O vereador Leandro Alves (PL), conhecido como Patriota e fiel defensor do ex-presidente Bolsonaro, recebeu quatro denúncias por quebra de decoro parlamentar, abuso de poder e uso da função legislativa para autopromoção, além de possível campanha política antecipada. Ele foi acusado de invadir áreas restritas de repartições públicas.
No início de abril, Leandro recebeu a primeira denúncia por extrapolar as funções do cargo ao ingressar em áreas de atendimento do Pronto Socorro Álvaro Azzuz de Franca, desobedecendo orientações de agentes da repartição, colocando em risco protocolos sanitários e ferindo a Lei Geral de Proteção de Dados que garante sigilo médico aos pacientes.
Revoltado, o vereador foi às redes reclamar da acusação e rasgou um documento, que segundo ele, estaria relacionado à denúncia. Fato que gerou indignação dos colegas do legislativo, levando o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara a pedir explicações pela atitude imprópria de um parlamentar.
Patriota tem histórico de envolvimento em confusões, em maio de 2020 teve que se explicar após participar de uma manifestação em frente ao Palácio do Planalto, quando o fotógrafo Dida Sampaio do jornal O Estado de São Paulo foi agredido a chutes por apoiadores do ex-presidente, ocasião em que Leandro foi flagrado na multidão próximo à vítima, no momento do fato. Em 2022 se desentendeu com seguranças do ex-vereador Rodrigo Garcia na praça Nossa Senhora da Conceição e no fatídico “08 de janeiro” foi detido em Brasília por envolvimento na invasão e vandalização do Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. Aparentemente, o vereador crítico ao MST, possui similaridade nas ações de invasão.
Em sua defesa, havia afirmado que não recuaria diante das pressões e que manteria a fiscalização dos serviços de saúde. Reincidindo no último dia 25, ao ingressar novamente no pronto socorro municipal, tumultuando e comprometendo o atendimento por cerca de três horas.
De acordo com técnicas de saúde da instituição, o vereador teria abordado pacientes prometendo vagas de leito na Santa Casa e em algumas ocasiões teria sido agressivo com as profissionais, mandando-as se calarem e trabalharem. Ele também foi acusado de tentar acessar áreas restritas da unidade de urgência e emergência, da rede pública de saúde, local em que pacientes em estado mais grave ficam isolados por segurança e risco de contaminação. As denúncias também relatam que o vereador estaria habitualmente fazendo campanha política nesses recintos, declarando intenção de disputar as eleições para o cargo de deputado estadual e chegando a citar um possível número de candidatura.
Na noite de ontem 30/04, Patriota participou de um podcast, desafiando os seguidores a acompanharem um dia da sua rotina. Leandro afirmou “a pessoa vai estar junto com a gente, vai estar nos compromisso oficial com a gente (sic), aonde eu entrar a pessoa vai entrar também”. Declarando ainda, no mesmo episódio, que teria mostrado ao apresentador informações que não poderiam ser divulgadas por razões de sigilo, o que também deverá ser apurado pela comissão de ética da câmara municipal.
Além dos ataques diretos, imediatamente dezenas de seguidores se disponibilizaram e manifestaram interesse em acompanhar a rotina do nobre edil, porém ficaram sem o pronto atendimento que o parlamentar alega oferecer. Até o presente momento ele não respondeu nenhuma mensagem, deixando os munícipes na “fila de espera”. O vereador também não confirmou o início das gravações da saga “Invadindo com Leandro MST (Movimentação Sem Trabalho)”.
Sociedade Organizada
Jornalista Marcela Barros
Fundadora da Sociedade Organizada
Advogada especializada em Direito Público
Membro da Comissão de Direito Administrativo da OAB/SP
Membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB/SP
Membro da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/SP
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