O agronegócio brasileiro entrou em 2026 sob pressão para produzir mais e com mais eficiência. A Conab estima a safra 2025/26 em 353,4 milhões de toneladas de grãos. Se confirmado, será um novo recorde da série histórica. Ao mesmo tempo, as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 49,11 milhões de toneladas em 2025 (alta de 7,7% sobre 2024), também em nível recorde, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) divulgados pela Reuters/Investing.
Por trás desses números, o mercado vive uma mudança estrutural. O Brasil ainda importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, de acordo com o Plano Nacional de Fertilizantes. Isso mantém a cadeia exposta à volatilidade internacional. No médio prazo, a América Latina deve seguir entre os principais motores do crescimento global do consumo de fertilizantes, enquanto o uso mundial de K₂O (teor de potássio) tende a avançar 10% entre 2024 e 2028, acima de nitrogênio e fósforo, segundo a International Fertilizer Association. Em paralelo, a adoção de bioinsumos no Brasil cresceu 13% na última safra, com expansão média anual de 22% nos últimos três anos, de acordo com estudo da CropLife Brasil.
É nesse ambiente que a Katrium Indústrias Químicas, pertencente ao Grupo Quimpac, reforça seu reposicionamento no agronegócio, com foco no fornecimento de insumos químicos para fabricantes de fertilizantes, formulações foliares e especialidades de nutrição vegetal. Segundo Renan Coelho, diretor comercial da companhia, o movimento responde a uma leitura clara do mercado. Os maiores volumes e margens da empresa vêm hoje do agro, especialmente em derivados de potássio. Isso levou a marca a refletir com mais nitidez esse centro de gravidade do negócio.
De acordo com o executivo, no portfólio voltado à agroindústria, ganham relevância o hidróxido de potássio (KOH), em versões sólida e solução 50%, e o carbonato de potássio (K₂CO₃), também em sólido e solução. Esses produtos atendem fabricantes de defensivos, misturadores, empresas de nutrição vegetal e indústrias voltadas a fertilizantes foliares de maior valor agregado. "O KOH entra, por exemplo, na formulação de glifosato sal potássico e no ajuste de pH e estabilidade das formulações. Já o carbonato de potássio é usado como fonte de potássio de alta pureza em foliares premium e como tampão em formulações mais sensíveis".
"O agro compra cada vez menos ‘só preço’ e cada vez mais custo total e redução de risco", avalia Coelho. "Isso inclui constância de especificação, rastreabilidade, documentação técnica, compatibilidade de formulação e entrega previsível". Escala, qualidade, sustentabilidade e logística eficiente resumem o diferencial que, segundo o diretor comercial, a Katrium quer consolidar no mercado.
A aposta da empresa também acompanha uma tendência mais ampla da nutrição vegetal. Em estudo global, a McKinsey destaca que muitos agricultores já testam bioestimulantes em combinação com fertilizantes tradicionais, e que os insumos de nova geração tendem a ganhar espaço à medida que eficiência agronômica, clima e sustentabilidade entram de vez na equação de compra. Para a Katrium, isso abre espaço para derivados de potássio aplicados em foliares de maior eficiência, soluções bioquímicas e produtos voltados a atenuar estresse hídrico e térmico. "Essa é uma demanda que deve crescer em culturas como hortifruti, citros, café e algodão", afirma Renan Coelho.



