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    Quando a visão central começa a falhar nos idosos

    DINOBy DINO24 de junho de 2026
    Quando a visão central começa a falhar nos idosos
    Quando a visão central começa a falhar nos idosos

    A atrofia geográfica, estágio avançado da degeneração macular relacionada à idade (DMRI) do tipo seca, é pouco conhecida pelos brasileiros, embora comprometa significativamente a visão central, a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes.

    A DMRI, associada ao envelhecimento, é uma das principais causas de perda visual acima dos 50 anos. Ela afeta a mácula, área central da retina responsável por atividades cotidianas como leitura, reconhecimento de rostos e direção. Em sua forma seca, a doença pode evoluir lentamente por anos e avançar para a atrofia geográfica, resultando em perda irreversível de tecido da retina e declínio progressivo da visão central.

    O tema ganha relevância no Brasil, que envelhece de forma acelerada. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com 60 anos ou mais alcançou 32,1 milhões de pessoas em 2022. Esse envelhecimento populacional está diretamente relacionado ao aumento dos casos de DMRI. Em estudos nacionais, a prevalência da doença chega a cerca de 15,1% em indivíduos acima de 60 anos, saltando para 31,5% entre pessoas com 80 anos ou mais.

    Estudos mostram que a DMRI afeta cerca de 200 milhões de pessoas no mundo, com projeção de alcançar 288 milhões até 2040. A atrofia geográfica impacta 5 milhões de indivíduos globalmente. "Quando falamos de atrofia geográfica, estamos tratando de uma doença que compromete gravemente a autonomia do paciente e impacta a família inteira. É uma condição que precisa sair da invisibilidade", afirma o Dr. Laurentino Biccas, oftalmologista especialista em retina e mácula.

    O especialista explica que, nas fases iniciais, podem surgir drusas (depósitos amarelados sob a retina) e alterações discretas. "O grande gargalo é fazer com que o paciente procure o oftalmologista e entenda que a alteração visual não é apenas decorrente da ‘idade’ ou catarata", completa Biccas.

    Principais sinais de alerta

    A doença apresenta-se em duas formas principais: úmida e seca. A forma úmida, menos frequente, é tratável com terapias intraoculares que controlam a progressão de maneira eficaz. Já a seca, mais prevalente, historicamente não contava com opções para retardar sua evolução, o que torna o acompanhamento indispensável. Para a atrofia geográfica, ainda não há tratamentos aprovados no Brasil, mas já existem terapias regulamentadas no exterior que retardam a progressão da doença.

    Os sinais de alerta incluem distorção de linhas retas, dificuldade para leitura, problemas para reconhecer rostos, visão central embaçada e piora progressiva. Por ser uma condição irreversível, a identificação precoce é fundamental para orientar o manejo clínico e apoiar a jornada do paciente.

    Para Maria Antonieta Parahyba Leopoldi, vice-presidente da Retina Brasil — associação de pacientes dedicada à informação e acolhimento —, a conscientização é decisiva. "Muita gente convive com sintomas visuais sem saber o que tem. Nosso papel é informar o paciente para que ele participe ativamente da conversa com o médico. No caso da atrofia geográfica, isso começa pelo acesso à informação", diz.

    Ela destaca que, em pesquisa da entidade com pacientes de DMRI, 25% relataram que o diagnóstico não foi explicado adequadamente pelo médico. "Nosso trabalho é fazer com que o paciente saia da passividade. Queremos que ele saiba perguntar sobre seu quadro, tratamentos e as possibilidades de evolução da doença", acrescenta.

    Subnotificação da atrofia geográfica

    A atrofia geográfica costuma ser pouco nomeada na jornada clínica, o que faz com que muitos pacientes com DMRI seca desconheçam que podem evoluir para esse estágio. Para especialistas, falar da doença no contexto da DMRI amplia a percepção de vigilância. "Explicar a atrofia geográfica no quadro geral faz o paciente entender que a forma seca pode progredir, motivando-o a acompanhar melhor os sinais de alerta", observa Maria Antonieta.

    O impacto da doença vai muito além da perda visual, aumentando o risco de acidentes, dificultando o autocuidado e exigindo apoio de familiares e cuidadores. A condição também afeta severamente a saúde mental, a independência e a rotina social do paciente.

    Estudos mostram que a DMRI é uma das principais causas de deficiência visual irreversível, e a atrofia geográfica pode levar a desfechos severos em poucos anos. A progressão varia, mas o dano é permanente e se agrava sem o acompanhamento médico adequado.

    Do ponto de vista de saúde pública, a discussão é vital. Segundo o IBGE, 7,9 milhões de brasileiros têm grande dificuldade para enxergar, mesmo usando lentes corretivas. Especialistas apontam que a falta de estatísticas detalhadas sobre a atrofia geográfica contribui para a subnotificação e subestimação do problema. "Ainda temos grande dificuldade de trabalhar com estatísticas precisas sobre essa população no país. Sem dados, a doença permanece invisível", acentua Biccas.

    A Astellas Farma lidera essa iniciativa de conscientização e reforça a importância de ampliar a atenção sobre a atrofia geográfica, promovendo diálogos mais informados entre pacientes, familiares e médicos e destacando o valor da educação em saúde.

    Sinais de alerta importantes:

    Linhas retas que parecem onduladas ou tortas; Dificuldade para ler ou reconhecer rostos; Visão central embaçada ou com falhas; Piora visual progressiva.

    CIÊNCIA SAÚDE E BEM-ESTAR SOCIEDADE

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