O padre Jucelino de Oliveira, de 58 anos, preso na última sexta-feira (4) em Praia Grande, sob suspeita de estupro de vulnerável, já tinha uma condenação por abuso contra uma menina de 10 anos. O crime, segundo a Justiça, ocorreu em 2006, em Franca (SP), quando o religioso integrava o clero da Diocese de Santo Amaro, na Capital.
A sentença foi confirmada em 2009, quando Jucelino tinha 41 anos. A Justiça de Franca estabeleceu pena de 12 anos de prisão em regime fechado. De acordo com os registros da época, o processo teve origem em uma denúncia feita pelos pais da criança. A vítima teria relatado o abuso a uma prima.
O padre era parente do pai da menina e frequentava a residência da família. Durante o processo, ele foi afastado das atividades religiosas e chegou a permanecer preso por cerca de seis meses, em 2007. Posteriormente, obteve habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e aguardou o julgamento em liberdade. A defesa contestou a acusação e afirmou, na época, que havia contradições no processo.
A condenação anterior voltou a ganhar destaque após Jucelino ser preso novamente. A prisão temporária, determinada pela 2ª Vara Criminal de Praia Grande, tem prazo de 30 dias e está relacionada a uma investigação conduzida pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
O caso atual surgiu a partir das denúncias de uma jovem de 19 anos e um rapaz de 18, que atuavam como coroinhas em uma paróquia da Cidade. De acordo com o boletim de ocorrência, os dois passaram a acompanhar Jucelino em celebrações realizadas em outras igrejas e também eram convidados para frequentar a casa dele.
Segundo o relato da jovem, o padre teria insistido para que ela e o namorado consumissem bebidas alcoólicas, mesmo depois de ela informar que tinha problemas com álcool. Em uma das ocasiões, Jucelino teria abraçado o casal e encostado a genitália na perna da jovem. Posteriormente, quando o namorado aparentava estar sonolento depois de consumir bebida alcoólica, o religioso teria colocado as mãos por dentro da blusa e do sutiã dela.
A jovem também relatou que o padre teria oferecido presentes e ajuda financeira, incluindo o pagamento de uma carteira de motorista e a compra de materiais para que ela pudesse abrir um salão de beleza. Ainda segundo o depoimento, ele teria sugerido que o casal passasse a morar na casa dele.
Ele foi ordenado padre em 2004 e, desde 2020, administrava a Casa Pime, espaço destinado a retiros, encontros, convivência e lazer ligado ao Pontifício Instituto das Missões Exteriores. Também celebrava missas na Capela São João Batista, no Solemar, e na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, no Jardim Imperador, ambas em Praia Grande.
Além da prisão temporária, a Justiça determinou medidas para proteger as pessoas relacionadas à investigação. Jucelino está proibido de se aproximar a menos de 300 metros das pessoas protegidas, de seus familiares e de testemunhas. Ele também não pode estabelecer contato com essas pessoas por telefone, aplicativos de mensagens, redes sociais, e-mail ou por intermédio de terceiros. A decisão impede ainda que frequente locais habitualmente utilizados pelas pessoas protegidas, como residência, local de estudo ou eventual endereço de trabalho.
A defesa do padre informou que não havia tido acesso integral à representação policial, ao parecer do Ministério Público e aos fundamentos completos da decisão. Na audiência de custódia foi solicitada a revogação da prisão e sua substituição pelas medidas cautelares determinadas pela Justiça.
A Diocese de Santos informou, por meio das redes sociais, que tomou conhecimento da prisão e declarou confiar no trabalho da Justiça para esclarecer os fatos. A instituição também afirmou que adotará as providências canônicas cabíveis.



