanhamento contínuo.
– “Nosso papel é garantir que a empresa tenha suporte real para se reerguer. A recuperação judicial pode ser um divisor de águas — para o sucesso ou para a falência. A diferença está na qualidade da condução do processo”, conclui Dosso.
O cenário aponta para a necessidade de profissionalização, planejamento e suporte técnico qualificado, fatores que podem determinar se a recuperação judicial será um caminho de retomada ou apenas o prelúdio da falência.



