O empresário Marcelo Ferreira, de 47 anos, suspeito de atirar duas vezes no peito do sapateiro Bruno Prado, de 31 anos, na Vila Aparecida, em Franca, na terça-feira, 5, se apresentou à Polícia Civil de Franca, na tarde desta sexta-feira, 8, e negou que tivesse a intenção de matar a vítima. E mais. Ele disse estar arrependido.
Ao sair da sede da DIG(Delegacia de Investigações Gerais), no Centro, acompanhado do seu advogado, Acir Gomes, Marcelo não quis falar com a imprensa.
O empresário é o homem que aparece nas imagens de câmeras de monitoramento entrando em luta corporal com o sapateiro. A briga aconteceu na porta da empresa onde Bruno trabalha, na Vila Aparecida, região Leste de Franca.
Marcelo estava armado e durante a discussão disparou duas vezes contra a vítima. Em seguida entrou no seu carro e fugiu.

Segundo a investigação a confusão começou na noite anterior, quando Bruno teria ameaçado a esposa do empresário, que é dono de uma oficina mecânica, local onde Bruno havia deixado o carro para conserto.
“Ele(Marcelo) alega que tudo ocorreu em razão de um problema na oficina, que, a principio este rapaz (Bruno) o procurou na segunda-feira, 4, porque a vítima trabalha em uma fábrica ali próximo e o carro dele tinha dado defeito. Ele (marcelo) inclusive o teria ajudado a levar o carro até a oficina e acabaram acertando que o conserto do carro ficaria em cerca de R$ 1.550,00. A partir daí foi feito o conserto e no dia seguinte a vítima foi até a oficina, pegou o carro para experimentar. Segundo a versão que ele (empresário) apresenta, a sua esposa teria ligado dizendo que ele (sapateiro) não poderia pegar o carro porque ele ainda estaria sob a responsabilidade da oficina.(…) houve um estranhamento por parte da vítima. À noite o empresário teria ouvido áudios enviados por um funcionário da empresa em tons ameaçadores, eles apresentaram esses áudios, dizendo inicialmente que ele ( Bruno) teria sido maltratado e que chamaria seus irmãos, que no outro dia o dia dela (esposa do empresário) seria louco, seria complicado. Desta forma, o autor teria ficado temeroso e como ele é CAC(Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) foi armado até a oficina (…) só que no caminho teria encontrado o rapaz na porta da fábrica, desceu do carro para tentar conversar com ele. Neste momento o rapaz o teria enfrentado, confirmado as ameaças e, num gesto brusco por parte da vítima, ele acabou sacando a arma e efetuando alguns disparos”, disse o delegado Márcio Murari à TV Record de Franca,
Uma irmã de Bruno, que prefere não ser identificada, conta que a família está apavorada, ainda mais sabendo que o atirador está em liberdade. “Revoltante porque uma pessoa que foi, atirou, ele foi pra matar, ele não foi pra dar susto.(…) meu irmão está em coma, não tem como dar a versão dele, não tem como falar por ele. Só tem a família e a gente tem de aguardar com ele (Marcelo) na rua”.
Segundo ela Bruno sempre foi um homem tranquilo e se fez alguma ameaça foi no calor do momento, mas nunca teria capacidade de fazer mal a alguém. ” A gente até ficou surpreso, na verdade, sobre isso né, dele ter ameaçado a esposa dele(Marcelo) porque não é da índole dele (Bruno) e nem da nossa família também.
Bruno continua internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na Santa casa de Franca. A família informa que o estado de saúde dele é grave. ” Ele está com suspeita de ter (os tiros) atingido a coluna e, provavelmente, pode ser que tenha uma sequela né, do tiro, tá com a bala ainda, a gente não sabe se vai ser retirada, mas é grave ainda”, disse a irmã de Bruno.
A defesa de Marcelo declarou que ele está arrependido. ” Ele tinha certeza que fosse conversar e que iria resolver e não esperava a reação que tinha alí na hora. (…) ele disse por que você quis ameaçar minha esposa? e aí foi onde aconteceu tudo”, disse Acir Gomes.
Segundo o advogado de defesa, o empresário não tinha a intenção de matar Bruno. ” Nunca, ele é pessoa boníssima, nunca teve qualquer passagem (policial), é primário, com bons antecedentes, nunca imaginou estar numa situação dessa”.
Testemunhas que presenciaram o crime serão ouvidas nos próximos dias. O delegado Murari acredita na recuperação de Bruno e espera poder ouvir o que o sapateiro tem a dizer sobre o ocorrido. ” Não vamos colocar só a versão dele (Marcelo) no inquérito policial. Tudo vai ser trazido para o inquérito policial, que vai buscar a verdade. Tanto a versão da vítima, claro quer acreditar que vai ser possível fazer isso, de testemunhas, do que está no telefone da vítima. por isto estou pedindo autorização judicial para que a gente possa periciá-lo e trazer a verdade”.
O empresário possui registro como CAC mas a arma utilizada no crime ainda não foi apresentada à polícia. ” Ele não apresentou a arma porque alega ter deixado a esposa após o crime e ido para a região de Estreito(região de Franca),e lá se desfez desta arma. Vai apresentar a documentação que é CAC e, mesmo assim vai responder, inicialmente, pela tentativa de homicídio”, explicou o delegado Murari.
A família da vítima clama por justiça. ” Sem ele apresentar esa arma, por que ele não ficou preso? a família quer justiça porque não tem cabimento uma coisa dessas. A justiça não tá sendo feita”, lamenta a irmã de Bruno.
Marcelo deverá responder ao processo em liberdade.



