Por que o peso tende a voltar depois das medicações para emagrecer (e o que isso nos ensina sobre saúde).
O estudo
Uma análise publicada no JAMA (Journal of the American Medical Association) investigou o que acontece quando adultos com obesidade que estavam usando tirzepatida interrompem o uso e passam a receber placebo. Os pesquisadores acompanharam participantes que haviam alcançado pelo menos 10% de perda de peso durante o tratamento inicial e observaram o que ocorria até 52 semanas após a retirada do medicamento.
Os resultados mostraram um padrão claro de reganho de peso durante o período em que o medicamento foi suspenso. Conforme os participantes retornaram aos níveis fisiológicos sem o estímulo farmacológico, muitos recuperaram parte substancial do peso perdido, refletido não apenas no aumento do peso corporal, mas também em indicadores associados, como o índice de massa corporal (IMC) e a circunferência da cintura.
Essa observação não invalida a eficácia da medicação. Durante o uso, houve redução significativa do peso. No entanto, os dados evidenciam que a perda de peso, por si só, não garante manutenção após a interrupção do tratamento, especialmente quando não há uma base de suporte capaz de sustentar os hábitos que levaram a essa perda.
O impacto metabólico
Além do peso corporal, o estudo também analisou alterações em parâmetros metabólicos ao longo do tempo. Mesmo após alcançar reduções ao final do tratamento, a retirada do medicamento esteve associada a alterações nos marcadores cardiometabólicos, como pressão arterial e níveis de glicose no sangue, que tenderam a se aproximar dos valores anteriores conforme o peso retornava.
O essencial
O estudo deixa claro um ponto fundamental: a perda de peso isolada, mesmo quando alcançada com auxílio medicamentoso, é apenas parte de um processo mais amplo de mudança em saúde.
Enquanto a medicação pode atuar na redução do apetite e facilitar a perda de peso inicial, é a nutrição estruturada e personalizada que cria as bases para que essas mudanças se mantenham após a retirada do medicamento. Isso inclui:
- Construir hábitos alimentares duradouros e realistas;
- Trabalhar a relação emocional com a comida;
- Estabelecer rotinas que favoreçam escolhas conscientes;
- Ajustar padrões alimentares de acordo com o estilo de vida e as necessidades individuais.
A ciência reforça: perder peso não é o maior desafio, manter o peso perdido com saúde é. E é exatamente nesse ponto que o acompanhamento nutricional profissional faz toda a diferença.



