Qual é a proposta da coluna?
Nesta breve reflexão, vamos entender o que significa o “Intelecto” e o “Saber” para compreender a proposta da coluna no Portal Fato no Ato.
As palavras intelecto e saber carregam séculos de história, tendo atravessado civilizações, escolas filosóficas e transformações culturais profundas. Embora hoje estejam presentes no vocabulário cotidiano, seus significados remetem a conceitos fundamentais da condição humana: pensar e conhecer.
A palavra intelecto vem do latim intellectus, que por sua vez deriva do verbo intelligere, que significa “compreender”, “discernir”, “perceber com a mente”. A raiz legere (ler, recolher, escolher) combinada ao prefixo inter (entre) sugere a ideia de “escolher entre”, ou seja, de analisar, distinguir e formar juízos.
Na filosofia clássica, especialmente em Platão e Aristóteles, o intelecto é a capacidade racional da alma, aquela que permite ao ser humano ir além das aparências sensíveis e alcançar as essências. Aristóteles distinguiu o nous poietikos (intelecto ativo) do nous pathetikos (intelecto passivo), discutindo o papel da mente na formação do conhecimento.
Com o advento do pensamento cristão e, posteriormente, com os filósofos modernos como Descartes e Kant, o intelecto passou a ser entendido como a faculdade superior do espírito, capaz de formular ideias, juízos e raciocínios – fundamento da razão e da crítica.
Já o termo saber tem origem no latim sapere, que significava “ter gosto”, “cheirar bem” e também “ter discernimento” ou “ser sábio”. Isso revela um dado interessante: o saber era percebido não apenas como um acúmulo de informações, mas como algo que se experimenta, que se sente e que se saboreia – daí a ligação com a palavra sabedoria.
Enquanto o intelecto está ligado ao ato de pensar, o saber está ligado ao ato de conhecer com profundidade, de apropriar-se de um conteúdo de forma viva, reflexiva e significativa. O saber transforma quem o possui, pois está ligado à experiência, à prática e à ética do conhecimento.
A junção das ideias de intelecto e saber revela mais do que uma busca por erudição: aponta para o exercício da reflexão crítica, da consciência e do compromisso com a realidade. Em um mundo repleto de informações, torna-se essencial cultivar o intelecto para pensar com profundidade e o saber para agir com responsabilidade.
É nesse espírito que nasce a coluna Intelecto Saber: como um espaço de diálogo entre o pensamento e o conhecimento, entre a reflexão e a ação, entre o sentir e o compreender, entre o pensar refletido e o saber ousar em transformar a realidade e a vida que se plenifica.
Lúcio Rangel Ortiz é escritor de ficção, fantasia, poesia, produção acadêmica, cronista, ensaista e romancista e escreveu os livros “Publicações Científicas”, “Guerreiro Dourado”, “Poetizar Sempre” e “Protagonismo do Exercício da Cidadania”. É advogado mestre em planejamento e análise de políticas públicas formado pela UNESP, MBA em gestão de projetos pela USP, especialista em direito civil e direito processual civil pela TOLEDO de Presidente Prudente, especialista em direito público, em lei geral proteção de dados e em direito digital pelo LEGALE de São Paulo, especialista em gestão pública pela UFSCar e em ensino de sociologia pela UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei). É, também, professor da rede pública paulista, administrador público, licenciado em filosofia, pedagogia, matemática e sociologia e tecnólogo em processamento de dados. Já publicou na Revista Eletrônica da Faculdade de Direito de Franca, na Revista e Site Âmbito Jurídico de Porto Alegre (RS), na Net Saber, no Web Artigos, no Portal Jus Brasil no Portal Recanto das Letras e Jornal da Franca. É avaliador parecerista na Revista Digital de Direito Administrativo da USP Ribeirão Preto, da Revista de Relações Sociais da Universidade Federal de Viçosa, na Revista de Ciência Política “Teoria & Pesquisa” da UFSCar e na Revista de Estudos Jurídicos da UNESP Franca. Pesquisador no Grupo DeMus/UNESP e membro do Fórum Franca Sustentável. Coordena a Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB Franca, membro das comissões de Tecnologia e Inovação e de Privacidade, Proteção de Dados e IA da OAB/SP e é secretário-geral do Conselho de Leigos e Membro da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Franca. Praticante de Tai Chi Chuan, Kung Fu e Meditação, adora ler livros de vários estilos (literatura, filosofia, psicologia, teologia, política, ciência e cultura), ouvir boa música (MPB, Pop, Instrumental, Rap, Rock, Lounge Music e Eletrônica), dançar, compor e escrever.



