Os dados do Portal Salário, com base em informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), mostram que a taxa de rotatividade entre porteiros no país já chega a 49,1%. Entre profissionais de vigilância, o índice alcança 49,5%. Atualmente, o salário médio nacional é de R$ 1.938 para porteiros e R$ 2.067 para vigilantes.
Na avaliação de especialistas do setor, o cenário reforça a importância de empresas que investem não apenas em contratação, mas também em formação contínua, valorização das equipes e oportunidades reais de crescimento profissional. Segundo Fabiano Fernandes, CEO do Grupo Bravo Te, empresa brasileira especializada em segurança patrimonial integrada e facilities, as mudanças no perfil do mercado de trabalho têm incentivado empresas a fortalecer estratégias de desenvolvimento humano e mobilidade interna.
"Investir em desenvolvimento profissional deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser estratégico para manter equipes qualificadas. Quando a empresa investe nas pessoas e cria oportunidades internas, ela fortalece o engajamento das equipes e constrói relações mais duradouras", afirma.
Da portaria ao RH
No Grupo Bravo Te, uma das histórias que simbolizam esse movimento é a da colaboradora Darli Araújo, que iniciou sua trajetória na empresa em 2021 atuando na portaria física de um condomínio residencial e, ao longo dos últimos anos, construiu um caminho de crescimento até chegar à área de Recursos Humanos da companhia.
Atualmente, Darli atua no suporte às rotinas de RH, com foco em gestão de benefícios, folha de pagamento, informações trabalhistas e processos administrativos. "Quando comecei, nunca tinha trabalhado com portaria. Minha experiência anterior era com recepção. Entrei na empresa pela oportunidade que surgiu e fui aprendendo os processos aos poucos. Depois vieram novos desafios e hoje atuo em uma área com a qual me identifico muito", conta.
A trajetória dentro da empresa aconteceu em etapas. Após atuar na portaria, Darli recebeu uma oportunidade na recepção e, posteriormente, foi convidada para integrar o RH da companhia, área na qual também decidiu aprofundar seus conhecimentos profissionais. Em 2025, concluiu sua graduação em Recursos Humanos.
Para Fabiano, histórias como a de Darli ajudam a mostrar que oferecer perspectivas reais de crescimento pode ser um fator importante para reduzir a rotatividade em setores operacionais.
"Quando o colaborador percebe que existe oportunidade de evolução dentro da empresa, isso fortalece o vínculo, aumenta o engajamento e contribui para a retenção. A história da Darli mostra que é possível construir carreira no setor, inclusive saindo de funções operacionais para áreas estratégicas", ressalta.
Para Darli, a experiência também trouxe mais confiança e novas perspectivas para o futuro profissional. "Me sinto muito feliz na área em que atuo e motivada a continuar aprendendo. Acho importante quando a empresa reconhece o esforço do colaborador e acredita no potencial das pessoas", diz.
A aposta em mobilidade interna e qualificação profissional acompanha uma tendência cada vez mais presente no mercado de trabalho: empresas que conseguem desenvolver talentos dentro de casa tendem a fortalecer a retenção, reduzir a rotatividade e ampliar o engajamento das equipes.



