O Sesc Franca recebeu a vivência “Dobras de Memória: O turbante como gesto político, poético e ancestral”, conduzida por Eveline de Souza, em um encontro marcado pelo acolhimento, pela troca de experiências e pela valorização da cultura afro-brasileira.
Mais do que ensinar diferentes formas de amarração do turbante, a atividade proporcionou aos participantes uma imersão na história, nos significados e na força simbólica dessa peça que atravessa gerações. Em um ambiente cuidadosamente preparado, com espelhos, escuta sensível e afeto, o público foi convidado a vivenciar o turbante como um elemento de identidade, proteção e pertencimento.

Durante a vivência, Eveline de Souza compartilhou histórias e reflexões que evidenciaram como o turbante vai muito além de um acessório estético. Na tradição afro-brasileira, ele representa proteção do Ori, conceito de origem iorubá que simboliza a cabeça como morada da essência, da consciência e da espiritualidade, além de carregar significados construídos ao longo da história relacionados à resistência, à expressão cultural, à valorização da identidade negra e ao respeito à ancestralidade.

A experiência permitiu que cada participante experimentasse diferentes amarrações, reconhecendo no gesto de vestir o turbante uma prática carregada de memória, simbolismo e conexão com as raízes ancestrais. O espaço também se transformou em um ambiente de diálogo, onde histórias pessoais, sentimentos e vivências puderam ser compartilhados em um clima de respeito e acolhimento.

Encontros como esse reforçam a importância de promover espaços de educação, escuta e valorização das diversas expressões culturais presentes na sociedade. Ao estimular o contato com saberes ancestrais e incentivar o reconhecimento da riqueza da cultura afro-brasileira, iniciativas como “Dobras de Memória” contribuem para o fortalecimento da identidade, do respeito à diversidade e da construção de uma sociedade mais consciente e inclusiva.

A vivência demonstrou que cada dobra do turbante carrega uma história e que preservar, compartilhar e celebrar essas memórias é também um ato de resistência, reconhecimento e valorização da ancestralidade.
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