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    Advogado explica quem pode receber o auxílio-acidente

    DINOBy DINO11 de maio de 2026
    Advogado explica quem pode receber o auxílio-acidente
    Advogado explica quem pode receber o auxílio-acidente

    O auxílio-acidente é um benefício de natureza indenizatória previsto no artigo 86 da Lei nº 8.213/1991. Pela regra legal, ele é devido quando, após a consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, ficam sequelas que reduzem a capacidade para o trabalho que o segurado habitualmente exercia.

    O Decreto nº 3.048/1999 repete essa lógica no artigo 104 e reforça que a análise considera as sequelas definitivas e a redução da capacidade laboral.

    "Quando o acidente deixa uma sequela permanente e o trabalhador passa a ter mais dificuldade para exercer a função, pode existir direito ao auxílio-acidente. Ele é pago justamente para compensar essa redução da capacidade, mesmo sem afastamento definitivo do trabalho", explica Robson Gonçalves, advogado previdenciário atuante em demandas de auxílio-acidente.

    O que é o auxílio-acidente

    O auxílio-acidente não é aposentadoria nem substitui integralmente o salário. Trata-se de uma indenização mensal paga quando a perícia médica conclui que, depois do acidente, permaneceu uma sequela definitiva com impacto no trabalho habitual.

    O Decreto nº 3.048/1999, em seu artigo 104, reforça que o benefício é devido quando, após a consolidação das lesões, resulta sequela definitiva que reduza a capacidade para a atividade que a pessoa costumava exercer.

    "O ponto central não é apenas o acidente em si, mas a sequela que ficou. O auxílio-acidente existe para os casos em que a pessoa volta à vida profissional, mas volta com uma limitação permanente", afirma Robson Gonçalves.

    Quem tem direito

    A base legal do benefício está no artigo 86 da Lei nº 8.213/1991, mas a definição de quais segurados podem recebê-lo aparece no artigo 18, § 1º, da mesma lei.

    Esse dispositivo limita o auxílio-acidente aos segurados incluídos nos incisos I, II, VI e VII do artigo 11, isto é, empregado, empregado doméstico, trabalhador avulso e segurado especial.

    Em outras palavras, o benefício pode ser analisado quando há sequela permanente decorrente de acidente de qualquer natureza e redução da capacidade para o trabalho habitual, desde que o segurado estivesse protegido pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) em uma dessas categorias na data do acidente.

    "O que costuma ser decisivo é a condição do segurado no momento do acidente. Se ele estava coberto pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em uma das categorias previstas em lei e a sequela reduziu sua capacidade para o trabalho habitual, o caso pode ser analisado para auxílio-acidente", revela Gonçalves.

    Quem não tem direito

    A própria estrutura da Lei nº 8.213/1991 mostra que o auxílio-acidente não alcança todas as categorias de segurados.

    Como o artigo 18, § 1º, restringe o benefício às categorias dos incisos I, II, VI e VII do artigo 11, ficam fora desse rol, por exemplo, o contribuinte individual e o segurado facultativo.

    Além disso, não basta existir acidente ou doença: a legislação exige sequela definitiva com redução da capacidade para o trabalho habitual. O regulamento ainda afasta o benefício quando há dano funcional sem repercussão na capacidade laborativa.

    "O simples diagnóstico médico não garante o benefício. O auxílio-acidente depende da prova de que ficou uma sequela permanente com reflexo real na atividade que a pessoa exercia", ressalta o advogado.

    Qual é o valor do auxílio-acidente

    O valor está no artigo 86, § 1º, da Lei nº 8.213/1991: o auxílio-acidente mensal corresponde a 50% do salário de benefício.

    O mesmo artigo estabelece que ele é devido até a véspera do início de qualquer aposentadoria ou até a data do óbito do segurado. O INSS, em comunicação oficial, explica esse mesmo critério e informa que o benefício pode continuar sendo pago mesmo depois do retorno ao trabalho.

    "Na prática, o auxílio-acidente funciona como uma compensação financeira contínua. O segurado pode seguir trabalhando, mas recebe um valor extra porque ficou com uma limitação permanente que impacta o dia a dia", sintetiza Robson.

    O auxílio-acidente atrapalha o trabalho?

    Não. O artigo 86, § 3º, da Lei nº 8.213/1991 estabelece expressamente que o recebimento de salário ou de outro benefício, exceto aposentadoria, não prejudica a continuidade do auxílio-acidente.

    O artigo 104, § 3º, do Decreto nº 3.048/1999 repete essa regra, e a página oficial do INSS também informa que a indenização não impede o segurado de continuar trabalhando.

    "O trabalhador não precisa sair do emprego para ter direito ao auxílio-acidente. A lógica do benefício é justamente reconhecer que ele continua trabalhando, mas com mais dificuldade do que antes", explicita o especialista.

    Como pedir

    O pedido pode ser iniciado pela Central 135, com acompanhamento pelo Meu INSS. Na análise, o segurado pode ser chamado para perícia médica e precisa apresentar documentos pessoais e documentos médicos que comprovem a redução permanente da capacidade laborativa.

    "Como a decisão depende de critérios técnicos e da forma como a sequela aparece na documentação e na perícia, a organização das provas costuma fazer diferença no resultado do pedido", conclui Robson Gonçalves, advogado previdenciário.

    COMUNICAÇÃO Economia ENTRETENIMENTO JUDICIÁRIO POLÍTICAS

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