Um boletim de ocorrência registrado na Delegacia Seccional de Polícia de Franca envolve o presidente da Câmara Municipal de Franca, Fransérgio Garcia Braz, apontado como investigado em um caso de ameaça (artigo 147 do Código Penal).
O portal FNT teve acesso ao boletim de ocorrência. De acordo com o documento elaborado na polícia, dia 4 de fevereiro de 2026, Roberto Pereira da Silva, de 75 anos, residente em Marilia (SP), relatou ter emprestado R$ 37 mil ao sobrinho para custear despesas relacionadas à campanha política na cidade. Segundo ele, o valor foi feito via pix, não foi devolvido e, após cobranças, passou a receber mensagens que teriam caráter intimidatório.
O registro aponta que Fransérgio teria enviado mensagens por WhatsApp afirmando já estar com o dinheiro, mas não efetuou o pagamento. Após cobranças, o vereador teria insinuado que o tio praticava agiotagem.
A vítima afirma possuir comprovantes bancários da transferência.Após a revogação de uma procuração referente a um imóvel, o sobrinho teria condicionado o pagamento da dívida à manutenção do documento.
Segundo a polícia, também teriam sido enviadas mensagens mencionando que a “Polícia” estaria aguardando a vítima, além de imagem de um suposto “Coronel”, o que foi interpretado como forma de intimidação.
A ocorrência foi registrada como crime consumado de ameaça. A vítima manifestou interesse em representar criminalmente contra o suspeito, sendo orientada quanto ao prazo legal de seis meses para formalização da representação.
Devido Fransergio ser parlamentar o caso é apreciado pela Delegacia Seccional de Polícia e poderá resultar na instauração de inquérito para apuração dos fatos.
Fransergio nega
O vereador e empresário Fransergio Garcia disse, por telefone, que a denúncia de Roberto não procede e que também registrou boletim de ocorrência contra o seu tio.
No documento, Fransergio relata que é sobrinho da esposa de Roberto e que o tio ofereceu dinheiro ao parlamentar a juros de 2,5% ao mês. Fransergio disse que tem comprovantes dos pagamentos.
Após uma discussão entre ambos, Roberto subiu os juros para 5% ao mês. Mesmo assim o vereador já teria pago R$ 20 mil da dívida. Fransérgio revelou ter sofrido ameaças de Roberto, falando que caso o vereador não pagasse o restante ele viria a Franca fazer uso da Tribuna na Câmara Municipal e expor a situação aos demais vereadores.
Fransergio respondeu que Roberto poderia vir que estaria à sua espera juntamente com a polícia, uma vez que estava sendo ameaçado.
O presidente da Câmara disse também a polícia que, juntamente com sua irmã adquiriram um imóvel de sua avó e a casa estava em inventário em Delfinópolis (MG), em processo de transferência para as herdeiras. Roberto entrou com embargos sobre o inventário, ameaçando contestar algo que já havia assinado caso Fransérgio não pagasse juros de 5% e o restante do capital emprestado. Ao final de suas declarações à polícia, Fransergio manifestou o desejo de representar em desfavor de Roberto e ainda concordou com a quebra de sigilo telefônico do WhatsApp para comprovar seu depoimento.
O termo de declaração de Fransergio foi registrado na Delegacia Seccional de Polícia de Franca no dia 24 de fevereiro de 2026. Ele foi ouvido pelo delegado assistente seccional Daniel Paulo Radaelli.



