A defesa da ex-gerente do Santander Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, suspeita de desviar cerca de R$ 2 milhões de clientes em Miguelópolis, no interior de São Paulo, afirma que ela é viciada no “jogo do tigrinho”. Segundo o advogado, Vanessa também possui laudos de depressão e síndrome de burnout, condição ligada ao esgotamento profissional.
Ela e o companheiro, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56 anos, foram presos preventivamente na segunda-feira (28). O casal é investigado por furto mediante abuso de confiança contra idosos e pessoas vulneráveis. A Polícia Civil também apura indícios de lavagem de dinheiro.

Vanessa trabalhou por mais de 12 anos na agência e foi demitida. Conforme a decisão judicial que determinou as prisões, o desligamento não interrompeu a movimentação dos valores supostamente ocultados.
Dinheiro teria passado por casas de jogos e apostas
Segundo a Polícia Civil, os recursos retirados dos correntistas eram distribuídos em outras contas bancárias e em casas de jogos e apostas. A suspeita é de que essa circulação permitisse esconder a origem dos valores e fazê-los retornar à economia formal com aparência de rendimentos legais.
O inquérito começou após clientes registrarem boletins de ocorrência por movimentações que não reconheciam. Os investigadores afirmam que Vanessa usava a confiança dos correntistas para sacar e movimentar dinheiro sem autorização.
Adilson tinha livre trânsito na agência e teria buscado quantias entregues por ela. A decisão judicial aponta indícios de que o dentista recebia e ocultava os recursos em contas pessoais e da empresa dele. O documento também relata que ele foi visto várias vezes deixando o banco com sacolas de dinheiro.
Justiça aponta mais de R$ 2,1 milhões em supostos desvios
A Polícia Civil estima em cerca de R$ 2 milhões os prejuízos relatados pelas vítimas entre 2024 e 2026. Já a decisão que autorizou as prisões aponta subtrações superiores a R$ 2,1 milhões.
O documento descreve saques indevidos, empréstimos fraudulentos, transferências não autorizadas e resgates de aplicações financeiras sem o conhecimento dos titulares.
Além das prisões preventivas, a operação de segunda-feira cumpriu mandados de busca e apreensão.
Família diz que idosa perdeu R$ 300 mil e ainda paga empréstimo
Entre as vítimas relatadas está uma aposentada de 78 anos que, segundo a família, teve aproximadamente R$ 300 mil retirados de sua conta no Santander. Ela só teria descoberto o saldo zerado depois de passar por um transplante de córnea.
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Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, e o namorado dela, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56, foram presos por suspeita de estelionato em Miguelópolis, SP — Foto: Reprodução/Redes Sociais
De acordo com a sobrinha, a idosa também tem parcelas de um empréstimo que não reconhece descontadas da aposentadoria. Após os abatimentos, restam cerca de R$ 1 mil por mês para se manter.
Santander afirma que coopera com a investigação da Polícia Civil e que nenhum cliente sofreu prejuízo financeiroFoto: Santander/Divulgação/ND Mais
O que diz o Santander sobre a gerente de banco em Miguelópolis?
Em nota, o Santander informou que sua área de Inteligência coopera com a Polícia Civil de São Paulo desde o início da investigação para apurar os fatos e responsabilizar os autores.
A instituição afirma que nenhum cliente sofreu prejuízo financeiro e que possui sistemas eficazes de prevenção a fraudes para identificar e coibir desvios de conduta.
A declaração do banco difere da informação da Polícia Civil de que as vítimas não haviam sido ressarcidas até terça-feira (29).



