Em uma entrevista publicada nesta quinta-feira (02), Augusto Nascimento revelou que o pai, Milton Nascimento, de 82 anos, foi diagnosticado com demência por corpos de Lewy (DCL). A informação foi divulgada na edição 229 da revista Piauí.
Segundo Augusto, os primeiros sinais chamaram a atenção pela dificuldade de memória e pelo olhar fixo do cantor. Ele também percebia que Milton repetia as mesmas histórias em poucos minutos — algo incomum, já que sempre foi conhecido por narrar longas passagens de sua trajetória sem se repetir.
Após a aposentadoria dos palcos em 2022, Milton se manteve ativo na música com participações em álbuns, incluindo um trabalho ao lado de Esperanza Spalding. No entanto, Augusto percebeu mudanças preocupantes após o desfile da Portela — que homenageou o cantor com o enredo “Cantar será buscar o caminho que vai dar no sol” — e após o lançamento do documentário “Milton Bituca Nascimento”.
O herdeiro relata que, além da repetição de histórias, Milton apresentava pouco apetite e um olhar muitas vezes fixo em um único ponto. Em abril, o artista passou por testes clínicos que avaliaram atenção, linguagem e orientação espacial. O médico responsável, Weverton Siqueira, chegou a dizer que, pela primeira vez em uma década, estava assustado com o declínio cognitivo de Milton, solicitando uma bateria de exames.
Em meio às incertezas, Augusto decidiu levar o pai para uma viagem de motorhome pelos Estados Unidos em maio. Poucas semanas após o retorno, veio a confirmação: Milton, que já havia descoberto o Parkinson em 2023, recebeu também o diagnóstico de demência por corpos de Lewy.
“Quando vi que o meu pai apresentava uma piora no quadro cognitivo, perguntei ao médico se seria uma loucura fazer uma viagem de motorhome com ele pelos EUA”, disse Augusto ao veículo. Um mês depois, em maio, os dois embarcaram na aventura norte-americana.
De acordo com o National Institute on Aging, agência federal líder nos Estados Unidos para pesquisas sobre o envelhecimento, a DCL está relacionada a depósitos anormais de uma proteína chamada alfa-sinucleína no cérebro. Esses depósitos — conhecidos como “corpos de Lewy” — afetam substâncias químicas cerebrais e podem comprometer memória, movimento, comportamento, humor e outras funções corporais.



