O comércio exterior brasileiro vive um momento de expectativas positivas com dois movimentos internacionais relevantes ocorrendo em paralelo. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que reduz parte das tarifas extras impostas ao Brasil — o chamado “tarifaço”. Já na Europa, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia caminha para ser formalizado em dezembro, prometendo reconfigurar relações econômicas e ampliar mercados para produtos brasileiros.
No lado americano, cerca de 700 itens voltam a ser taxados apenas pela tarifa base de 10%, revertendo a sobretaxa de 40% aplicada anteriormente. Entre os principais beneficiados estão café, carne bovina, banana, manga, cacau, açaí e outras frutas tropicais. Ainda assim, aproximadamente 22% das exportações seguem com a tarifa elevada, afetando setores como calçados — especialmente relevante para a região de Franca-SP — além de máquinas, vinhos e componentes industriais.
A avaliação geral, porém, é de alívio e retomada de competitividade. Para Cristiane Fais, CEO da Accrom Consultoria em Logística Internacional, a decisão tem impacto imediato nas cadeias logísticas brasileiras:
– “A retirada da sobretaxa de 40% devolve previsibilidade para os exportadores, que estavam com margens comprimidas e até represando embarques. Agora, há espaço para reativar contratos e aumentar volumes com os EUA”, afirma Fais.
Ela destaca também que a medida incentiva importadores brasileiros:
– “Com menos barreiras tarifárias, os fluxos de insumos agrícolas e produtos intermediários tendem a crescer, estimulando novas rotas e hubs logísticos regionais.”
Integração com a União Europeia reforça cenário otimista
Enquanto isso, o acordo Mercosul–União Europeia — previsto para ser assinado em dezembro — deve eliminar tarifas progressivamente e ampliar acesso a um mercado de mais de 440 milhões de consumidores. Especialistas apontam que, embora setores como o de vinhos devam enfrentar maior concorrência interna, o saldo geral é amplamente positivo. Exportadores de proteína animal, frutas tropicais, café, etanol, celulose e produtos industriais terão condições mais competitivas no bloco europeu.
Para Cristiane Fais, a combinação entre o alívio tarifário dos EUA e a abertura estrutural com a União Europeia cria “uma janela rara e estratégica para o Brasil”.
– “Estamos vendo dois grandes mercados se abrirem simultaneamente. Isso potencializa investimentos logísticos, melhora a previsibilidade regulatória e fortalece a posição do Brasil nas cadeias globais”, analisa.
Apesar dos avanços, Fais ressalta que a instabilidade regulatória norte-americana ainda exige atenção, já que parte do tarifaço permanece e alterações futuras não estão descartadas.



