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    Tarifas dos EUA trazem perdas, mas criam tratados comerciais

    DINOBy DINO3 de setembro de 2026
    Tarifas dos EUA trazem perdas, mas criam tratados comerciais
    Tarifas dos EUA trazem perdas, mas criam tratados comerciais

    A mais recente tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil é um revés para a economia brasileira. Apesar de cerca de 2.100 itens terem sido excluídos da medida, como carne, suco de laranja e peças para aviões, o tarifaço impacta 18% das exportações nacionais para os EUA, o que corresponde a US$ 7,4 bilhões na balança comercial entre os dois países (considerando dados de 2024, anteriores ao primeiro tarifaço), segundo o governo brasileiro. Um quarto dos produtos vendidos para os EUA está sujeito a impostos de até 50%.

    Por ser um importante destino de bens manufaturados brasileiros, a medida preocupa o setor industrial. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destaca que 20 dos 27 estados brasileiros já reduziram o volume vendido para os EUA no primeiro semestre deste ano e, desde a adoção das primeiras tarifas, em 2025, houve uma queda de 13% nas exportações, ou US$ 2,6 bilhões, para os norte-americanos.

    "A decisão vai agravar este quadro; é preciso unir esforços para retomar a produtiva relação que, historicamente, Brasil e EUA sempre mantiveram", diz José Maurício Caldeira, sócio e membro do Conselho de Administração da Colpar Brasil, holding que atua em vários segmentos, como agronegócio, indústria e urbanismo.

    A política tarifária protecionista adotada globalmente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde o início do seu governo, é uma preocupação mundial. A política, porém, provocou um efeito colateral inesperado no comércio internacional. Em vez de frear a integração econômica entre as nações, a elevação de tarifas de importação e a crescente incerteza sobre o acesso ao mercado consumidor norte-americano aceleraram a corrida por novos acordos comerciais entre países e blocos econômicos.

    Negociações ganharam tração

    Negociações que estavam em banho-maria havia anos ganharam tração. Diante da maior instabilidade geopolítica, o objetivo é diversificar mercados, reduzir a dependência de Estados Unidos e China, fortalecer cadeias globais de suprimentos e atrair investimentos.

    O principal marco dessa nova fase é o acordo entre Mercosul e União Europeia, negociado por mais de duas décadas. Assinado em janeiro deste ano, entrou em aplicação provisória em maio, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com cerca de 720 milhões de consumidores e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões.

    "O tratado é muito relevante, pois representa uma oportunidade de ampliar significativamente o acesso do Mercosul ao mercado europeu", avalia José Maurício Caldeira, destacando que a parceria também tende a estimular investimentos estrangeiros no cone Sul.

    Outro avanço importante foi a conclusão do acordo entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Embora reúna países com população relativamente pequena, o bloco possui elevado poder aquisitivo e grande capacidade de investimento.

    Novas fronteiras

    As negociações entre Mercosul e Canadá agora também correm em ritmo acelerado. Ambos trabalham com a expectativa de concluir o acordo ainda neste ano. A parceria abriria espaço para maior acesso de produtos agrícolas e industriais brasileiros ao mercado canadense e pode ampliar investimentos em mineração, infraestrutura, energia e tecnologia.

    A novidade mais recente é a abertura formal das negociações para um Acordo de Parceria Econômica entre Mercosul e Japão, anunciada durante a Cúpula do Mercosul realizada no Paraguai em 30 de junho do ano passado. Caso chegue a bom termo, o acordo criará uma área econômica de aproximadamente 400 milhões de habitantes e PIB conjunto de cerca de US$ 7 trilhões.

    As negociações abrangem redução de tarifas, facilitação do comércio, investimentos, integração de cadeias produtivas e cooperação econômica. Para o Japão, o atrativo é o maior acesso a alimentos e minerais críticos. Já para o Mercosul, o interesse está na ampliação de exportações e na atração de investimentos industriais e tecnológicos.

    Além de avançar no acordo com o Mercosul, a União Europeia também concluiu outras negociações que dormiam nos escaninhos diplomáticos. O bloco europeu finalizou um amplo acordo comercial com a Índia, encerrando negociações iniciadas há quase vinte anos. O tratado conecta mercados que somam mais de dois bilhões de consumidores e reforça a estratégia europeia de reduzir dependências estratégicas em relação às grandes potências.

    A UE também avança nas negociações com países como Filipinas e Indonésia, consolidando a Ásia como prioridade para sua política comercial. A região já conta com a Parceria Econômica Regional Abrangente, que reúne China, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia e os dez países da ASEAN (Associação dos Países do Sudeste Asiático).

    A nova política comercial dos Estados Unidos contribuiu para essa reorganização do comercial mundial, inaugurando uma nova fase de integração global. "Este movimento, paradoxalmente, levou à criação de uma rede mais ampla de parcerias e uma menor dependência de um único mercado, o que para o comércio entre as nações é um movimento positivo", pontua José Maurício Caldeira.

    AGRONEGÓCIOS Economia INDÚSTRIAS NEGÓCIOS POLÍTICAS

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