O escritor Gael Jardim acaba de lançar seu primeiro livro, “Eu Sou Gael Jardim”, uma obra intensa e pessoal que atravessa memórias, dores e conquistas de sua transição. Em um relato profundo e sensível, Gael convida o leitor a conhecer suas duas vivências: a que lhe foi imposta e a que ele mesmo construiu, com amor próprio e novas responsabilidades.
“Sou intenso em tudo o que faço”, define-se.
Pessoalmente, se vê como alguém sensível e curioso, e profissionalmente, como alguém que se dedica por completo ao que acredita. A escrita sempre esteve presente em sua vida como uma ferramenta de organização dos sentimentos e expressão de pensamentos — algo que se intensificou no processo de criação de seu livro.


A motivação para compartilhar sua história veio das próprias dores e traumas:
“Quis responder para a sociedade o que fizeram de mim, o que permiti e o que não tolero mais”, afirma.
A obra nasceu como um diário, mas ganhou forma de conto, poesia e narrativa analítica. Um momento decisivo foi quando leu um trecho para a pessoa mais importante de sua vida e provocou um riso genuíno: “Na mesma hora pensei que poderia virar um livro e não guardar mais só para mim.”
Entre os momentos mais difíceis de revisitar, a infância se destacou como o capítulo mais intenso. O desafio foi transformá-la em palavras capazes de provocar reflexão, empatia e afeto. O título carrega sua afirmação de identidade:
“Pela primeira vez, me coloco como protagonista da minha vida.”
Gael não deixa de registrar no livro momentos de alegria e conquistas, misturando linguagem neutra, pajubá e referências a outras identidades, para mostrar que viver é aprender, independentemente de onde se vive. Para ele, a representatividade trans na literatura brasileira é um registro vivo, fundamental para que histórias sejam contadas em primeira pessoa e não apenas interpretadas por outros.
O autor deseja que seus leitores riam, reflitam e se reconheçam em suas páginas, deixando o passado doloroso no lugar a que pertence: o passado. Antes mesmo do lançamento, recebeu retornos emocionantes — como o de uma leitora que encontrou o livro por acaso, pegou seu café e leu até a última página, impactada pela história.
Para outras pessoas trans que sonham em contar suas histórias, Gael é direto:
“Saiba o porquê e qual motivo de compartilhar. E não deixe de fazer.”
O futuro de Gael inclui seguir escrevendo, explorar outros gêneros e até lançar um romance de ficção científica com um protagonista transmasculino. Fora da literatura, sonha em atuar no teatro e crescer profissionalmente até alcançar cargos de liderança. “Não parar enquanto estiver vivo”, resume.
“Eu Sou Gael Jardim” não é apenas um livro. É um ato de resistência, identidade e amor próprio — uma leitura que provoca, acolhe e inspira.
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