O médico de 67 anos, preso sob suspeita de assédio contra uma jovem de 18 anos, foi colocado em liberdade após passar por audiência de custódia.
O caso teria ocorrido na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto, em Franca, onde o profissional realizava atendimentos. Segundo as informações iniciais, a denúncia partiu da própria vítima, que procurou as autoridades após o suposto episódio. Segundo a vítima, ele tocou os seios dela para medir a temperatura, dizendo que ela estava com febre.
O médico, que é morador da cidade de Uberaba (MG), prestava serviços para a Prefeitura de Franca no momento dos fatos.
Após a prisão, ele foi apresentado à Justiça, que durante a audiência de custódia decidiu pela liberação, permitindo que responda às investigações em liberdade.
Na tarde desta quinta-feira,18, a delegada Juliana Paiva concedeu uma coletiva de imprensa, detalhando o andamento do caso. De acordo com ela, o inquérito segue em andamento e diligências continuam sendo realizadas para esclarecer completamente os fatos.
“Ela estava com uma infecção de garganta e procurou a UPA Jardim Aeroporto. Chegando lá, passou pela triagem e foi encaminhada para o médico, que é o autor dos fatos. Na triagem não tinha mostrado temperatura elevada, ele [o médico] decidiu aferir de um modo um pouco estranho, colocando as mãos entre os seios da vítima e, segundo a vítima, levantou a blusa e as mãos foram entre [a blusa e] o sutiã da vítima”.
Ainda segundo a delegada, a paciente ficou assustada, saiu da sala e ligou para a mãe. A mulher foi até o local e também acabou sofrendo importunação por parte do mesmo médico.
“A genitora entrou já questionando quem seria o responsável pela UPA, que ela precisava fazer uma reclamação. Segundo o relato dessa genitora e também da vítima, o médico, não sabendo o que estava acontecendo, saiu de onde estava e ainda se referiu à mãe [da paciente] com a expressão ‘e aí, morena?’ Esse é o relato da genitora e da vítima. A partir desse momento, a genitora entrou em vias de fato por conta da revolta com o médico e foi chamada a Polícia Militar”.
Em depoimento na tarde de quarta-feira, o médico não negou ter tocado os seios da vítima e, segundo a delegada, gaguejou ao ser questionado do porquê.
“Ele assume que colocou a mão entre os seios. Questionado o porquê de estar aferindo a temperatura deste modo e se ainda é usual, ainda que ele não tivesse termômetro à disposição, se é usual medir a temperatura sob o seio da vítima, ele gaguejou, não soube explicar. Perguntei se a UPA não tem termômetro e ele simplesmente respondeu ‘não pedi outro termômetro porque a vítima já havia passado por triagem e na triagem não havia dado alteração de temperatura'”.
A delegada disse também que investiga se outras pacientes também foram vítimas do médico. Nesta quinta-feira, uma mulher procurou a polícia para relatar uma situação parecida que aconteceu em 2019, que também será apurado.
“Esta vítima de 2019 relatou que foi examinada por uma dor nas pernas e ele teria passado as mãos em suas pernas de maneira desconfortável, dirigindo o olhar para os seus seios, rindo de uma maneira inadequada e ainda com alguns assuntos estranhos ‘é a primeira vez que eu te atendo?’ Uma situação que, a priori, não está muito clara se houve importunação sexual. Mas o comportamento inadequado do autor já foi constatado de cara pela versão da vítima”.

A Polícia Civil investiga a denúncia de assédio, e o caso deve ser encaminhado ao Poder Judiciário após a conclusão das apurações.
A Prefeitura de Franca ainda deve se manifestar oficialmente sobre a situação do profissional.



