
Fonte: https://blogdopaulopereira.com.br/
O Brasil celebrou um marco importante: a quase total universalização do ensino básico, ou seja, os estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental e da 1ª a 3ª série do Ensino Médio matriculados na idade certa. Dados de 2024 mostram que 99,5% das crianças e adolescentes de 6 a 14 anos estão na escola, cumprindo uma das metas do PNE (Plano Nacional da Educação) 2015/2025. É um avanço que merece ser reconhecido, mas que, ironicamente, expõe uma nova camada de desafios, sobretudo em relação à qualidade do ensino e, consequentemente, à valorização e qualificação dos professores e professoras.
Apesar dos avanços na formação docente, a realidade é que os cursos de pedagogia e licenciaturas, por muito tempo, ignoraram as transformações sociais. A chegada da internet, das redes sociais e da tecnologia a lares de baixa renda exigiu dos professores novas habilidades para as quais, em muitos casos, não estão preparados. A sala de aula de hoje é um ambiente complexo, onde a atenção dos alunos é disputada por um universo digital pulsante. Lidar com essa nova dinâmica, sem as ferramentas adequadas, é um desafio excepcional.
A cada ano que passa, diminui a demanda por cursos de licenciaturas e pedagogia no país, e quando têm alunos nas faculdades públicas e até privadas, o número de alunos diminuem no decorrer dos cursos, formando poucos professores. Já foi constatado de que com a atual situação de professores formando no país, há a probabilidade de haver “apagão” de professores na década de 2030 a 2040, o que é muito preocupante para o futuro da educação no Brasil.
Ser professor no Brasil não é uma profissão atraente, por causa dos baixos salários, más condições de trabalho e falta de valorização da carreira por parte de governos, políticos e até da própria sociedade.
Salários baixos e condições de trabalho desfavoráveis
A questão da valorização profissional dos educadores começa pelo salário. Apesar do piso salarial nacional de R$ 4.867,77 (quatro mil e oitocentos e sessenta e sete reais e setenta e sete centavos) para uma jornada de 40 horas semanais, a remuneração de muitos professores ainda está longe de ser atrativa para os jovens e demais pessoas que desejam lecionar. Ao comparar com outros profissionais de exigência de curso superior, ainda não é a que atrai, principalmente, quando se depara com carreiras jurídicas (Juiz: média nacional de R$ 54.941,80; Promotor de Justiça: R$ 27.000,00; Procurador Jurídico: R$ 23000,00; advogados: média nacional de R$ 8.000,00; médico: média nacional de R$ 22.000,00; na área de Tecnologia da Informação, como analistas e desenvolvedores: média de R$ 10.000,00; setor financeiro: média geral de R$ 12.000,00; engenheiros: média nacional de R$ 11.000,00.
Os estados brasileiros que pagam melhores professores, atualmente, são: Mato Grosso do Sul (R$ 11.935,46), Roraima (R$ 6.103,14), Maranhão (R$ 6.867,68), Ceará (R$ 5.413,18). No estado de São Paulo, paga-se R$ 5300,00, com subsídio (valor acima da média nacional com dinheiro concedido acima do salário base, mas que não incorpora na remuneração final para fins de aposentadoria). Assim, a maioria dos docentes brasileiros enfrenta uma realidade de baixos vencimentos, que não compensam o nível de exigência da profissão.
Além disso, as condições de trabalho são, frequentemente, precárias. Aulas com internet instável, falta de materiais para projetos pedagógicos e a constante pressão das gestões escolares por resultados estatísticos (como BI do estado de SP) são parte do cotidiano. Essa pressão, que muitas vezes assume a forma de assédio moral, por cobranças de excesso de documentos formais e reuniões de alinhamento.
A cobrança por resultados estatísticos em avaliações como o SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e SARESP (Sistema de Avaliação e Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) se tornam o foco principal, e desconsideram as particularidades de cada turma e comunidade local de cada escola.
Muitos professores trabalham com turmas cheias de alunos, variando de 40 a 70 estudantes, o que é uma discrepância, sendo, que pedagogicamente falando, deveria ter no máximo 25 alunos por sala. Os alunos são de realidades diferentes e heterogêneas nas cidades, como de bairros periféricos, favelas, classe média baixa, outros próximos a concentração de comércio ou de fábricas e indústrias, além de origem carente, famílias desestruturadas, com vários problemas (casos de depressão, doenças especiais, crônicas e atípicas, transtornos psicológicos e psiquiátricos, ansiedade, stress, violência, pais separados, drogados ou alcoólatras ou envolvidos em crimes como tráfico de drogas, furtos, estelionatos, fraudes e outros tipos de organizações criminosas, estudantes morando com avós ou tios ou padrastos ou madrastas, subemprego dos responsáveis, crianças e adolescentes trabalhando informalmente para ajudarem suas famílias, gravidez na adolescência, pais e responsáveis desajustados). E a consequência disso é que os alunos nas escolas não aceitam limites e regras, desacatam professores, gestores e funcionários das escolas, além de praticarem bullying e cyberbullying com colegas, tendo até problemas na Justiça como no Conselho Tutelar, no Ministério Público, na Fundação Casa e entidades semelhantes e no Juizado da Infância e Juventude. Eles desafiam o tempo todo os professores e gestores educacionais, e o que prejudica o bom andamento educacional e depois isso reflete nas avaliações externas e os professores são os principais prejudicados por causa de política de bônus e responsabilizados pelos baixos índices nos referidos resultados. O resultado disso que muitos professores são afastados por depressão, burnout (esgotamento mental por stress), ansiedade, outros pedem exoneração do cargo e muitos professores trabalham insatisfeitos por causa da desvalorização e falta de condições para atuarem.
Além de casos de alunos agredirem fisicamente, moralmente e psicologicamente os professores e gestores, desrespeitando o exercício da profissão docente e das autoridades escolares. Apesar de ter medidas como advertência, suspensão e transferência compulsória, muitos gestores escolares pedem para professores não fazerem boletins de ocorrência e não tomarem providências judiciais porque temem pela reputação da escola. E não esquecer que pais e responsáveis dos alunos cobram os professores por causa do rigorismo disciplinar ou quando cobram que os professores eduquem disciplinando e questionam atividades e provas, porque os alunos não ficaram satisfeitos com suas notas em vez de buscarem de estudar mais e se aperfeiçoarem. Infelizmente, há uma cultura de agradar alunos por causa das avaliações de desempenho nas escolas.
E as notas dos alunos que são mascaradas em Conselhos de Classe, sendo solicitado para aumentar os conceitos a fim de as escolas não terem cobranças e também por causa da progressão continuada, o que é muito ruim pedagogicamente constatado.
Há uma cultura por parte de pais e responsáveis e por gestões escolares equivocadas de “passarem a mão na cabeça” de alunos e alunas que são mimados e mimadas apenas por proporcionarem privilégios ou de evitar problemas com determinadas famílias. Infelizmente, isso faz professores e professoras trabalharem como se estivessem “pisando em ovos” no seu ambiente de trabalho, o que o faz se sentirem em ambiente tóxico, por questões ideológicas ou cultura permissiva ou elitizante para determinados grupos de famílias ou até pelos próprios colegas profissionais.

Fonte: https://comunhao.com.br/
A farsa das avaliações e a plataformização do ensino
Outro problema que se aprofunda, especificamente, no estado de São Paulo é o avanço da plataformização, utilização do ensino híbrido e do Ensino à Distância em vários locais do país que passam por esta experiência. Embora possam ser ferramentas úteis, mas quando mal aplicadas, especialmente no ensino fundamental e médio, resultam em uma educação superficial. As avaliações externas, por sua vez, muitas vezes não refletem o aprendizado real, pois é comum que estudantes “chutem” respostas, ou pior, copiem do Google e do ChatGPT, sem qualquer compromisso com o processo de aprendizagem.
As plataformas exigidas como Mattific, Alura, Speak, Khan Academic, CMSP, Tarefas SP, Google Classroom, Leia SP, no caso específico do estado paulista, os estudantes reclamam que não aprendem e acham muito cansativo terem que responder inúmeras atividades de todas as disciplinas exigidas, além de reclamarem do material digital do estado de SP. Os alunos preferem material próprio para fazerem atividades e livros didáticos que têm conteúdo completo e acessível com as informações que precisam.
Os alunos acham que as aulas deveriam ser mais dinâmicas, criativas, atrativas, com uso de laboratório de ciências e da informática (com poucas horas), fora da sala de aula, que possam conhecer museus, observatórios astronômicos, ambientes científicos e órgãos públicos e culturais, bem como gostam de participar de gincanas, gamificação, projetos de desenvolvimento de trabalhos para amostras, intercâmbios, viagens culturais e colocarem em prática o conhecimento para a aprendizagem ser mais significativa para eles.
A formação dos professores
A falta de uma formação docente conectada com a realidade dos estudantes e das escolas, principalmente, as públicas, agrava-se com a falta de um plano de carreira atraente, pois na verdade a carreira dos professores é desmotivante, principalmente, para alcançarem a evolução funcional com provas do mérito funcional e profissional, pois não consideram projetos pedagógicos em portfólio ou transformações efetivas das comunidades escolares por aprendizagem por projetos.
Uma incongruência no Estado de São Paulo são os cursos “Multiplica”, pois vale mais um professor ter pontuação maior para atribuição de aulas com os referidos cursos do que fazerem mestrado e doutorado em educação ou na área que leciona, o que distorce uma busca efetiva de formação qualificada para professores e professoras.
As escolas PEIs
As chamadas escolas PEIs (Programa de Ensino Integral), com suas avaliações 360, também geram controvérsias. Alunos, muitos ainda imaturos, são encorajados a avaliar seus professores e gestores escolares. E esse tipo de avaliação, infelizmente, pode ser influenciada por questões pessoais e injustas. Ora, eles vão avaliar professores e gestores que lhes cobram disciplina (o que na fase da adolescência, muitos não gostam), regras regimentais escolares e desempenho em notas e conceitos mais altos, o que possibilita a avaliação 360 ser ferramenta de vingança e instrumento de retaliação e não de aprimoramento da aprendizagem. Muitas especialistas da educação enfatizam que no ambiente escolar, os avaliadores devem ser os educados e os alunos, os avaliados. Caso haja avaliação dos professores, segundo especialistas, deve ser além do registro de aulas, frequência dos alunos, trabalhos, tarefas e provas, deve-se verificar os planos de aula e o que foi realizado, para depois verificar os resultados das avaliações e os projetos pedagógicos que efetivem mudança da realidade escolar para ser exemplo.
E neste ano de 2025, a avaliação 360 foi introduzida no ensino regular, no caso do Estado de SP, uma vez que a secretaria da educação vê a escola como se fosse uma empresa e não como instituição organizacional pública que dê conta com qualidade efetiva de educação. Tal mentalidade é decorrente da ideologia “neoliberalizante” da fase atual do capitalismo, o que vai contra o que é a escola como ambiente e momento de preparação e desenvolvimento para uma vida profissional, cidadã e social.
Outra regra das PEIs que é abusiva e absurda é de que professores não podem faltar por causa de acidente de trabalho, tratamento de doença ou indicação de necessidade médica. Podem ter até tais faltas, por ser direito, mas depois elas são consideradas na sua avaliação 360, o que na verdade lhes retiram pontuação, e que os colocam em situação de mal avaliados, ora ameaçados de deixarem o programa ou serem advertidos para melhorarem seu desempenho (ou seja, de que não podem faltar de maneira alguma, mesmo que precisem, por ser direito trabalhista ou previdenciário).
Na verdade, a avaliação 360 enseja um total desrespeito aos direitos trabalhistas e previdenciários, sendo que as únicas licenças que não constam falta no final da avaliação é a licença gestante e licença adoção. As faltas por serviço extraordinário por causa do período eleitoral, recentemente, também não podem ser computados como falta nas PEIs para avaliação final de desempenho.
Enfim, a avaliação 360 é um contrassenso a legislação trabalhista e previdenciária, pois retira e precariza direitos. Por isso que muitos professores efetivos desistirem de lecionar nas PEIs e não acreditarem no programa por cobranças esdrúxulas e falta de apoio necessário por gestões escolares.

Fonte: https://www.docsity.com/pt/docs/formacao-sobre-avaliacao-360-pei
Precarização dos direitos dos professores
Essa realidade de desvalorização e precarização é um reflexo direto da hipocrisia de muitos políticos. Eles falam sobre a importância da educação, mas, na prática, o orçamento público para a área é frequentemente restringido. Os salários dignos prometidos ficam de fora e, em alguns casos, verbas essenciais são desviadas, como o recente caso em São Paulo, onde o governo de Tarcísio de Freitas pautou a retirada de 10 bilhões da educação no orçamento do Estado, o que vai contra o seu próprio discurso político que educação é prioridade.
Outro dado no estado de SP é de que há 82685 professores temporários, os chamados categoria O, num total de 162935 professores na rede pública paulista (ano de referência: 2024). Ou seja, mais de 50% da rede docente paulista é de professores temporários. Houve concurso em 2023, e só assumiram os cargos, total 12000 professores, num certame que previu 15000 vagas. O Ministério Público de SP acionou o Governo do Estado de SP para convocar 40155 professores e realizar concurso para vagas de 1177 diretores e 702 supervisores de ensino, uma vez que professores efetivos são designados nos cargos de gestão como diretor, vice-diretor e coordenador pedagógico.
Portanto, um dos maiores problemas da educação no Estado de São Paulo é a alta quantidade de professores temporários, que por fim, são profissionais essenciais para o funcionamento das escolas, os quais vivem em constante insegurança porque não têm os iguais direitos dos concursados, com contratos que preveem seguir a CLT, mas tais contratos não contemplam o FGTS (Fundo de Garantia e Tempo de Serviço), seguro-desemprego e outros benefícios dos efetivos (como fazerem mestrado e doutorado na área, de modo de dedicação exclusiva, remunerados pelo Estado), mas contudo, são cobrados com a mesma intensidade para alcançar as metas estatísticas como os professores estáveis.
E quando o contrato dos professores temporários termina, precisam ficar por um período sem trabalhar, sem a proteção do seguro-desemprego, o que compromete suas vidas financeiras e familiares. E essa instabilidade financeira, emocional e familiar impacta diretamente no desempenho em sala de aula, ou seja, compromete a qualidade da educação, pois assim não é alcançada por falta de vontade ou má vontade dos políticos, que só prometem no discurso, não cumprem e fazem demagogia quando pronunciam a respeito.
Para os professores efetivos, a realidade também não é favorável. Muitos convivem com planos de carreira retrógrados, pois não são atraentes para a evolução funcional, e geram desmotivação e desinteresse em lecionar a longo prazo, o que é fator também que compromete a almejada qualidade na educação.
O desafio de ser professor no Brasil vai além de uma questão profissional individual. É um problema estrutural que exige uma mudança de mentalidade e, acima de tudo, um investimento real naqueles que estão na linha de frente da educação. A universalização foi um passo gigantesco, mas a qualidade e a valorização profissional são os próximos capítulos que precisam ser escritos com urgência e responsabilidade.

Fonte: https://anytessilla.wordpress.com/
O exemplo da Coreia do Sul: o investimento na educação como motor de desenvolvimento
A realidade de desvalorização e precarização no Brasil contrasta diretamente com o caminho trilhado por outros países. A Coreia do Sul, por exemplo, estava em uma situação semelhante à do Brasil na década de 1980. Sua sociedade, no entanto, entendeu e internalizou a necessidade de um investimento financeiro e efetivo na educação. O resultado desse esforço coletivo é visível: a Coreia do Sul se tornou um país de primeiro mundo por investir de forma maciça na estrutura educacional, na valorização dos professores e em projetos educacionais, tecnológicos e de incentivo à ciência. Hoje, colhem os frutos desse compromisso com a excelência acadêmica e tecnológica.

Fonte: https://profjairobrasil.blogspot.com/2017/04
Exemplos dos Países Nórdicos Europeus
Os países nórdicos da Europa estão, consistentemente, no topo dos rankings educacionais mundiais devido a uma combinação de fatores, o que inclui investimento significativo em educação, igualdade de acesso ao sistema de ensino, foco no desenvolvimento integral dos alunos e sistemas educacionais bem estruturados que priorizam a qualidade e a inovação.
Os fatores que contribuem para o sucesso educacional:
- Investimento público: os países nórdicos têm sistemas de ensino fortemente financiados pelo governo, com foco na educação pública desde a educação infantil até o ensino superior, incluindo universidades gratuitas ou com baixíssimas mensalidades para estudantes nacionais e estrangeiros.
- Igualdade de acesso: a educação é vista como um direito e um serviço público, com esforços para garantir que todas as crianças tenham acesso a uma educação de alta qualidade, independentemente de sua origem socioeconômica ou localização geográfica.
- Desenvolvimento Integral: o currículo escolar geralmente inclui além das habilidades acadêmicas, valores morais, habilidades sociais, autonomia em resolução de problemas, protagonismo e desenvolvimento pessoal.
- Foco na qualidade: a formação de professores é rigorosa, com alta qualificação e autonomia para planejar o ensino, e resulta em um corpo docente altamente qualificado (com mestrado, doutorado, pós-doutorado e livre docência) e engajado.
- Inovação e adaptação: os países nórdicos são conhecidos por sua capacidade de inovar e adaptar seus sistemas educacionais para atender às necessidades em constante mudança da sociedade e do mercado de trabalho, ou seja, buscam fazer pesquisas e diagnósticos de suas realidades para constar ajustes nos seus sistemas de ensino.
- Cultura de Aprendizagem ao Longo da Vida: há uma forte cultura de aprendizagem ao longo da vida, com programas de educação continuada e oportunidades para adultos retornarem aos estudos.
- Ambiente de aprendizagem flexível: os sistemas educacionais europeus nórdicos valorizam a autonomia dos alunos e professores, e promovem um ambiente de aprendizado flexível e adaptado às necessidades pessoais e comunitárias, saindo do modelo de sala de aula do século XVI, voltados para metodologias ativas e realização de projetos pedagógicos e sociais concatenados com suas realidades, na promoção da pesquisa, ciência, tecnologia e cultura.
Observe os exemplos específicos de cada país nórdico:
- Finlândia: reconhecida por seu sistema equitativo e de alta qualidade, com foco no desenvolvimento integral dos alunos, igualdade de acesso e autonomia dos professores. O salário docente lá é de R$ 26.825,65 (€ 4.107 euros). É o país de 1º lugar no índice mundial de qualidade na educação.
- Dinamarca: valoriza a autonomia dos alunos e professores, com um ambiente de aprendizado flexível e adaptado às necessidades individuais. O professor ganha R$ 31000,00 mensais (47.352 DKK). O segundo maior salário de professor na Europa.
- Noruega: possui um sistema educacional público com forte compromisso em relação a igualdade de oportunidades. O professor ganha em torno de R$ 23900,00 (€3.656.).
- Suécia: destaca-se pela inovação e pelo investimento em educação. O salário do professor lá é de R$ 33.099,50 (67.550 SEK – coroas suecas) – o maior salário docente da Europa.
O que Paulo Freire se refere sobre a Valorização do Professor
Para Paulo Freire, a valorização do professor é o cerne da qualidade na educação. Ele defendia a ideia de que o ato de ensinar não é uma simples transferência de conhecimento do professor para o aluno. Pelo contrário, é um processo dinâmico e dialógico, onde ambos aprendem juntos. Freire via o professor não como um “depositário” de informações, mas como um facilitador, um parceiro no processo de construção do saber. Para ele, a educação só pode ser libertadora e transformadora se o educador tiver condições de exercer seu papel de forma plena e consciente. Os fatores que Freire consta para garantir a dignidade e a eficácia do trabalho docente são:
- Autonomia e criticidade: O professor deve ser estimulado a pensar criticamente sobre a sua prática e sobre o mundo. Para Freire, não há ensino sem pesquisa. O educador que busca a autonomia de seus alunos também precisa ser autônomo.
- Reconhecimento do seu papel social: Ele entendia que a sociedade precisa reconhecer a importância do professor como um agente de mudança, alguém capaz de formar cidadãos críticos e conscientes.
- Condições de trabalho: Embora não tenha se aprofundado em questões salariais em todas as suas obras, a lógica de seu pensamento aponta para a necessidade de boas condições de trabalho e de remuneração justa. Afinal, um professor com insegurança financeira e emocional não consegue se dedicar plenamente a sua missão de educar.
- Diálogo e amor: Freire considerava a educação um ato de amor e coragem. O professor deve dialogar com seus alunos e com a realidade social em que estão inseridos, compreendendo suas experiências e saberes prévios.
Em suma, Paulo Freire defende que a qualidade da educação não é alcançada com a imposição de currículos ou por meio de uma visão “bancária” de ensino, mas sim por meio da valorização integral do professor.
Um educador valorizado, com autonomia, condições de trabalho dignas e reconhecido pela sociedade, é um agente de transformação, capaz de formar pessoas que, por sua vez, podem mudar o mundo.

Fonte: https://profjairobrasil.blogspot.com/2017
Conclusão sobre a Valorização dos Professores no Brasil
Assim, diante do que foi apresentado sobre a realidade dos professores no Brasil, pode-se elencar os seguintes pontos:
1º. Valorização Profissional dos Professores
É essencial que os professores sejam tratados com o respeito e a dignidade que a profissão exige. Isso inclui:
- Salários justos e planos de carreira mais atraentes;
- Formação continuada para que possam se atualizar sobre novas tecnologias e métodos, conectados com a realidade das comunidades escolares;
- Melhores condições de trabalho, com infraestrutura adequada, recursos e um ambiente de apoio;
- Reconhecimento social e envolvimento ativo dos educadores nas decisões sobre as políticas educacionais.
2º. Melhoria da Qualidade da Educação
A valorização do professor anda de mãos dadas com a melhoria do ensino. Para isso, é preciso:
- Investir em infraestrutura escolar: com bibliotecas, laboratórios e outros recursos essenciais;
- Garantir a disponibilidade de materiais didáticos: atualizados escolhidos pelo corpo docente e um currículo relevante para a vida dos alunos;
- Apoiar a inovação pedagógica: oferecer suporte para que os professores implementem novas práticas.
3º. Compromisso da Sociedade e do Governo
A mudança exige um esforço coletivo. É preciso combater as desigualdades educacionais regionais, garantir um financiamento adequado e consistente para a educação e, o mais importante, promover o engajamento de toda a sociedade, que deve reconhecer a escola e o professor como pilares fundamentais para o desenvolvimento do país.
Lúcio Rangel Ortiz – Professor Mestre em Planejamento e Análise de Políticas Públicas (UNESP), professor licenciado em Filosofia (UFSJ), em Pedagogia (UNIUBE), em Sociologia (Uni-FAVENI) e em Matemática (UNAR), professor na rede pública paulista.. É escritor, palestrante, advogado e colunista dos portais “Recanto das Letras” e “FNT” (Coluna Intelecto Saber) e Conselheiro Regional da APEOESP Subsede Franca.




