O Ministério Público Militar do Estado de São Paulo apresentou, no dia 27 de janeiro, denúncia formal contra dois policiais militares suspeitos de participação na morte do sargento Rullian Ricardo Adrião da Silva, de 40 anos, natural de Franca. O crime ocorreu em 5 de abril de 2023, nas dependências da 4ª Companhia do 46º Batalhão da Polícia Militar Metropolitana, no bairro do Ipiranga, na capital paulista.
Foram denunciados o major Francisco Laroca e o cabo Fabiano Rizzo, acusados pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual. Ambos já haviam sido afastados de suas atividades operacionais em setembro do ano passado, após a Justiça Militar acolher o indiciamento no curso das investigações.
De acordo com o registro policial elaborado no dia do fato, o sargento foi baleado no pescoço e no tórax após um desentendimento relacionado à escala de serviço durante um feriado. A apuração apontou que o major teria efetuado três disparos contra a vítima, enquanto o cabo realizou um quarto tiro, contra o Sargento Rullian
Mesmo com o rápido socorro aéreo realizado pelo helicóptero Águia, da Polícia Militar, o sargento não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu. Desde o início, amigos e familiares passaram a questionar a versão apresentada pelos envolvidos.
Durante a investigação conduzida pela Corregedoria da PM, imagens captadas por câmeras corporais levantaram dúvidas sobre o relato inicial dos policiais. Os vídeos, posteriormente divulgados pela imprensa, mostram o corpo do sargento no chão, com a arma posicionada sobre o peito, circunstância considerada incomum e que chamou a atenção dos investigadores.
Na ocasião, a Polícia Militar informou, por meio de nota, que os agentes foram afastados e que todas as medidas de Polícia Judiciária Militar estavam sendo adotadas, sob acompanhamento da Corregedoria.
A defesa da família de Rullian afirmou que a denúncia era esperada, diante do conjunto de provas técnicas e periciais reunidas ao longo do inquérito. Segundo os advogados, os elementos indicam uma conduta grave, incompatível com qualquer alegação de atuação regular no exercício da função policial.
Os familiares também manifestaram repúdio aos fatos descritos na denúncia, classificando-os como violações dos deveres funcionais e um desrespeito à vida humana dentro da própria instituição. A família segue cobrando justiça e acompanha de perto o andamento do processo, mantendo a expectativa de responsabilização dos acusados.
O inquérito já foi recebido pela Justiça Militar, e o caso seguirá para as próximas etapas processuais. A ação tramita em segredo de justiça.



