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    Notícias Corporativas

    Crise em Ormuz reacende debate sobre segurança energética

    DINOBy DINO17 de março de 2026
    Crise em Ormuz reacende debate sobre segurança energética
    Crise em Ormuz reacende debate sobre segurança energética

    A escalada recente de tensões no Estreito de Ormuz voltou a expor uma fragilidade estrutural da economia global e reacendeu o debate sobre segurança energética e diversificação das matrizes energéticas. Por essa rota marítima, localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, passam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, o equivalente a aproximadamente um quarto de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo, segundo estimativas da U.S. Energy Information Administration (EIA). Quando essa passagem entra em risco, o mercado reage imediatamente e os preços do petróleo sobem.

    Nas últimas semanas, a escalada das tensões envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos elevou rapidamente o preço do barril, refletindo o temor de interrupções no fluxo de petróleo do Golfo. Com a redução do risco imediato de escalada militar, os preços recuaram, mas a volatilidade voltou a evidenciar o quanto o sistema energético global permanece exposto a choques geopolíticos.

    Essas oscilações não ficam restritas ao mercado financeiro. A alta do petróleo costuma se refletir rapidamente na economia, pressionando custos de transporte, combustíveis e cadeias produtivas inteiras.

    No caso brasileiro, esse cenário tem implicações diretas, pois, embora o país seja um importante produtor de petróleo, sua logística permanece fortemente dependente de combustíveis fósseis, especialmente no transporte rodoviário, lembrando que o Brasil importa grande quantidade de Diesel A, com impacto na balança comercial.

    Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), o transporte foi o setor que mais ampliou emissões no Brasil em 2023, com crescimento de 3,2% em relação ao ano anterior. Em uma economia que depende intensamente das rodovias para escoar produção agrícola, industrial e mineral, oscilações prolongadas no preço dos combustíveis tendem a se refletir rapidamente nos custos da economia.

    Com um Produto Interno Bruto (PIB) próximo de R$ 12,7 trilhões, o Brasil possui uma logística baseada em rodovias. Esse cenário reforça a sensibilidade da economia brasileira a movimentos prolongados de alta nos combustíveis. Ao mesmo tempo, o país parte de uma posição diferente da maioria das economias industriais.

    De acordo com o Balanço Energético Nacional 2024, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética, cerca de 49,1% da energia ofertada no país em 2023 veio de fontes renováveis, participação significativamente superior à média global. Nesse contexto, os biocombustíveis têm papel central na matriz energética brasileira. O estudo "Trajetórias Tecnológicas mais Eficientes para a Descarbonização da Mobilidade" afirma que o país responde por aproximadamente 24% da produção global de etanol, consolidando-se como um dos principais polos mundiais dessa tecnologia. Projeções do setor indicam que a demanda nacional pode crescer de cerca de 29 bilhões para mais de 50 bilhões de litros até 2050, ampliando o papel desse combustível na matriz energética. Além disso, o levantamento "Iniciativas e Desafios Estruturan…;, encomendado pelo Instituto MBCBrasil, aponta que o país possui aproximadamente 100 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial para expansão da produção de bioenergia sem competir diretamente com a produção de alimentos. Outra frente com potencial relevante é o biometano, combustível renovável produzido a partir de resíduos orgânicos. Estimativas do setor indicam que ele poderia substituir até 70% do diesel atualmente importado pelo Brasil, especialmente em aplicações de transporte pesado e logística.

    Para José Eduardo Luzzi, presidente do conselho de administração do Instituto MBCBrasil, a volatilidade recente do petróleo reforça a importância de o país avançar em soluções energéticas próprias.

    "A crise no Estreito de Ormuz mostra como gargalos geopolíticos continuam influenciando o custo da energia no mundo. O Brasil possui uma vantagem estrutural relevante, que é uma base consolidada de biocombustíveis e capacidade de expandir a produção sem pressionar a segurança alimentar", afirma.

    Segundo ele, transformar esse potencial em estratégia energética pode reduzir a exposição do país a choques externos e fortalecer a competitividade da economia.

    A transição energética também representa uma oportunidade econômica relevante. O relatório New Energy Outlook 2025, da BloombergNEF, estima que o Brasil precisará mobilizar cerca de US$ 6 trilhões em investimentos até 2050 para atingir a neutralidade de carbono. Esse volume de recursos tende a ser direcionado principalmente para infraestrutura energética, transporte e desenvolvimento de novas tecnologias.

    Parte desse movimento já começou em 2024. Relatório do World Economic Forum aponta que o Brasil lidera a América Latina no avanço da transição energética e destaca o papel crescente de economias emergentes na expansão global de investimentos em energia limpa. A aprovação da política conhecida como Combustível do Futuro também tende a ampliar esse fluxo de recursos para cadeias como etanol, biodiesel e novos combustíveis de baixo carbono, reforçando o papel do Brasil como um dos países com maior potencial para liderar soluções energéticas de menor intensidade de carbono.

    Em economias com alta dependência de transporte e logística, a redução da exposição a choques externos nos mercados de energia configura-se simultaneamente como uma agenda ambiental e como um vetor de relevância econômica e estratégica. O Brasil reúne, ao mesmo tempo, condições que poucos países possuem: base renovável relevante, indústria de biocombustíveis consolidada e capacidade de expansão da produção de energia limpa. Transformar essas vantagens em estratégia de longo prazo pode reduzir vulnerabilidades externas e ampliar a competitividade da economia brasileira em um cenário energético cada vez mais incerto.

    Economia INDÚSTRIAS MEIO AMBIENTE MOBILIDADE NEGÓCIOS

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