Golpistas especializados em fraudes têm causado um impacto crescente no Brasil, atingindo milhares de vítimas todos os dias e provocando prejuízos financeiros expressivos. Segundo dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2024 foram registrados cerca de 2,2 milhões de casos de estelionato, o que representa aproximadamente quatro golpes por minuto em território brasileiro.
Além disso, estimativas apontam que entre julho de 2023 e junho de 2024, mais de 17 milhões de pessoas com 16 anos ou mais foram vítimas de fraudes ou golpes, com um prejuízo estimado superior a R$ 25,5 bilhões.
– “Estamos diante de uma metamorfose dos crimes patrimoniais: enquanto roubos e furtos seguem em queda, os golpes – especialmente no meio digital – disparam. É preciso perceber que o inimigo mudou”, afirma a advogada Ana Franco Toledo, sócia do escritório Dosso Toledo Advogados.
Conforme o levantamento, essa escalada de golpes exige atenção redobrada. As formas mais comuns envolvem: clonagem de aplicativos de mensagens, boletos ou links falsos, ofertas de investimento com promessa de retorno rápido, compras em sites fraudulentos, anúncios falsos em plataformas de venda, além de falsas oportunidades de emprego e empréstimo.
– “Quando o golpista mira na vítima, não está apenas roubando dinheiro: ele explora confiança, pressa, vulnerabilidade emocional ou a falsa promessa de vantagem fácil. Identificar esse padrão é o primeiro passo para a defesa”, ressalta o advogado Gianlucca Contiero Murari, do mesmo escritório.
Principais orientações para não cair em golpes
1. Verifique duas vezes – Desconfie de mensagens, telefonemas ou anúncios que lhe peçam urgência ou transferência imediata de valores.
2. Confira remetentes e URLs – Golpes por email ou WhatsApp frequentemente usam domínios semelhantes aos originais ou clean links que levam a sites fraudados.
3. Jamais compartilhe códigos OTP, senhas ou tokens – Mesmo se parecer uma solicitação “amigável”.
4. Consulte antes de agir – Se receber proposta de investimento ou recompensa rápida, procure um advogado ou especialista de confiança.
5. Caso seja vítima:
Registre o boletim de ocorrência na autoridade policial mais próxima ou on-line.
Notifique o banco ou instituição financeira imediatamente para tentar bloquear ou estornar a transação.
Guarde documentos, comprovantes e comunicações (screenshots, links, chat) para possível ação judicial.
– “Mesmo após o golpe consumado, há caminhos jurídicos: a vítima deve agir rápido para preservar provas, comunicar instituições financeiras e acionar advogados especializados. Mesmo que a recuperação integral do prejuízo não seja garantida, o registro do crime e a responsabilização dos autores têm valor dissuasivo e social”, orienta Ana Franco Toledo.



