O professor de literatura Lucas Antônio de Lacerda, 39 anos, executado com nove tiros na tarde desta segunda-feira, 15, em São José, na Grande Florianópolis(SC), foi velado e enterrado na cidade de Restinga, na região de Franca, na quarta-feira, 17.
Diretor da Gaia, escola onde Lacerda trabalhava há cerca de cinco anos, Robson Natan lamentou a perda. “É importante frisar o quanto ele era querido por alunos, pais e toda a equipe, era um profissional acima da média. As aulas foram suspensas. Baita professor e muito querido por todos.”
Em nota oficial, a instituição lamentou profundamente a morte do educador:
“É com o coração apertado que lamentamos a perda do Professor de Literatura e Diretor de Turmas Lucas Antônio de Lacerda — nosso querido Prof. Luquinha. Amigo leal. Profissional sério. Pai amoroso. Atento aos alunos e às famílias. Deixa em nós uma saudade imensa. Nos solidarizamos com a família, amigos e alunos neste momento de profunda dor.”
Ainda conforme o diretor, as aulas na instituição estão suspensas até o final da semana. Alunos têm se mobilizado para prestar homenagens ao professor.
Homenagens de alunos e colegas
A morte de Lacerda gerou uma série de manifestações de pesar nas redes sociais. Alunos e professores lembraram o educador como alguém que transformava o ambiente escolar.
“Um professor que tornava minhas manhãs mais leves e a literatura mais bonita; sentirei sua falta”, escreveu uma estudante. “As aulas de literatura jamais serão as mesmas. Vá em paz, Luquinha. Que Deus conforte a família e amigos desse grande professor”, publicou outra.
Colegas de profissão também destacaram a ausência que ficará. “O Luquinha não tinha nada de pequeno. Era um grande professor e colega de trabalho! A sala dos professores estará mais sem graça sem você, meu caro!”, disse um professor.
“Triste, muito triste, voltar sem ele estar do nosso lado! Não poder chamá-lo de Samuquinha e nem rir das nossas piadas internas”, comentou outro colega.
Carro onde o professor estava foi atingido por vários disparos
Natural de Franca, Lacerda, mais conhecido por “Luquinha”, foi executado por volta das 14h de segunda-feira (15), na rua Otto Júlio Malina, bairro Ipiranga, em frente à padaria Schutz, próximo à avenida Osvaldo José do Amaral.
De acordo com a Polícia Militar, o carro em que ele estava foi atingido por diversos disparos no para-brisa. O professor foi encontrado já sem vida no interior do veículo. O Samu confirmou o óbito ainda no local. A Polícia Civil e o Instituto Geral de Perícias assumiram a ocorrência.
Professor executado era réu em processo criminal
Professor morto a tiros se envolveu em acidente com morte em 2024 – Foto: Arquivo/CBM/ND
O professor respondia a uma ação penal por homicídio culposo na direção de um carro, após um acidente de trânsito ocorrido em 2024.
Segundo o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), ele não aceitou a proposta de acordo de não persecução penal e acabou denunciado. O processo se baseou em boletim de ocorrência, laudos periciais e depoimentos de testemunhas.
Em 2025, a Vara Criminal do Foro do Continente manteve a denúncia e designou audiência de instrução e julgamento para 24 de junho de 2026. Na decisão, o magistrado frisou:
“Nesta fase processual, não se exige certeza, mas apenas indícios da responsabilidade criminal, que deverão ser confirmados ou não durante a instrução probatória.”
O que diz a polícia?
O delegado responsável, Diego Parma, informou que a investigação sobre o caso do professor executado ainda está em estágio inicial.
“A investigação teve início tão logo tomamos conhecimento e segue em andamento. Não descartamos nenhuma linha de investigação”, informou o delegado.



