Mais um ano o Portal FNT esteve presente na cobertura da tradicional Festa de Catito e Tininho, um dos eventos mais representativos da cultura popular francana. Celebrando a força da Congada e da Folia de Reis, a festa se consolida como um elo entre passado e presente, reafirmando o valor das manifestações que moldaram a identidade cultural da cidade.
A celebração tem raízes profundas na história de Franca. Desde as décadas de 1960, 1970 e 1980, a cidade se reunia para prestigiar apresentações que, além de movimentar o calendário cultural, fortaleciam laços comunitários e preservavam costumes transmitidos por gerações. Segundo Ana De Araujo, agente cultural que presta apoio à iniciativa e responsável pela redação do projeto submetido ao PROAC, essa tradição se sustenta graças a figuras que dedicaram a vida ao folclore regional, como Dona Elisa e sua mãe, reconhecida na época como “rainha do folclore” da Alta Mogiana. Ambas foram fundamentais para manter a festa viva e inspirar novas gerações.
A origem da festa
Para compreender a dimensão histórica do evento, conversamos com Magela, filho de Catito, que compartilhou a trajetória por trás da celebração. A história começa na década de 1950, quando Catito — que formava uma dupla sertaneja com Matinho — foi convidado a participar do programa de auditório de Garcia Neto, em Franca. Seu carisma chamou a atenção do público, e não demorou para que assumisse a apresentação do programa aos domingos.

Apaixonado pela cultura sertaneja e especialmente pela Folia de Reis, tradição que conheceu ainda criança, Catito inovou ao levar essa manifestação para o rádio, tornando-se pioneiro na transmissão da Folia pela PRB-5.
A festa tomou forma oficialmente em 1960, quando Catito e seu irmão Tininho organizaram um concurso de Folia de Reis na Praça Barão de Franca. O encontro rapidamente se tornou referência, atraindo grupos de Minas Gerais e São Paulo e inaugurando uma nova fase dos encontros de Folia no estado.
Mesmo após o fim do programa na rádio, Catito continuou promovendo a celebração — em Franca e em Itirapuã —, garantindo sua continuidade por décadas. Em 1975, retomou seu programa sertanejo, desta vez na Rádio Imperador, fortalecendo ainda mais o movimento até seu falecimento, em 1992.
Com o passar dos anos, dificuldades financeiras impediram a continuidade do festival, até que a Associação Folclórica Tradição Cultura Popular de Franca, com apoio do vereador Nirley De Sousa, retomou os esforços e conseguiu reinserir o evento oficialmente no calendário cultural da cidade.

Tradição, memória e resistência
Hoje, a Festa de Catito e Tininho segue como um símbolo da cultura popular francana, reconhecida como marco patrimonial e responsável por inspirar outros encontros regionais. Contudo, sua realização ainda enfrenta desafios. A falta de recursos e a burocracia para captação via editais tornaram a manutenção do evento um esforço coletivo das associações culturais e da comunidade.

“Desde 2021, estamos trabalhando para viabilizar os projetos e conseguir manter a festa de pé”, afirma Ana De Araujo, destacando que o apoio do PROAC foi decisivo para a realização da edição deste ano.
O projeto de revitalização da festa é estruturado em cinco eixos fundamentais:
1. Preservação
Visa resgatar o evento da descontinuidade e reorganizar sua estrutura, garantindo que a tradição não se perca e que o público reencontre o valor dessas manifestações.
2. Sustentação
Acontece por meio de viagens e encontros entre grupos de Congada e Folia de Reis. Esses intercâmbios fortalecem práticas, promovem troca de saberes e ampliam o alcance cultural.
3. Fortalecimento
Os chamados “encontros de bandeiras” aproximam os grupos locais, cada um carregando seu símbolo e identidade. O objetivo é estreitar laços e fortalecer vínculos que, muitas vezes, se enfraquecem pela rotina e pelas distâncias.
4. Transmissão
Focado nos jovens, essa etapa busca renovar as tradições culturais em tempos de transformações sociais e tecnológicas. A continuidade depende de quem aprende hoje para preservar amanhã.
5. Celebração

A importância das manifestações populares
A Congada e a Folia de Reis, classificadas como patrimônio imaterial, carregam elementos da fé, da história afro-brasileira e da devoção católica. São expressões que combinam música, dança, cores e espiritualidade, mantendo viva a essência de comunidades que resistem mesmo diante das dificuldades.
Em Franca, preservar essas celebrações significa honrar a memória coletiva e fortalecer a identidade regional.

Mas a realização de um evento dessa dimensão exige apoio. Muitos participantes são idosos, têm pouca familiaridade com o ambiente digital e enfrentam barreiras para acessar editais e processos burocráticos. “Esses grupos não têm acesso ao digital como as gerações mais novas, o que torna o processo ainda mais complexo”, explica Ana.
Ainda assim, iniciativas como o PROAC são fundamentais para abrir portas, fomentar novos produtores culturais e assegurar continuidade às tradições.

Este ano, o Portal FNT acompanhou não apenas o evento, mas também os bastidores de sua produção. Cairo Still, CEO do portal, realizou uma entrevista audiovisual com a agente cultural Ana De Araujo, discutindo a longa jornada por trás da elaboração e execução de um projeto cultural. Um processo que, como ela ressalta, começa muitos meses — ou até anos — antes de se concretizar.

A Festa de Catito e Tininho segue firme, repleta de memória, resistência e fé. E nós, do Portal FNT, seguimos registrando, valorizando e celebrando aquilo que representa a alma da cultura popular de nossa cidade.
Matéria assinada pelo jornalista e SEO do Grupo Fato No Ato, Cairo Still. Para sugestões de pautas sobre arte e cultura envie para o e-mail cairostill@portalfnt.com.br ou jornalismo@portalfnt.com.br

















